A descrição é do diretor artístico do certame de Espinho, que define essa obra como "um grande filme sobre a cultura ‘grunge’ dos anos 1990" e a considera "rara e invulgar" pela forma como "combina um triângulo amoroso com uma história de crime", através de vários saltos cronológicos no decorrer da narrativa.

"O filme ainda não foi comprado para o circuito comercial português, mas tem tido um sucesso brutal no circuito de festivais e já é um novo marco do cinema ‘indie' dos Estados Unidos por várias razões", declara à Lusa Fernando Vasquez.

A primeira é o facto de o seu enredo se situar na década de 1990, em que o movimento ‘grunge’ e uma estética marcada "por ambientes depressivos, pelo nevoeiro e por ambientes cinzentos e chuvosos" acabaram por influenciar significativamente as gerações mais novas, "mesmo aquelas como a do realizador do filme, que ainda era criança nesse período".

O próprio título da longa-metragem - que se pode traduzir para "Como tu és" e alude a um dos temas mais célebres dos Nirvana, banda de culto da época - faz referência ao músico Kurt Cobain, cuja morte representa, aliás, "um momento de viragem na história do filme".

Outro fator a que Fernando Vasquez atribui o sucesso da obra de Joris-Peyrafitte - já premiada com o Prémio Especial do Júri no Festival de Sundance, nos Estados Unidos - é a sua abordagem "discreta" à sexualidade gay e bi, abordada enquanto consequência da fase de descoberta sexual e emocional da adolescência.

De todos esses aspetos resulta o que o diretor artístico do FEST considera "um filme impressionantemente maduro para um realizador de apenas 23 anos", sobretudo quando se tem em conta que o projeto "teve um orçamento muito ‘low budget' [de baixo custo]".

"Estamos a falar de uma realização super-competente a nível técnico, com uma fotografia muito bem pensada e uma edição muito inteligente", resume Fernando Vasquez. "É realmente um grande filme de um realizador ainda muito jovem e só a começar", afirma.

"As you are" está em exibição esta quinta-feira à noite no auditório do Centro Multimeios de Espinho, no âmbito da secção competitiva da 13.ª edição do FEST.

Miles Joris-Peyrafitte assina a realização do filme, assim como a coautoria do argumento, escrito em parceria com Madison Harrison, e ainda a banda-sonora da obra - que Fernando Vasquez também elogia por preterir a discografia dos anos 1990 em favor da contemporânea.

Com fotografia de Caleb Heymann, edição de Abbi Jutkowitz e com os atores Owen Campbell, Charlie Heaton e Amandla Stenberg como protagonistas, o filme foi premiado em 2016 no Festival de Sundance - referência internacional do cinema independente - por incorporar o que o júri descreveu como "o espírito de independência" que o evento representa.

"Também é um filme que regista a chegada de um realizador estreante e audaz que domina a sua arte. Encontramos muito que admirar nesta impressionante reformulação da narrativa tradicional de chegada à idade adulta e aguardaremos ansiosos o próximo encontro entre este criador e a sua visão", justificou o júri do Sundance ao atribuir o prémio.

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