TRAGAM-ME A CABEÇA DE CARMEN M."

O realizador Felipe Bragança tinha interligado um episódio histórico (a guerra do Paraguai) com gangues de "motards" e dramas indígenas em "Não Devore o meu Coração". Em "Tragam-me a Cabeça de Carmen M.", ele associa-se a Catarina Wallenstein para uma abordagem igualmente alegórica, mas num sentido mais globalizante, da História do Brasil.

Composto de trechos interligados mais por motivos filosóficos ou simbólicos, o filme apresenta a atriz portuguesa a deambular pela memória - particularmente recriando alguns emblemas de Carmen Miranda, nascida em Portugal mas tornada um dos grandes ícones populares do Brasil e de Hollywood.

A realidade política contemporânea do Brasil sobrevoa o filme, isso enquanto o atual presidente era ainda uma sombria hipótese de um país que viria a ser entregue ao populismo. Por estas alturas, incendiava-se o Museu Nacional e os tiros do narcotráfico confundiam-se com o estrépito dos fogos de artifício...

A certa altura, uma personagem diz que o Brasil de hoje "só é possível enquanto piada ou enquanto autópsia" - uma sentença como que a ilustrar o ambiente distópico de um país que parece pôr em dúvida o seu futuro.

SOU AUTOR DO MEU NOME MIA COUTO

Por ares mais amenos e formatos menos experimentais circula Solveig Nordlund, que depois de obras sobre escritores como António Lobo Antunes, Marguerite Duras e J. G. Ballard, acompanha Mia Couto pelas suas memórias em Moçambique. Este relembra o passado colonial do país, o tema do racismo e descreve as tragédias de uma aparentemente infindável guerra civil iniciada com a descolonização e que viria durar 16 anos.

A gozar de uma celebridade ímpar nas ruas, onde é frequentemente parado para "selfies" por transeuntes contentes, também explica que é ouvindo estas pessoas nas ruas que ele inventa as suas próprias histórias...

SO PRETTY

A Competição segue com esta obra do nova-iorquino Jessie Jeffrey Dunn Rovinelli, uma cineasta e atriz transgénero cujo segundo filme estreou na Fórum do Festival de Berlim.

Num registo aparentado ao docudrama, a obra narra os acontecimentos ligados a um grupo LGBT que resiste aos ataques da extrema-direita.

Paralelamente, a vivência neste universo de protesto e busca libertária conecta-se com os escritos reais do escritor alemão Ronald M. Shernikau, que planeava nos anos 80 uma história para uma banda desenhada que nunca chegou a ser filmada.

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