Os preparativos aproximam-se do fim: a grande noite dos Óscares acontece já este domingo em Los Angeles (a partir da uma da manhã de segunda-feira em Lisboa), transmitida pela RTP e com acompanhamento especial e ao minuto no SAPO Mag e em www.sapo.pt.

Óscares: veja aqui a lista completa de vencedores
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Após a cerimónia "socialmente distante" na Union Station do ano passado que bateu o mínimo histórico de 10,4 milhões de espectadores nos EUA, o regresso à casa tradicional do Dolby Theatre acontece sob a grande pressão de subir as audiências e restaurar o brilho dos filmes e o glamour das estrelas que existiam antes da pandemia.

Ou quase: todos os convidados terão de provar estar vacinados e terem pelo menos dois testes negativos, com exceção dos apresentadores e artistas que vão atuar, que apenas serão testados.

Além disso, por razões de segurança, o Dolby Theatre vai receber apenas 2500 convidados em vez de 3300 e os cerca de 1460 lugares ao nível das duas plateias do andar térreo serão reduzidos para 600, onde estarão nomeados e os seus convidados, apresentadores e artistas, que não precisarão de usar máscara (mas os 212 nas secções mais próximas do palco ficarão sentados com mais espaço de distância). As bancadas superiores da sala irão receber todos os outros convidados, que terão de usar máscara.

Luís Sequeira

As principais atenções da 94.ª cerimónia estarão em filmes como "O Poder do Cão", "Dune", "CODA", "Belfast", "West Side Story" ou "King Richard", mas para os portugueses há um interesse muito especial: quatro anos após a estreia com "A Forma da Água", o luso-canadiano Luís Sequeira volta a estar nomeado na categoria de Melhor Guarda-Roupa, por "Nightmare Alley", outra colaboração com o realizador Guillermo del Toro.

Em entrevista à Lusa pouco depois de serem conhecidas as nomeações, o designer disse que a segunda nomeação era uma “responsabilidade enorme” pois estava a sentir muita pressão enquanto português para levar a estatueta para casa, mas o favoritismo inclina-se para a lendária britânica Jenny Beavan por "Cruella", que já ganhou com filmes tão diferentes como "Quarto Com Vista Sobre a Cidade" (1985) e "Mad Max: Estrada da Fúria" (2015).

Como será a cerimónia?

Para atrair audiências, a Academia, o canal ABC e os produtores apostam no entretenimento ao mesmo tempo que se homenageiam os nomeados e vencedores... e não querer ultrapassar as três horas de duração.

Para isso, a entrega de prémios em oito categorias será uma hora antes da cerimónia televisiva começar, mas a avaliar pelas reações negativas do interior da indústria e as acusações à Academia de dividir os profissionais entre artistas de primeira e segunda classe (com pelo menos a demissão de um votante pelo meio), haverá mais resistência organizada para que esta experiência não se torne a regra.

O entretenimento também fez com que, após três anos de ausência, regressasse a figura do anfitrião. Ou melhor, será um trio de anfitriãs pela primeira vez nos Óscares: as comediantes Amy Schumer, Wanda Sykes e Regina Hall vão distribuir-se por segmentos de uma hora "para atrair um público mais amplo e dividir a fardo de conduzir a emissão".

Amy Schumer, Wanda Sykes e Regina Hall

Ao longo dos últimos dias, a Academia foi divulgando o elenco diversificado de apresentadores para conquistar o público: Halle Bailey, Stephanie Beatriz, Josh Brolin, Ruth E. Carter, Sean “Diddy” Combs, Kevin Costner, Jamie Lee Curtis, DJ Khaled, Jacob Elordi, Jennifer Garner, Jake Gyllenhaal, Woody Harrelson, H.E.R., Tiffany Haddish, Tony Hawk, Anthony Hopkins, Daniel Kaluuya, Samuel L. Jackson, Lady Gaga, Lily James, Zoë Kravitz, Mila Kunis, John Leguizamo, Simu Liu, Rami Malek, Shawn Mendes, Jason Momoa, Bill Murray, Lupita Nyong’o, Elliot Page, Rosie Perez, Chris Rock, Jill Scott, Naomi Scott, Tyler Perry, Tracee Ellis Ross, J.K. Simmons, Kelly Slater, Wesley Snipes, Uma Thurman, John Travolta, Shaun White, Serena Williams, Venus Williams, Yuh-Jung Youn e Rachel Zegler.

Nas atrações musicais, Beyoncé, Billie Eilish, Finneas, Reba McEntire e Sebastian Yatra vão interpretar quatro das cinco canções nomeadas (a ausência é a de Van Morrison pelo tema de "Belfast") e o elenco de "Encanto" também se irá juntar para a primeira atuação ao vivo do grande sucesso que se tornou o tema "We Don't Talk About Bruno".

A não perder também deverá ser as homenagens evocativas dos 60 anos da saga James Bond e do 50.º aniversário da estreia do Óscar de Melhor Filme "O Padrinho".

No centro da atualidade mundial, a cerimónia não deverá passar ao lado da guerra da Ucrânia: adivinha-se qual o papel de Mila Kunis como apresentadora (a atriz viveu os primeiros sete anos no país e fala a língua fluentemente), mas Amy Schumer deixou no ar que foi rejeitada a sua ideia de convidar o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky para participar, por satélite ou através de uma mensagem previamente gravada.

"Acho que sem dúvida que existe pressão de uma forma para isto ser tipo 'Isto são uma diversão, deixem as pessoas esquecer, só queremos ter esta noite', mas é como 'Bem, temos tantos olhos e ouvidos neste espetáculo'. Acho que é uma grande oportunidade para, pelo menos, falar de algumas coisas. Tenho algumas piadas que, de certa forma, abordam a situação atual", explicou no início da semana no programa de Drew Barrymore.

"Não tenho medo de ir por aí, mas não sou eu que estou a produzir os Óscares", acrescentou.

Melhor Filme: "O Poder do Cão" já não é o favorito?

O Poder do Cão

Em 2021, os estúdios lançaram mais filmes para o grande ecrã do que no ano passado, mas também continuaram a fazê-los chegar mais depressa às plataformas de streaming. E apesar de os cinemas não terem voltado a encerrar no totalidade por causa da pandemia, muitos espectadores ainda não regressaram, deixando um rasto de desilusão nas bilheteiras para a maioria dos nomeados para as estatuetas douradas: o único sucesso digno desse nome é "Dune", que arrecadou 400 milhões de dólares em todo o mundo, mais do dobro da receita da soma dos outros nove nomeados para Melhor Filme.

Nestas circunstâncias, os Óscares voltam a ser dominados por filmes dos estúdios lançados nos cinemas que a maioria das pessoas só viu (se viu) em casa e os produzidos pelas plataformas de streaming. E a vitória das segundas nunca esteve tão próxima...

Com 12 nomeações, a lista é liderada pela produção da Netflix "O Poder do Cão", de Jane Campion, a única que está praticamente em todas as categorias mediáticas: Filme, Realização, Ator Principal (Benedict Cumberbatch), Atores Secundários (Kodi Smit-McPhee e Jesse Plemons), Atriz Secundária (Kirsten Dunst) e Argumento Adaptado, além de Fotografia, Montagem, Direção Artística, Banda Sonora e Som.

No ano em que voltaram a ser dez os nomeados para Melhor Filme, seguem-se "Dune - Duna", com dez nomeações, "West Side Story" e "Belfast" com sete, mais uma do que "King Richard: Para Além do Jogo". A lista completa-se com "Não Olhem Para Cima", "Nightmare Alley - Beco das Almas Perdidas" e o japonês "Drive my Car", todos com quatro nomeações, mais uma do que "Licorice Pizza" e "CODA - No Ritmo do Coração".

Rodagem de "O Poder do Cão": Benedict Cumberbatch com Jane Campion

Desde a sua pródiga estreia mundial no Festival de Cinema de Veneza em setembro, o 'western' de Jane Campion sobre masculinidade tóxica no Oeste americano na década de 1920 tornou-se o grande favorito, acumulando mais de 250 prémios.

Após o prémio da respetiva associação profissional, que alinhou com a Academia 65 vezes em 73, o Óscar de Melhor Realização parece seguro e será o segundo consecutivo para uma mulher após o de Chloé Zhao por "Nomadland". Mas a caminhada que parecia triunfal para Melhor Filme sofreu um revés gigantesco no último fim de semana, quando "CODA - No Ritmo do Coração" juntou o prémio de Melhor Argumento Adaptado da Associação de Argumentistas com o de Melhor Filme da estratégica Associação de Produtores, que coincidiu 22 em 32 vezes com as estatuetas douradas.

"CODA - No Ritmo do Coração"

Após a surpresa do prémio para o elenco nos prémios da associação de atores americanos no fim de fevereiro e o favoritismo de Troy Kotsur para Melhor Ator Secundário, as duas vitórias (quando ainda decorria a votação para os Óscares) confirmaram que é mesmo verdadeira a popularidade no interior da indústria do filme da realizadora Siân Heder que custou uns modestos 10 milhões de dólares.

Centrado numa adolescente que é a única na sua família que não é surda dividida entre sair de casa para seguir o sonho de ser cantora e ajudar os pais a comunicar com o mundo exterior, com um elenco de atores surdos (com destaque evidente para a vencedora de um Óscar Marlee Matlin) e que desenvolve boa parte dos diálogos na língua gestual, esta versão da produção francesa "A Família Bélier" (2014) é considerada um marco de inclusão e tornou-se o favorito sentimental: o filme que a Apple TV+ teve de comprar por uns astronómicos 25 milhões de dólares depois de causar sensação no Festival de Sundance é a Cinderela da temporada ou, no mínimo, o "underdog".

Entre "O Poder do Cão" e "CODA", a vitória seria para uma plataforma de streaming e um feito histórico que quebraria um tabu dentro da Academia: a avaliar pela limitada exibição e receitas de bilheteira irrisórias, qualquer um deles será o Melhor Filme menos visto numa sala de cinema em 94 anos dos Óscares.

"Belfast"

Mas os analistas da temporada de prémios analisam tendências e estatísticas, criam teorias: por exemplo, se o setor anti-streaming dentro da Academia ainda for relevante, o consenso é que o filme de estúdio que mais pode beneficiar é o também sentimental "Belfast", o semiautobiográfico trabalho a preto e branco de Kenneth Branagh que mostra a explosão da violência na década de 1960 na Irlanda do Norte através da perspetiva de um miúdo de nove anos.

Existe uma certeza: seguindo a tendência dos últimos anos, os mais de nove mil membros da Academia não deverão atribuir muitas estatuetas ao vencedor: o último "papa-Óscares" foi "Quem Quer Ser Bilionário?" (2008), com oito estatuetas, e o único que se aproximou a seguir foi "Estado de Guerra" (2009), com seis. A média tem sido três-quatro prémios.

Veja-se "O Poder do Cão": apesar das doze nomeações, dificilmente poderá aspirar mais do que às vitórias em Argumento Adaptado e Fotografia para juntar às de Melhor Filme e Realização.

Se o Melhor Filme for "CODA", o mais provável é que faça o pleno e tenha três: Ator Secundário e Argumento Adaptado. E dada a concorrência, uma vitória de "Belfast" podia ficar pelas duas estatuetas: só parece ter hipóteses em Melhor Argumento Adaptado.

"Dune - Duna"

"Dune" é um caso diferente: Dennis Villeneuve pode ter falhado a corrida para Melhor Realização, mas o consenso é que o filme deverá dominar nas categorias técnicas e ser o mais premiado da noite, com quatro estatuetas vistas como seguras (Banda Sonora, Design de Produção, Som Efeitos Visuais e Som) e mais duas prováveis (Montagem e Fotografia).

Óscares: onde podemos ver os dez nomeados para Melhor Filme?
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Mas sem qualquer favoritismo para Melhor Filme, o mais provável é que faça a companhia a "Gravidade" (2013), que teve sete estatuetas, e "Max Max: Estrada da Fúria" (2015) e "La La Land: Melodia de Amor" (2016), ambos com seis.

Segundo as tendências dos prémios das associações da indústria, Globos de Ouro e Critic´s Choice, os outros nomeados não têm qualquer hipótese na corrida principal: uma estatueta é o que podem ambicionar "West Side Story" (Atriz Secundária), "King Richard: Para Além do Jogo" (Ator Principal) e "Drive my Car" (Filme Internacional); podem surpreender "Licorice Pizza" (Argumento Original para Paul Thomas Anderson, nomeado 11 vezes na carreira e ainda sem nada) e "Não Olhem Para Cima" (Montagem); sem nada deverá ficar "Nightmare Alley".

Nos atores, só há dúvidas para Melhor Atriz

Will Smith, Troy Kotsur e Ariana DeBose

Tudo às claras: apesar das habituais campanhas de promoção terem ficado prejudicadas pela redução de eventos presenciais durante parte da temporada por causa da variante Ómicron e o boicote de Hollywood à cerimónia dos Globos de Ouro, existem três favoritos arrasadores em quatro possíveis nas categorias de interpretação.

Sempre na liderança desde que saíram as primeiras reações a "King Richard", uma derrota de Will Smith em Melhor Ator será um terramoto igual ao que aconteceu no ano passado quando Anthony Hopkins ganhou a Chadwick Boseman.

Se existir, o terramoto virá de Andrew Garfield ("tick, tick... BOOM!), que se multiplicou em entrevistas e foi muito elogiado pelos outros dois filmes em que entrou no ano passado ("Os Olhos de Tammy Faye" e um certa produção sobre super-heróis que bateu recordes de bilheteira) ou de Benedict Cumberbatch ("O Poder do Cão"), não de Javier Bardem ("Os Ricardos") ou Denzel Washington ("A Tragédia de Macbeth").

Para Ator Secundário, o melhor é não apostar contra Troy Kotsur ("CODA"), apesar dos muitos elogios ao veterano Ciarán Hinds ("Belfast") ou ao jovem Kodi Smit-McPhee ("O Poder do Cão"), que será prejudicado pela divisão de votos com o colega Jesse Plemons. Já J.K. Simmons ("Os Ricardos"), que ganhou nesta categoria com "Whiplash - Nos Limites" em 2014, o único discurso que fará será o de "é uma honra ter sido nomeado" para os jornalistas.

A interpretação de Anita em "West Side Story" certamente vai valer a Ariana DeBose a estatueta de Melhor Atriz Secundária, tal como aconteceu com Rita Moreno na primeira versão do musical há 60 anos. A antiga estrela de "Hamilton" ganhou mais de 20 prémios, o que deixa pouco espaço para as outras nomeadas: Jessie Buckley ("A Filha Perdida"), Aunjanue Ellis ("King Richard"), Kirsten Dunst ("O Poder do Cão") e Judi Dench ("Belfast").

Jessica Chastain em "Os Olhos de Tammy Faye"

A única categoria onde parece existir incerteza é a de Melhor Atriz pois Jessica Chastain ("Os Olhos de Tammy Faye") emergiu tardiamente como favorita, só com os prémios da associação dos atores e da Critics' Choice.

Existem argumentos para não excluir nenhuma das outras nomeadas: são muitos os elogios a Nicole Kidman ("Os Ricardos") e Kristen Stewart ("Spencer") pela interpretação de pessoas reais (uma grande tentação dos Óscares); Penélope Cruz ("Mães Paralelas") tem um dos melhores desempenhos da carreira e é num filme de Pedro Almodóvar, podendo beneficiar dos votos do contingente internacional da Academia (representam 25%); e como se viu pelos dois Óscares recentes para Frances McDormand, nem Olivia Colman ("A Filha Perdida") pode ser descartada, apesar de ter ganho nesta categoria com "A Favorita" em 2019.

Todos os atores nomeados: os que já ganharam e os estreantes na corrida

Embora não estejam entre os favoritos, existe a curiosidade invulgar de dois casais de atores estarem nomeados, aumentando para sete as vezes que isso aconteceu em 94 anos das estatuetas: Penélope Cruz e Javier Bardem por um lado, Kirsten Dunst e Jesse Plemons por outro (estes nomeados pelo mesmo filme, o que só tinha acontecido com Alfred Lunt e Lynn Fontanne ("The Guardsman") em 1931, e Elizabeth Taylor e Richard Burton em "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?", de 1966).

E noutras categorias...

Drive My Car

Dois anos após o sucesso de "Parasitas" da Coreia do Sul ter provado que as legendas não são mais um obstáculo, "Drive My Car" foi aplaudido pelos cinéfilos e ganhou dezenas de prémios da crítica: é o vencedor "antecipado" na categoria de Melhor Filme Internacional.

Realizado por Ryusuke Hamaguchi e com duas horas e 59 minutos, trata-se de uma meditação lenta e subtil sobre o luto e a perda, adaptada de um conto do escritor Haruki Murakami: as quatro nomeações (Melhor Filme, Filme Internacional, Realização e Argumento Adaptado), um recorde para o cinema japonês, confirmam ainda o poder do cada vez mais influente núcleo de votantes internacionais da Academia.

O mesmo se pode dizer em relação ao dinamarquês “Flee – A Fuga”, de Jonas Poher Rasmussen, a história verídica de um homem que, à beira do casamento, partilha pela primeira vez o seu passado de refugiado do Afeganistão: pela primeira vez na história dos Óscares, um filme foi nomeado em simultâneo para Melhor Longa-Metragem de Animação, Melhor Filme Internacional e Melhor Documentário de Longa-Metragem.

Flee - A Fuga

Apesar do feito histórico, parece ter o caminho bloqueado para a vitória: além da concorrência de "Drive my Car" em Filme Internacional, "Summer of Soul (...Ou, Quando a Revolução Não Pôde ser Televisionada)" tem o favoritismo em Documentário de Longa-Metragem.

A maior esperança para "Flee" pode ser em Longa-Metragem de Animação, beneficiando do peso do contingente internacional da Academia e uma divisão de votos entre "Encanto" (o favorito), "Os Mitchell Contra as Máquinas" e "Luca". Muito improvável, mas não é impossível: as três nomeações confirmam que existe muita admiração pelo filme.

Além do já referido domínio esperado de "Dune" nas categorias técnicas, um momento mediático da cerimónia deverá ser o do anúncio da Melhor Canção: nunca se deve apostar contra James Bond e, com apenas 20 anos, Billie Eilish deve ganhar o Óscar juntamente com o irmão Finneas O'Connell por "007: Sem tempo Para Morrer".

As controvérsias

Rachel Zegler ('West Side Story')

Óscares sem controvérsia não são Óscares e a maior deste ano está relacionada com o objetivo de não passar as três horas de emissão e tornar a cerimónia mais "dinâmica": oito categorias foram relegadas para uma hora antes da cerimónia começar e depois editar as imagens durante a emissão.

"Para priorizar os telespectadores" e dar mais tempo para as apresentações musicais, quadros de comédia e homenagens, como destacou a comunicação do presidente da Academia David Rubin a 22 de fevereiro, são afetadas Montagem, Banda Sonora, Direção Artística, Caracterização, Som e as Curtas (ação real, animação e documentário), mas foi prometido que os discursos seriam transmitidos em direto por streaming no site Oscar.com e nas redes sociais.

Ao contrário do que aconteceu com uma primeira tentativa para a cerimónia de 2019, a Academia e o canal ABC não recuaram na decisão, apesar das reações negativas das associações profissionais e a pressão de abaixos-assinados e de muitos pesos-pesado da indústria (James Cameron, Steven Spielberg, Jane Campion, Jessica Chastain, etc., etc.), mas não se pense que é o fim da história: os opositores só esperam para ver o resultado da experiência deste ano para organizarem uma resistência mais eficaz para o ano que vem.

"Homem-Aranha: Sem Volta a Casa"

Outra inovação alvo de críticas foi a iniciativa #OscarsFanFavorite que juntou Academia e Twitter, vista como uma tentativa "engenhosa" que recuperar o espírito da categoria do "Óscar do Filme Mais Popular", proposta pela Academia para 2019 e retirada depois de fortes críticas, e um prémio de consolação para "Homem-Aranha: Sem Volta a Casa" e o seu gigantesco sucesso de bilheteira: para gerar mais entusiasmo pela cerimónia, os fãs (americanos) foram desafiados a votar nos seus filmes preferidos de 2021 (independentemente de terem sido ou não nomeados) e cenas da história do cinema, com os "vencedores" a serem revelados durante a cerimónia.

Durante a votação, a intenção da Academia pareceu "descarrilar" quando os fãs de Camila Cabello e Johnny Depp começaram a fazer uma campanha gigantesca para favorecer a nova versão de "Cinderella" da Amazon com a cantora e o filme "Minimata", mas segundo a revista Variety, "Homem-Aranha" era o claro favorito para ganhar.

A última controvérsia foi uma semana antes da cerimónia: no domingo passado, Rachel Zegler, a estrela-revelação da nova versão do musical "West Side Story", nomeado para sete Óscares, disse que ia assistir à cerimónia de "calças de treino e a camisola de flanela do meu namorado" no sofá da sua casa em Londres depois de fracassarem todas as suas tentativas para conseguir um convite.

Assim se ficou a saber o impacto da lotação mais reduzida no Dolby Theatre: os nomeados e apresentadores têm automaticamente direito a convite, mas todos as outras pessoas, mesmo atores dos filmes mais nomeados, não têm presença garantida. E, pelos vistos, Rachel Zegler nem teve sorte com os convites atribuídos aos estúdios: no caso de "West Side Story", a Disney.

Mas os fãs reagiram com indignação à sua ausência, que aumentou quando a Academia divulgou na segunda-feira mais uma lista de apresentadores onde, entre nomes como Bill Murray e Jennifer Garner, apareciam o produtor de música DJ Khaled e... as lendas dos desportos radicais Kelly Slater (surf), Tony Hawk (skate) e Shaun White (snowboard).

A polémica até envolveu o veterano ator Russ Tamblyn, que entrou na versão do musical de 1961 e escreveu à Academia: "Como um membro votante e o Riff original, deixem-me dizer: o vosso dever é encontrar um lugar nos Óscares para a Rachel. É isto que significa quando se fala que é importante existir representatividade. Por favor, façam o que é correto por ela".

Na terça-feira, deu-se o volte-face: a Academia convidou a atriz para ser apresentadora e a Disney ajustou o plano de rodagem de "Branca de Neve e os Sete Anões" para permitir a sua viagem até Los Angeles.

SAPO com cobertura especial dos Óscares

A Caminho dos Óscares - Destaque

Para o dia 27 de março o SAPO preparou uma cobertura especial dos Óscares, que começará logo na manhã de domingo com uma série de conteúdos de antevisão e prosseguirá pela madrugada dentro (de domingo para segunda-feira) com acompanhamento ao minuto a partir das 22h30, atualização de todos os vencedores e análise dos principais acontecimentos, da passadeira vermelha até à cerimónia. Tudo isto, numa área especial dedicada ao tema no SAPO Mag e em www.sapo.pt.

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