Estávamos em 2005 quando o muito tatuado Michael Scofield, um astuto engenheiro civil, era intencionalmente detido para tentar retirar o irmão, Lincoln Burrows, da mesma penitenciária - na qual se encontrava com uma condenação à morte por um crime que não tinha cometido.

Doze anos depois, ao fim de quatro temporadas, um dos fenómenos televisivos mais emblemáticos das últimas duas décadas ganha nova vida e esse embalo também inclui a personagem de Wentworth Miller, dada como morta no final da quarta época, em 2009.

Desta vez, "Prison Break" arranca com a notícia de que afinal Michael está preso, cabendo ao irmão retirá-lo da cadeia. A inversão da premissa que explica parte do sucesso da série não é nova, uma vez que o arranque da terceira temporada também contou com o protagonista encarcerado, então numa prisão do Panamá. Mas parece ser o "back to basics" possível, ou talvez apenas suficiente, para ressuscitar a saga numa altura em que as sequelas, reboots e remakes estão na ordem do dia, tanto no pequeno como no grande ecrã.

Como em equipa que ganha não se mexe, com os dois irmãos voltam também as principais figuras que os acompanharam, quase todas desde o início da série: Sara Tancredi (Sarah Wayne Callies), que agora tem um filho de Michael; Fernando Sucre (Amaury Nolasco), ainda o espirituoso melhor amigo do protagonista; Theodore "T-Bag" Bagwell (Robert Knepper), o psicopata que todos amam odiar (ou odeiam amar?); o ex-sargento do exército Benjamin Miles "C-Note" Franklin (Rockmond Dunbar) e os agentes Paul Kellerman (Paul Adelstein) e Donald Self (Michael Rapaport).

Viver e morrer em "Prison Break"

O regresso de Michael à vida, depois de aparentemente ter sido assassinado no final da temporada anterior, não é a primeira finta à morte de "Prison Break". A manobra já tinha envolvido Sara Tancredi, quando Paul Scheuring, criador da série, cedeu aos inúmeros lamentos dos fãs e trouxe de volta a personagem na quarta época, depois de ter dado a sua morte como certa.

Prison Break

Embora muitos adeptos tenham agradecido o gesto, outros também apontaram, na altura, a quebra da suspensão da descrença e do sentido de risco de uma série que triunfava precisamente pela forma como geria o suspense no fio da navalha, com exemplo maior nos cliffhangers quase obrigatórios no final de cada episódio - sobretudo durante as duas primeiras temporadas, as mais seguidas pelo público e mais elogiadas pela crítica.

Agora, a FOX promete uma explicação "lógica e credível" tanto para o facto de Michael estar vivo como para o reencontro dos seus aliados e antagonistas. Ainda assim, as primeiras reações da imprensa aos novos capítulos, que começaram a chegar à televisão norte-americana na noite da passada terça-feira, não são especialmente entusiastas. A Entertainment Weekly aponta a ausência de "ideias frescas e desafios interessantes", o Hollywood Reporter assinala o "ritmo lento e a narrativa pouco verosímil", a CNN compara o resultado a um reencontro de colegas de liceu no qual não há muito a dizer. Já o site Roger Ebert louva uma série que não tem medo de abraçar o lado mais ridículo da sua premissa, defendendo-a como a proposta ideal depois de um dia de trabalho.

Talvez a antecipar esta divisão de opiniões, sobretudo quando hoje a oferta de séries (e de plataformas que as disponibilizam) é muito mais vasta do que há dez anos, a FOX propõe um regresso prudente q.b.. Em vez dos mais de 20 episódios das temporadas anteriores (excetuando a terceira, que teve 13), a nova conta apenas com nove capítulos. Mas muito provavelmente deixam a porta aberta para novas detenções e fugas, caso as artimanhas de Scofield voltem a prender tantos ao pequeno ecrã como as primeiras escapadelas.

A quinta temporada de "Prison Break" estreia esta quarta-feira, às 22h15, na FOX, menos de 24 horas depois da estreia nos EUA.

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