A cerimónia dos prémios norte-americanos de cinema e televisão Globos de Ouro voltará a ter transmissão televisiva, confirmaram esta terça-feira a Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood [HFPA, pela sigla original], a dick clark productions [dcp] e o canal NBC.

A 80.ª cerimónia terá lugar a 10 de janeiro de 2023, uma terça-feira e não num domingo, como era tradição. As nomeações para os prémios serão conhecidas a 12 de dezembro.

Tradicionalmente uma das maiores festas de Hollywood e a primeira da temporada de prémios da indústria do cinema, os Globos de Ouro de janeiro deste ano foram boicotados e praticamente ignorados por estrelas, estúdios e televisões na sequência de críticas de corrupção e falta de diversidade após uma investigação feita pelo jornal Los Angeles Times em fevereiro de 2021.

A cerimónia acabou por ser um evento privado de 100 minutos sem intervalos, que procurou destacar "o trabalho filantrópico de longa data" da HFPA, com representantes de organizações de beneficência a anunciarem os vencedores, posteriormente divulgados apenas nas redes sociais.

A lista foi liderada pelas produções "O Poder do Cão" (filmes de drama) e "West Side Story" (comédia ou musical), com os estúdios e cineastas premiados a evitarem comemorar publicamente.

O boicote motivou a HFPA a fazer uma profunda reforma nos últimos tempos, alterando procedimentos e códigos de conduta.

"Reconhecemos o empenho da HFPA nas atuais mudanças", destaca o comunicado da NBC, o que sugere que a organização dos Globos continua sob "vigilância".

Falta saber a reação de Hollywood, mas após não ter transmitido a cerimónia de 2022, a NBC destacou que o regresso "faz parte de um acordo válido por um ano, o que permite que a HFPA e a dcp explorem novas oportunidades de distribuição doméstica e global numa variedade de plataformas no futuro”.

Ou seja, está implícito que foi renegociado o acordo com a HFPA assinado em 2018 e que era válido até 2026, no valor de 60 milhões de dólares por ano, e a ligação da NBC com os Globos que começou em 1996 terminará com o evento de 2023.

Na semana passada, foi anunciado que o jornalista português Rui Pedro Tendinha será um dos os 103 novos votantes que vão poder selecionar os nomeados e os vencedores dos Globos, a primeira vez que a HFPA nomeou profissionais não-membros em nome da diversidade e do alargamento da assembleia de votantes.

"A inclusão de não-membros provenientes de mercados internacionais permite-nos aumentar mais rapidamente o número de votantes, preservar a nossa identidade internacional e manter o compromisso de agregar jornalistas qualificados e experientes do entretenimento", afirmou a presidente da associação, Helen Hoehne, em comunicado.

De acordo com a associação, os 103 novos votantes são de 62 países, dos quais 43,5% são da Europa, 18,5% da América Latina, 17% da Ásia, 9% do Médio Oriente e 7% de África.

"O nosso trabalho ainda não está terminado e continuaremos a escolher e a recrutar mais membros e votantes não-membros para aumentar, diversificar e fortalecer os Globos de Ouro e manter o caráter único internacional", afirmou o responsável pelo departamento de diversidade da associação, Neil Phillips, no comunicado sobre a revelação dos 103 novos votantes.

Antes, a HFPA contava com cerca de uma centena de membros, entre os quais os portugueses Rui Henriques Coimbra e Bárbara de Oliveira Pinto.

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