A informação foi adiantada à agência Lusa pelo produtor, Diogo Machado, que se interessou pela “história ao estilo português do desenrasca, insólita”, de António Reis, João Poupada, Jorge Magalhães, João Pires e Rogério Bernardes, emigrantes no Canadá e ex-atletas olímpicos numa modalidade que em Portugal não se pratica e é relativamente desconhecida.

Os cinco portugueses, quatro deles estudantes na altura e todos atletas de outras modalidades, ambicionaram estar nos Jogos Olímpicos que iam decorrer no país de acolhimento e, depois de muitas peripécias, conseguiram estar na competição com as cores lusas vestidas e a utilizar trenós alugados.

O grupo acabou por rasgar um caminho inóspito, num desporto dispendioso, e de uma miragem transformou o sonho em realidade, jornada que chamou a atenção da produtora PawkPawkPawk, de Santo Tirso.

“Queremos contar a jornada épica do herói que consegue ultrapassar todas as adversidades e chegar ao seu auge, neste caso os Jogos Olímpicos. É uma mensagem de que é possível derrubar obstáculos e, em conjunto, alcançar algo maior, levar uma ideia até ao fim”, antecipou, em declarações à agência Lusa, Diogo Machado, segundo o qual o projeto está ainda “numa fase embrionária”.

O quinto filme do realizador Dinis Machado encontra-se em período de desenvolvimento até ao final de 2022, para a “angariação de financiamento, parcerias, construção da base e da produção”, embora o produtor garanta que mesmo que candidaturas apresentadas para o efeito não sejam aprovadas, “o filme será feito”, em parceria com equipas no Canadá.

Diogo Machado prevê que a rodagem só comece no final de 2022 ou no início de 2023, para a película ser lançada em 2024.

António Reis, um dos protagonistas da história, disse que se alguém lhe contasse o que ele fez com os quatro colegas como ideia para um filme, “diria que é inverosímil”.

“É uma história que nos transcende, maior do que nós, e tivemos orgulho de a viver”, vincou.

O consultor em marketing e antigo assessor político e publicitário afirmou ter ficado “supercontente” ao saber do interesse da produtora, por entender que “é uma história que merece ser contada”.

“É uma história tipicamente portuguesa, de improviso, de emigrantes, de aventura, de ir contra o vento e chegar lá. Tenho orgulho de a poder contar”, frisou, à Lusa, António Reis, natural de Avintes, Gaia, agora com 65 anos.

O ex-atleta olímpico, campeão de futebol americano e de remo, que se entusiasmou pelo desporto praticado num trenó com lâminas, no qual se desce uma pista de gelo sinuosa e íngreme a alta velocidade, depois de lhe ser dado balanço com a corrida, desafiou depois quatro outros portugueses com preparação física, três estudantes universitários e um ainda no liceu, para embarcarem “na aventura” olímpica.

“Isto é o português que se atreve e faz. É a história de Portugal, um país de aventureiros. Metaforicamente, representa o que somos, o ser português”, sintetizou, à agência Lusa, António Reis, na altura com 31 anos, o mais velho dos cinco.

Diogo Machado adiantou que o filme se vai basear em testemunhos na primeira pessoa, embora ainda não tenha a garantia da participação de todos os antigos atletas, e prevê filmar nos locais onde treinaram, também em Calgary, e recorrer a imagens de arquivo, para as contratar com as atuais, assim como dar uma ideia do que é o bobsleigh e o que representou na altura a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Inverno, até hoje a mais numerosa de sempre.

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