Alguns dias após considerar a Netflix uma "moda passageira" que não faz filmes a sério, Christopher Nolan volta a insistir na sua defesa da forma tradicional de ver cinema: numa sala com outros espectadores.

Em Nova Iorque, num debate após uma sessão especial de épico de guerra "Dunkirk", o seu trabalho mais recente, o realizador admitiu que raramente usa o serviço de streaming para ver filmes em casa: quando as vendas do formato estão em crise, Nolan diz que prefere o Blu-ray.

Numa entrevista em separado, foi ainda mais longe na sua opinião negativa sobre as atuais tendências.

"A Netflix tem uma aversão bizarra a apoiar filmes nas salas de cinema. Eles têm esta política insensata de tudo ser simultaneamente a estrear e lançado em streaming, o que obviamente é um modelo insustentável para a estreia nos cinemas. Portanto, eles nem sequer entram na competição e acho que estão a perder uma grande oportunidade", disse ao IndieWire.

Nolan ainda disse que a Amazon, que lança os seus filmes nas salas antes de os disponibilizar aos clientes, não pode ser colocado no mesmo grupo da Netflix neste tema.

"Podemos ver que a Amazon está claramente muito feliz por não fazer o mesmo erro. As salas têm uma janela de 90 dias [antes de os filmes ficarem disponíveis noutras plataformas]. É um modelo perfeitamente prático. É formidável", defendeu.

O realizador também não se mostrou impressionado pelo facto de a Netflix dar um orçamento maior e liberdade criativa a grandes realizadores, tendo no festival de Cannes duas produções: "Okja", de Bong Joon Ho, e "The Meyerowitz Stories", de Noah Baumbach.

"Acho que o investimento que a Netflix está a colocar em cineastas interessantes e em projetos interessantes seria mais admirável se não estivesse a ser usado numa espécie de influência bizarra para fechar salas de cinema. É tão descabido. Realmente não percebo", salientou.

Christopher Nolan também diz que este debate não começou com a Netflix: "Crescei nos anos 80, quando nasceu o cinema em casa. O nosso pior pesadelo nos anos 90 como um cineasta era o estúdio aparecer e dizer 'Sabem que mais? Vamos lançar o filme no vídeo e não nas salas.' Estavam sempre a fazer isso. Não há nada de novo".

"Se a Netflix tiver feito um grande filme, devem colocá-lo nas salas. Porque não? Coloquem-no em streaming 90 dias depois", concluiu.

"Dunkirk" já está em exibição nas salas de cinema portuguesas.

Trailer.

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