O aclamado realizador de cinema polaco Andrzej Wajda morreu este domingo em Varsóvia aos 90 anos de uma insuficiência pulmonar, anunciaram meios de comunicação do país.

A morte de Wajda, que deixa uma longa série de filmes célebres, inspirados na turbulenta história do seu país, foi noticiada pelo jornal Gazeta Wyborcza Daily e pela emissora de notícias privada TVN24. Um amigo da família, que pediu para ter sua identidade preservada, confirmou a morte em declarações à AFP.

Wajda estava internado há vários dias e em coma induzido devido a problemas pulmonares, acrescentaram as fontes.

O realizador, que celebrou 90 anos em março e ganhou o Óscar honorário no ano 2000 pelo conjunto da obra, voltou-se para o cinema após fracassar nos planos de se tornar militar. A par de Roman Polanski, era um dos mais venerados cineastas da Polónia.

A sua carreira estendeu-se por seis décadas e com o seu segundo filme, "Morrer como um Homem" (1957), sobre a resistência contra os invasores nazis, recebeu o Prémio Especial do Júri do Festival de Cannes.

Em 1977 assinou um dos seus trabalhos mais importantes, "O Homem de Mármore" (1977), uma crítica à Polónia comunista, e a sua sequela, "O Homem de Ferro" (1981, foto), que contava, quase em tempo real, a história do Movimento Solidariedade, o primeiro sindicato independente do bloco comunista, ganhou a Palma de Ouro de Cannes.

O seu último filme, “Afterimage”, sobre a vida do artista Wladyslaw Strzeminski, é o candidato da Polónia ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. É a nona vez que representa o seu país nesses prémios e por quatro foi nomeado: "Terra Prometida" (1975), "Mulheres" (1979), "O Homem de Ferro" e "Katyn" (2007).

Reagindo a esta notícia há apenas duas semanas, Andrzej Wajda acabou por fazer uma síntese da sua carreira: 'Estou comovido pelo respeito e confiança no meu recente trabalho que o comité polaco mostrou ao escolhê-lo para representar a Polónia nos Óscares. O filme é universal e com significado profundo agora para todos nós, que nos preocupamos com o desenvolvimento de acontecimentos políticos em muitos cantos do mundo. É de importância crucial recordar o passado triste para não o repetir no futuro'.

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