Os exibidores portugueses de cinema consideraram hoje “uma trapalhada” e “um desnorte total” a divulgação das normas da Direção-Geral de Saúde (DGS) para aceder a eventos culturais.

“Trapalhada é algo que se adequa. Estas alterações implicam um esforço imenso das empresas, é preciso passar a informação a centenas de trabalhadores e isto é feito com uma leveza que, sinceramente, me custa a entender”, afirmou à Lusa o exibidor Paulo Aguiar, da exibidora UCI Cinemas.

Para Paulo Aguiar, da direção da Associação Portuguesa de Empresas Cinematográficas (APEC), é incompreensível o nível de restrições imposto aos cinemas, tendo em conta que Portugal tem uma elevada taxa de vacinação.

“As exibidoras estão a fazer os ajustes necessários para cumprir, mas por vezes parece que, num setor que movimenta mais de 15 milhões de pessoas [espectadores, nas estatísticas pré-pandemia], estamos a tratar como a mercearia da esquina, que tem cinco ou seis pessoas”, lamentou Paulo Aguiar.

A DGS admitiu hoje um “lapso” na divulgação das orientações sobre realização de eventos culturais – que abrangem as exibições de cinema -, esclarecendo que até ao dia 2 de janeiro se mantém a exigência de comprovativo de teste à COVID-19 ou a realização de autoteste.

Na terça-feira, a norma da DGS indicava que o acesso a eventos culturais poderia ser feito com teste negativo ou com certificado digital de vacinação.

Hoje, a DGS retifica dizendo que, “entre os dias 25 de dezembro e 2 de janeiro, o acesso a eventos de natureza cultural implica a apresentação de um comprovativo de realização laboratorial de teste ou a realização de teste rápido de antigénio na modalidade de autoteste (colheita nasal)”.

“O que aconteceu ontem revela um desnorte total. Aquilo não é lapso. Alguém decidiu uma coisa e depois decidiu fazer diferente”, criticou, à Lusa, o exibidor António Costa, da Medeia Filmes, que explora o cinema Nimas, em Lisboa.

António Costa considera que “os cinemas são mais seguros que os restaurantes” e que, por isso, a exibidora irá cumprir as regras exatamente como as que são aplicadas aos restaurantes, no período definido pelo governo, até 2 de janeiro.

“Não pode haver dois pesos e duas medidas. Estamos a exigir um tratamento igual ao que têm os restaurantes”, disse.

Segundo a DGS, o acesso a restaurantes nos dias 30 e 31 de dezembro e a 1 de janeiro depende da apresentação de resultado negativo de teste à COVID-19, ou autoteste feito à entrada.

Nas redes sociais, em resposta a comentários de espectadores, a Medeia Filmes explica que “observará as mesmas medidas de acesso às salas que são exigidas a outros espaços equivalentes” e que dentro da sala de cinema é obrigatório o uso de máscara.

“Alterações a isto violam a Constituição. Não podemos reger-nos por normas que não respeitam os direitos fundamentais, que não respeitam o princípio da igualdade”, afirma a exibidora.

Com o aumento recente de casos de infeção no país, Paulo Aguiar espera que as exibidoras não sejam obrigadas novamente a fechar portas.

“Era assumir uma falha total. As exibidoras têm feito um esforço de manter as salas abertas e cumprir o que lhes é exigido”, disse.

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