“Um Trompete no Uádi”, romance de 1987, agora editado pela Elsinore, é o primeiro livro do autor israelita Sami Michael, de 94 anos, tido como um dos nomes mais influentes e respeitados da literatura israelita, a ser traduzido em Portugal, numa altura em que Israel volta a estar nas notícias pela saída de Benjamin Netanyahu do poder, após 12 de governação, substituído por um novo governo de coligação, e pelo recente reacendimento do conflito com a Palestina, desencadeado pela ameaça de despejo de famílias palestinianas por colonos israelitas.

Este romance, que chega hoje às livrarias, ganhando pela primeira vez uma tradução em língua portuguesa, traz à luz as complexas relações entre cristãos, judeus e muçulmanos, homens e mulheres, transportando o leitor para os meses que precederam o conflito israelo-árabe no Líbano, em 1982.

Ao mesmo tempo, recupera uma história clássica de amor impossível, entre pessoas separadas por crenças, tradição e guerra, descreve a editora.

Sami Michael é considerado “o escritor pioneiro que deu voz aos oprimidos em Israel” - como escreveu o jornal israelita Haaretz -, conhecido por abordar nos seus romances as aspirações e as lutas de judeus e árabes.

Desde 2001, Sami Michael é o presidente da Associação de Direitos Civis em Israel e foi um dos primeiros naquele país a pedir a criação de um estado palestiniano independente, para existir ao lado de Israel.

Em "Um Trompete no Uádi", uma das suas obras mais traduzidas, e já adaptada ao teatro e ao cinema, o autor explora uma história de amor entre um imigrante judeu russo e uma mulher árabe, em Israel.

Huda vive num pequeno prédio no Uádi de Haifa, o quarteirão árabe dessa cidade costeira no norte de Israel e um microcosmo de intrigas, sonhos e convivência entre vizinhos de diversas proveniências.

Com ela, moram o avô, Elias, patriarca da família, Um-Huda, a sua mãe, e a irmã mais nova, Maria.

Criadas sem pai numa casa cristã árabe, Huda e Maria estão ligadas por um amor profundo, apesar das suas personalidades e aparências completamente opostas: a primeira, magra e tímida, tendo desistido de casar há alguns anos, resignou-se a uma vida pacata e monótona; a segunda é voluptuosa, alegre e avessa a qualquer emprego.

A vida de todos é subitamente abalada pela chegada de um novo vizinho, um jovem imigrante russo judeu que passa as suas noites a tocar trompete, cujo som acaba por enlevar Huda e fazê-la redescobrir uma paixão e ânimo que julgava extintos.

Maria, por seu lado, vê-se envolvida num perigoso triângulo amoroso com o irascível e impetuoso filho do dono do prédio e o seu primo, que vive fora da cidade, nos campos limítrofes.

Adaptado ao palco cinco vezes em Israel, o romance ganhou uma versão cinematográfica em 2001, que recebeu vários prémios: primeiro Prémio no Festival Internacional de Cinema de Haifa, Prémio da Fundação de Cultura de Haifa, Prémio da Academia Israelita para Melhor Drama, Primeiro Prémio no Festival de Cinema para Histórias de Amor na Rússia, e Melhor Ator no Festival de Genebra (Alexander Senderovich).

Até agora, esta obra estava traduzida para inglês, holandês, alemão, francês, italiano, persa e chinês.

Sami Michael nasceu em Bagdade, no Iraque, em 1926. Com 15 anos, em oposição ao regime opressivo que dominava à época o seu país, juntou-se a um grupo comunista de luta clandestina, vendo-se depois obrigado a fugir para o Irão e, posteriormente, para Israel, em 1948, onde se estabeleceu.

Estudou Literatura Árabe e Psicologia na Universidade de Haifa, tendo trabalhado como hidrologista durante 25 anos, maioritariamente na fronteira síria.

O seu primeiro romance, “Shavim ve-Shavim Yoter” (“Todos os Homens são iguais – Mas alguns são mais”, em tradução livre), foi publicado em 1974, dando início a uma longa e conceituada carreira.

Michael é autor de romances, ensaios, livros infantis e peças de teatro. Entre as suas obras mais traduzidas destacam-se, além de “Um trompete no Uádi”, os romances “Refuge” (1977) e “Viktoria” (1993).

Pela sua atividade de escritor, o seu empenho em prol da paz, dos direitos humanos e da justiça, Sami Michael recebeu inúmeras distinções e prémios, entre as quais se contam o Israel Prize for Literature e o President's Prize for Lifetime Achievement.

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