Michelle Williams recordou como se sentiu "paralisada em sensações de futilidade" ao descobrir que tinha recebido muito menos do que o colega Mark Wahlberg para refilmar cenas de "Todo o Dinheiro do Mundo".

A revelação foi feita esta terça-feira, o dia em que se assinalou nos EUA o dia simbólico pela igualdade salarial com uma conferência de imprensa no Capitólio em Washington.

O evento juntou ativistas de vários movimentos e membros da ala feminina do Partido Democrata na Câmara dos Representantes, que na semana passada aprovou o "Paycheck Fairness Act", uma proposta de lei que vai seguir para o Senado para diminuir a diferença salarial entre homens e mulheres que fazem o mesmo trabalho.

Quando Kevin Spacey foi acusado de assédio de menores na grande onda de revelações de escândalos sexuais que envolveu Hollywood desde outubro de 2017, Ridley Scott decidiu filmar novamente as suas cenas no filme com Christopher Plummer e cumprir a data anunciada para a estreia nas salas de cinema.... seis semanas mais tarde. Isso só foi possível com uma complexa coordenação de meios técnicos e artísticos, incluindo a disponibilidade das estrelas principais.

O que constou na altura é que só Plummer e a equipa técnica foram pagos, mas a realidade foi muito diferente: Mark Wahlberg negociou um pagamento adicional de 1,5 milhões [1,25 milhões de euros], enquanto Michelle Williams recebeu... 80 dólares por dia [66,8 euros].

A notícia de uma diferença salarial surgiu num primeiro artigo do Washington Post de 28 de novembro de 2017 e o facto de ter passado inicialmente despercebida foi a parte mais deprimente para a atriz.

"Ninguém quis saber. Isto não foi uma surpresa para mim, apenas reforçou a convicção que sempre tive de a igualdade não é um direito inalienável e que as mulheres iriam sempre trabalhar o mesmo para ganhar menos, ao mesmo tempo que assumem mais responsabilidades nas suas casas. Trabalho profissionalmente como atriz desde os 12 anos. Tenho sido reconhecida aos níveis mais elevados na minha indústria e isso ainda não se traduziu numa compensação igual e justa", explicou esta terça-feira.

A desigualdade de "Todo o Dinheiro do Mundo" apenas teve impacto quando uma amiga, a atriz Jessica Chastain, chamou a atenção para ela nas redes sociais.

"Ouvi dizer que ela ganhou 80 dólares por dia pelas refilmagens comparados com os MILHÕES dele. Alguém gostaria de clarificar? Espero realmente que, com tudo o que tem sido divulgado, ela tenha sido paga de forma justa. Ela é uma atriz brilhante e maravilhosa no filme".

"A audiência da Jessica era muito mais vasta do que a minha e ela não teve medo de pegar num megafone e ser ouvida", recordou.

"Ela foi ouvida, houve uma indignação e embaraço público na minha indústria que resultou numa doação de dois milhões de dólares para o fundo jurídico da Time´s Up", acrescentou a atriz que já foi quatro vezes nomeada para os Óscares.

De facto, Mark Wahlberg acabou por doar o seu salário adicional em nome da colega e a agência que representava os dois atores acrescentou mais 500 mil dólares. O assunto foi comentado por Jimmy Kimmel no monólogo inicial da cerimónia dos Óscares.

Michelle Williams nota que a sua vida na indústria se alterou desde essa altura: "Deu para perceber que o meu local de trabalho estava a mudar. Em vez de ser agarrada com muita força ou abraçada por demasiado tempo como saudação matinal, a minha mão foi apertada e fui olhada diretamente nos olhos."

E a propósito de "Fosse/Verdon", uma série sobre a relação entre o coreógrafo e realizador Bob Fosse (interpretado por Sam Rockwell) e a lendária dançarina Gwen Verdon, garantiu: "Tenho de vos dizer que, no trabalho que acabei há duas semanas, recebi o mesmo que o meu colega."

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