“Temos um programa para o CPN [Centro de Produção do Norte], de cinco milhões de euros de investimento, dos quais já realizámos um milhão e meio nos últimos 18 meses, recuperando um equipamento de analógico para digital, um carro satélite, novas régies, com novas mesas de mistura, com a continuidade da RTP3 que é feita no Norte a migrar para HD, com investimentos muito significativos em câmaras, em régies e equipamento de edição”, declarou o presidente do Conselho de Administração da RTP, Gonçalo Reis, durante uma audição da Comissão de Cultura e Comunicação no parlamento, sobre os planos urbanísticos projetados para os terrenos do CPN.

Questionado pelo deputado Jorge Costa, do Bloco de Esquerda, para que fossem esclarecidos os contornos do projeto da RTP para o futuro dos terrenos da empresa pública no Monte da Virgem que terão sido entregues na Câmara de Gaia e ainda esclarecimentos sobre a “expansão do CPN”, Gonçalo Reis reiterou que há um “plano de investimento e de aumento de capacidade produtiva.

“Esse é o nosso plano da RTP. Nós vamos ter melhores estúdios, mais atualizados, com mais capacidade”, declarou.

O deputado bloquista questionou ainda o responsável sobre a alegada intenção da RTP de querer alienar “dois terços dos terrenos no Monte da Virgem”, mas Gonçalo Reis negou que sejam dois terços de terrenos para alienar, observando que não deu entrada qualquer projeto de requalificação na Câmara de Vila Nova de Gaia.

“Não deu nenhuma entrada na Câmara Municipal de Gaia de nenhum projeto de requalificação. Nós estamos a trabalhar com a Câmara Municipal em projetos possíveis de aumento, porque se nós vamos construir novos estúdios, isso tem de ser falado com a câmara. Se nós vamos melhorar os espaços comuns, isso tem de ser falado com a câmara”, declarou, assumindo que “não corresponde à verdade”.

“O senhor deputado falou na alienação de dois terços de do terreno. Não corresponde à verdade. O senhor deputado falou na demolição de equipamentos centrais, nós vamos ter um estúdio muito melhor, porque o famoso estúdio C é um estúdio com décadas, com patologias graves, é um estúdio sem capacidades em termos de acessibilidades – e não é aceitável que uma empresa como a RTP em 2020 tenha equipamentos e estúdios que não são adequados às pessoas com necessidades especiais –, portanto o nosso projeto é um projeto de investimento”, referiu.

Segundo Gonçalo Reis, a atual administração da RTP tem dado “todos os passos” para aumentar o peso e a contribuição positiva do Centro de Produção do Norte.

“Foi a minha primeira administração que corrigiu a política errada da anterior administração de desertificação do Norte, quando passou o programa icónico Praça da Alegria para o Sul (…). Corrigimos isso tudo. Voltámos a fazer a Praça da Alegria a partir de outubro de 2015 no Norte e voltamos a fazer internamente”, recordou na audição parlamentar.

Durante a audição, que durou mais de duas horas, Gonçalo Reis pediu a Hugo Figueiredo, da sua equipa na RTP, para apresentar o projeto de aumento de capacidade para o CPN, designadamente nas “áreas sobrantes” e “terrenos em eucaliptal”, e “em declive e que não são aproveitadas há décadas”, sublinhando que o plano está “incluído no Plano de Atividades” e que é para submeter ao acionista – Estado – que é quem tem “sempre a última palavra”.

“A RTP não distribui dividendos”, declarou Hugo Figueiredo, garantindo que a empresa utilizará as verbas da alienação dos ativos não produtivos para “financiar a expansão da sua atividade do audiovisual”, designadamente estúdios, edifícios de régies, armazéns, edifícios dedicados à produção, parque de estacionamento para os trabalhadores, cantinas, entre outros.

Segundo Hugo Figueiredo, o cenário mais provável, porque “há vários cenários em cima da mesa”, implica a alienação de uma parte direita do terreno, de quem está virado da rua principal, e consequente demolição do estúdio C, com a recuperação e ampliação dos estúdios existentes”.

Hugo Figueiredo referiu que os “estúdio A1 e A2”, que têm 150 metros quadrados cada um, “não são estúdios há décadas”.

São “armazéns” com “umas luzes montadas, antigas, onde se fazem programas, para os quais se tem de levar tudo para lá”, e nem sequer têm régies, afirmou.

O plano é transformar esses estúdios, que representam cerca de 300 metros quadrados e que têm de ser demolidos, e acrescentar mais cerca de “250 metros quadrados para fazer o tal estúdio de 550 metros quadrados que é virtualmente equivalente ao estúdio C em termos da sua dimensão, mas incomparavelmente melhor, porque terá valências mais modernas de iluminação, segurança.

O plano mais provável prevê também, segundo Hugo Figueiredo, a construção de um “estúdio novo de 158 metros quadrados para produções intermédias”, um estúdio para informação que passa a ter 220 metros, ou seja, com mais 70 metros quadrados do que atualmente, um armazém, uma nova régie com 80 metros quadrados, arrumos.

Segundo Hugo Figueiredo, o CPN mantém ainda a capacidade de expansão em pelo menos “mais três mil metros quadrados na zona esquerda do terreno”.

Na audição, Gonçalo Reis recordou que o atual Conselho de Administração da RTP aumentou o investimento global de “maneira sistemática”, repondo a RTP em níveis de investimento e tecnologia “muito significativos”.

“A média dos investimentos dos anos anteriores era de 2,5 milhões de euros e nós duplicamos para cinco milhões de euros o investimento em tecnologia. Todos os anos, todos os cinco anos. No último ano aumentámos 38% para 6,1 milhões de euros, portanto temos vindo a investir em tecnologia, em capacidade produtiva, em estúdios, em equipamentos de edição, em câmaras, em equipamentos virtuais, em meios de exterior. Muito investimento em tecnologia no global”, declarou.

Questionado pelos deputados do PCP, PS, PSD e BE sobre a venda de um terreno da RTP em Miramar, em Vila Nova de Gaia, Gonçalo Reis afirmou que a RTP quer ter “boas instalações” e “bem mantidas”.

“A RTP deve fazer uma gestão prudente do património e todo o património que não esteja afeto à atividade produtiva, tudo o que sejam terrenos desativados há décadas, devem ser racionalizados”, declarou, lembrando que todos os processos estão inscritos no Plano de Atividades com “toda a transparência”.

O presidente do Conselho de Administração da RTP disse ainda sobre o terreno de Miramar que receberam “oito propostas” e a melhor proposta obtida correspondeu ao “triplo do valor do mercado e contabilístico”.

A RTP tem o dever de “alienar um bem que não é utilizado quando obtém pelo mercado um valor que é três vezes o seu valor de mercado e valor contabilístico. Tudo isto foi muito bem feito”, concluiu.

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