“Fazia falta olhar para o tipo de espectadores que queremos [no cinema] (…). E recuperar estes espectadores para o cinema faz-se desde o início, com miúdos, que cada vez mais têm ofertas televisivas, cheias de séries que se repetem”, afirmou, em conferência de imprensa, Miguel Valverde, da direção do IndieJúnior.

Segundo o responsável, há atualmente uma “profusão de imagens” difundidas pela televisão que faz com que haja necessidade de dar “outro tipo de experiência às crianças”.

“Mesmo as longas-metragens que estreiam atualmente no cinema, sejam da Disney ou da Pixar, estão formatadas para um certo modelo”, disse, e a curta-metragem “é tão diferente e pode ter tantas possibilidades que faz com que, na prática, as crianças possam descobrir coisas que não descobririam de outra maneira, e cada filme pode ser como uma espécie de uma aventura, quase como uma brincadeira que se descobre e se redescobre”.

Miguel Valverde disse que pretende que o público-alvo, mas também adultos, “encontrem referências” neste IndieJúnior e que essas “valham para o futuro”, porque o objetivo é não limitar uma sessão de cinema a um ecrã, mas fazer com que, depois, em casa, o filme continue a ser abordado.

O evento, que conta com o apoio da Allianz (que também dá nome ao festival) e da Câmara do Porto (com a cedência de espaços), vai decorrer na Biblioteca Almeida Garrett, que acolherá sessões destinadas a escolas, no Rivoli, onde serão exibidos “Pequenos Grandes Clássicos” (como “E.T.”, “A Sombra do Caçador” e “Gremlins”), para além da programação infantil da competição, e no Cinema Trindade, onde “haverá também sessões infantis, mas também a competição das longa-metragens”, explicou o diretor.

O festival terá também a sessão “O Meu Primeiro Filme”, iniciativa “retrospetiva” na qual serão exibidos os primeiros filmes vistos no cinema pelo presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, e pela artista plástica e fotógrafa Rita Castro Neves, entre outras personalidades.

Quanto à competição, haverá uma sessão para curtas-metragens e outra para longas-metragens, de vários géneros (animação, ficção e documentários) e de produção recente.

As curtas-metragens serão apresentadas em programas divididos por faixas etárias (mais de três, mais de seis, mais de 10 e mais de 13 anos).

No total, disse Miguel Valverde, serão apresentadas cinco longas-metragens e 45 curtas-metragens, sendo que haverá três júris: um composto especificamente por crianças “de escolas que colaboram com a iniciativa”, que atribui o Prémio para Melhor Filme (5.000 euros), outro por profissionais da área, a quem compete escolher o “Grande Prémio Longa Metragem (1.250 euros) e outro do público, que irá atribuir o Prémio Escolha do Público (500 euros).

Paralelamente, segundo Carlos Ramos, também da direção do IndieJúnior, este festival contará outra atividades, designadamente oficinas que ligam “cinema e dança” e “som e cinema”, bem como “a Hora do Conto” e um debate/filme sobre ‘bullying’.

O diretor do Teatro Municipal do Porto, Tiago Guedes, congratulou-se com a realização deste festival na cidade, afirmando que é objetivo do Porto “recuperar a dinâmica ligada ao cinema” e prova disso é, por exemplo, a aposta da autarquia na abertura do Cinema Trindade e do Batalha, que pretende transformar em Casa de Cinema.

Já com “mais de dois mil alunos confirmados”, o festival tem bilhetes para sessões regulares a quatro euros, para sessões de escolas a um euro e para famílias (quatro pessoas) a 12 euros.

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