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As duas temporadas de "Vice Principals" estão disponíveis através da HBO Portugal.
Crítica da Daniel Antero.
Os criadores de "Vice Principals", Jody Hill e Danny McBride (sim, o ator, argumentista e comediante), são sinónimo de comédia negra e imatura. Com guiões repletos de egoísmo e inveja, a segunda e última temporada (foi projetada como um projeto finito) tem tudo para nos deixar embaraçados e com um sorriso desconfortável na cara.
Porque é isso que esta série nos faz. Deixa-nos a rir de cenas cruéis, obscenas e faz-nos sentir culpados por gostarmos de seres humanos execráveis como Neal Gamby (Danny McBride) e Lee Russel (Walton Goggins, das séries "The Shield" e "Justified").
São vários os temas que resvalam para fora do aceitável... racismo e violência são tratados de forma completamente desbocada. Se na primeira temporada, nesta era "trumpiana," vimos dois homens brancos a fazer a vida difícil à "Principal" Brown, uma mulher negra... nesta segunda arrancamos com o gancho inesperado do último episódio: Gamby foi alvejado na escola e deixado às portas da morte.
Assim se avança para assuntos sensíveis para as hordes americanas, que aqui são enxovalhadas com uma certa glorificação de maus comportamentos, subjugação e abuso de poder. Sem qualquer tipo de consequências para os nossos bons/maus da fita.
Então, entre um plano para desvendar o atacante de Gamby e as pérfidas acções de Russel para se manter na cadeira de diretor do liceu, esta série de nove episódios deixa o registo juvenil escolar de John Hughes presente na primeira temporada para se encostar ao ar de vingança de um Brian De Palma, como referiram Danny McBride e Walton Goggins, que não renegam a oportunidade de ter o realizador David Gordon Green ("Alta Pedrada", "Stronger - A Força de Viver", o recente "Halloween") atrás das câmaras a distorcer a perspetiva das suas personalidades.
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Nesta segunda temporada, Gamby procura aproximar-se de todos, fazendo-nos até acreditar que quer mudar: dá aulas de substituição; ajuda, à sua maneira, na reintegração de um antigo aluno; tenta reconquistar a professora Snodgrass, mas mesmo “não querendo” ... cai na lábia de Ms Abbott (Edi Patterson), a professora de castelhano. Pelo contrário, Russel vê a vida mudar à sua volta: o pai falece, a esposa deixa-o e os professores viram-se contra ele.
"Vice Principals" está num patamar irascível do seu "bromance", com situações como o sofrimento de Gamby, que em convalescença após o ataque rapidamente se passa a aproveitar da incapacidade, cravando a atenção de todos; ou o discurso de Russel no funeral do pai, que com um conteúdo enaltecedor da vida entre pai e filho está na verdade a mandar uma cuspidela no caixão e nos presentes.
Com os dois juntos, venha o diabo e escolha: como já foi escrito, o Diabo é Russel e Gamby o seu lacaio, ambos figuras que se apoiam na mentira e na sua própria moralidade egoísta, humilhando todos os professores e alunos da escola.
Mais tóxicos e mais ambiciosos, sempre de humor corrosivo, em que um mata, o outro esfola, mas nunca nos deixando esquecer: afinal, quem tentou assassinar Gamby?
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