É um filme pós-apocalíptico que se passa entre o futuro e o presente e conta com nomes de peso no elenco, como Chris Pratt ("Guardiões da Galáxia", "Mundo Jurássico"), J. K. Simmons ("Whiplash", "Juno", "Homem-Aranha") e Yvonne Strahovski ("The Handmaid's Tale"). Na cadeira de realizador está Chris McKay, habituado às longas-metragens de animação, depois de ter dirigido "Lego Batman: O Filme", e que aqui se estreia na realização de um filme de imagem real.

"A Guerra do Amanhã" assiste a um mundo em colapso quando um grupo de viajantes no tempo chega do ano de 2051 para entregar uma mensagem urgente: trinta anos no futuro a Humanidade está a perder uma guerra global contra uma mortífera espécie extraterrestre e a única esperança de sobrevivência é transportar os soldados e civis do presente para o futuro para se juntarem à luta.

Entre os recrutados está o professor de liceu e homem de família, Dan Forester (Chris Pratt). Determinado a salvar o mundo para a sua jovem filha, Dan junta-se a uma equipa de cientistas brilhantes (Yvonne Strahovski) e ao seu pai (J.K. Simmons) numa desesperada busca para reescrever o destino do planeta.

"A Guerra do Amanhã", inicialmente do estúdio Paramount e com estreia prevista no cinema, acabou por ser comprado pela Amazon e chega esta sexta-feira ao seu serviço Amazon Prime Video, como mais um filme de grande orçamento e potencial de popularidade a ter estreia direta no streaming. O SAPO Mag esteve na conferência de imprensa virtual de apresentação, que juntou elenco e realizador para saber tudo sobre este salto no futuro para salvar o mundo.

J.K. Simmons em
J.K. Simmons em "The Tomorrow War"

"O importante para mim nos guiões era a ideia do que é que devemos ao futuro. O que é que devemos ao mundo? Como é que tornamos o mundo num lugar melhor? Foi isso que me fez querer fazer o projeto", explica o realizador Chris McKay durante a conversa.

"Há sempre uma história humana nos filmes que quero fazer. Ter um filme de ficção científica original que possa ter uma dimensão épica disso e interpretações incríveis com um elenco fantástico, mas que também tenha esse lado e dê que pensar, era isso que eu queria fazer. O guião deste filme com este elenco e esta equipa foi verdadeiramente uma dádiva", acrescentou.

No filme, todas as pessoas recrutadas para irem ajudar no futuro têm mais de 30 anos, algo que difere da maioria dos filmes de guerra que conhecemos. "É interessante. Na nossa História de recrutamentos, se estivermos a falar da Segunda Guerra Mundial ou do Vietname, vimos filmes em que miúdos de 18, 19 anos são atirados para a frente de batalha. São apenas crianças forçadas a tornarem-se homens. É uma relação diferente quando se é adulto", explica o protagonista do filme, Chris Pratt.

"Eles estão a recrutar um grupo de pessoas que estarão mortas em 2051. Espero que não seja um spoiler, mas se for, bem, não é um spoiler assim tão grande", deixa escapar o ator, entre risos.

"Estamos a lidar com pessoas que estão a tomar decisões de vida baseadas não na vida que poderiam ter, mas sim no mundo que estão a deixar para os seus filhos".

"Estamos a lidar com pessoas que estão a tomar decisões de vida baseadas não na vida que poderiam ter, mas sim no mundo que estão a deixar para os seus filhos. A minha personagem, o Dan, está a fazer isso porque se ele não for, eles vão levar a sua mulher no seu lugar. Isto é algo que ele tem que fazer para proteger a sua família e para proteger a sua filha. É um tema diferente pensar em alguém a ser afastado dos seus filhos, em vez de filhos a serem afastados dos seus pais", explica Chris Pratt.

"Há muito tempo queria fazer algo com a ideia de alistamento. A ideia de não se tratar necessariamente de uma ideologia ou patriotismo ou lealdade para com um país, mas literalmente sobre o desejo de salvar os próprios filhos. Quem é capaz de não se alistar para isso?", sublinhou o argumentista Zach Dean.

The Tomorrow War

Para lá da batalha pela Humanidade e dos ataques alienígenas, "A Guerra do Amanhã" foca um drama familiar entre a personagem de Chris Pratt e de Betty Gilpin, que interpreta a sua mulher, mas também a relação problemática de Dan com o seu pai James, a quem dá corpo J.K. Simmons.

"Quando li o guião, vi o micro e o macro. Há cenas muito bonitas de família com a personagem do Chris em casa com a Betty e a sua filha. Quando vemos um vislumbre do pai afastado que interpreto pela primeira vez... acho que há um caminho que vale a pena percorrer nessa história. Foi muito bom poder juntar esta pequena imagem com a gigantesca dimensão de 'vamos salvar o mundo ou não?", confessa J.K. Simmons.

"Há uma referência a 'Do Céu Caiu uma Estrela' no início do filme. Tematicamente, temos algumas semelhanças com o filme. O Dan é um tipo que não está feliz com a sua posição na vida e o curso dos acontecimentos e tem um relacionamento afastado com o pai e culpa-o por todos os seus problemas. Ao longo da história, ele percebe que tem mais semelhanças do que achava com o seu pai e acaba por aceitá-lo e perdoá-lo. Esse é um momento crucial que surge na idade adulta, acho", acrescenta Chris Pratt.

O realizador Chris McKay, aqui a estrear-se na realização de uma longa-metragem de imagem real depois de uma vasta experiência no mundo da animação, conta que o seu passado ajudou neste projeto:"há muitas coisas que fazemos na animação que ajudam a preparar-nos para o que precisávamos de fazer em 'A Guerra do Amanhã'. Tudo começa com storyboards. Fizemos um storyboard em animatic [um storyboard animado] para quase tudo o que fizemos. Queríamos criar no filme situações em que a espontaneidade pudesse acontecer e estas versões iniciais deram-nos uma base sólida".

Muitas cenas de ação, um filme muito físico

Yvonne Strahovski em
Yvonne Strahovski em "The Tomorrow War"

Chris Pratt, já habituado a cenas físicas intensas nos filmes do Universo Cinematográfico Marvel e na saga "Mundo Jurássico", volta em "A Guerra do Amanhã" às cenas de ação complexas. Há uma cena em particular de um salto para o futuro mal calculado com soldados a voar do céu para cair numa piscina que ficou na memória do ator.

"Quando fazemos esse salto para 2051, caímos do céu em Miami para uma piscina. Tivemos que fazer muito trabalho árduo na água e foi muito divertido. Precisámos de saltar de uma prancha alta que montámos numa empilhadora para a água. A câmara seguiu-nos e tivemos duplos a cair em cima de nós, para nos forçar a submergir. Toda a cena levou provavelmente dois ou três dias a filmar, mas foi muito divertido, muito físico", descreve o ator.

O filme recorre também a muito trabalho de efeitos visuais com os os extraterrestres, o que obrigou os atores a filmar várias cenas em cenários virtuais. Menos habituada a estas lides, a atriz Yvonne Strahovski, cujo papel mais célebre é o de Serena na série "The Handmaid's Tale", achou o processo "fascinante". "Acho que foi a primeira vez que tive contracenar com algo que não estava lá. No início isso é um pouco estranho mas no final, achei tudo muito libertador porque estamos livres para criar a ação e o lado físico do que está a acontecer e tudo é construído mais tarde com base no que eu fiz. Fiquei muito impressionada com a capacidade do Chris Pratt contracenar com um tentáculo inexistente", explica a atriz, entre risos.

"A Guerra do Amanhã" chega esta sexta-feira à Amazon Prime Video.

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