Pela primeira vez em 14 anos, um filme português integra a secção competiva do festival de Veneza.

"A Herdade", de Tiago Guedes, está na corrida ao Leão de Ouro, o prémio máximo do festival de cinema mais antigo do mundo (ganho o ano passado por "Roma", de Alfonso Cuarón), o que não acontecia desde "O Fatalista", de João Botelho (2005).

Na concorrência estarão filmes de realizadores como James Gray ("Ad Astra"), Hirokazu Kore-eda ("La Vérité"), Steven Soderbergh ("The Laundromat"), Roman Polanski ("J’Accuse"), Olivier Assayas ("Wasp Network"), Noah Baumbach ("Marriage Story"), Atom Egoyan ("Guest Of Honor"), Pablo Larrain ("Ema"), Haifaa Al-Mansour ("The Perfect Candidate") e Todd Phillips ("Joker").

A secção competitiva principal inclui ainda "About Endlessness", de Roy Andersson, "Gloria Mundi" (Robert Guediguian), "Waiting For The Barbarians" (Ciro Guerra) e "Saturday Fiction" (Lou Ye).

Co-produzido pela Alfama Films de Paulo Branco, "A Herdade" também integra a seleçcão Special Screenings, a de maior prestígio do Festival Internacional de Cinema de Toronto, que decorre entre 5 e 15 de setembro e é uma importante "monstra" para a temporada de prémios no mercado americano.

O filme conta a "saga de uma família proprietária de um dos maiores latifúndios da Europa, na margem sul do rio Tejo, fazendo o retrato da vida histórica, política, social e financeira de Portugal, dos anos 40, atravessando a revolução do 25 de Abril e até aos dias de hoje".

O elenco principal é composto por  Victoria Guerra, Albano Jerónimo, Sandra Faleiro, João Arrais e Miguel Borges. A estreia nas salas portuguesas está marcada para 19 de setembro.

VEJA O TRAILER "A HERDADE".

Também a nova curta-metragem de Leonor Teles vai ter estreia mundial no festival, confirmou a sua produtora em comunicado.

"Cães Que Ladram aos Pássaros" estará na secção competitiva Orizzonti Short Films Competition.

A história acompanha os dias de verão de uma família forçada a abandonar a sua casa no centro do Porto por força da especulação imobiliária.

"O filme toma uma cidade que não é a minha, um lugar que me é desconhecido e não me pertence. No entanto, não deixou de ser, por isso, menos pessoal que os filmes anteriores. A ligação que criei com a família que filmei mantém-se e parece ser essa a constante no meu trabalho: as pessoas e a minha relação com elas", afirma a realizadora, citada no comunicado.

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Depois de ter chamado à atenção com as curtas-metragens “Rhoma Acans” e “Balada de Um Batráquio” - que a transformou na mais jovem vencedora de sempre do Urso de Ouro, em Berlim - Leonor Teles iniciou-se na longa-metragem com “Terra Franca” que entre outros, recebeu o Prémio de Melhor Primeira Obra da Competição Internacional na 33.º Festival Internacional de Cine de Mar del Plata, da Argentina, e foi distinguida com o Prix de La Ville d’Amiens, no 38.º Festival International du Film d’Amiens, em França.

A presença nacional em Veneza inclui outra produção de Paulo Branco, o clássico “Francisca” (1981) de Manoel de Oliveira, que será apresentado numa nova versão restaurada pela Cinemateca Portuguesa na secção Venice Classics, na qual é apresentada “uma seleção das melhores versões restauradas de clássicos do cinema, da responsabilidade de arquivos de cinema, instituições culturais e produtoras de todo o mundo”.

A 76.ª edição abre oficialmente com "La Vérité", do japonês Hirokazu Kore-eda, protagonizado por Catherine Deneuve, Juliette Binoche e Ethan Hawke.

O cineasta espanhol Pedro Almodóvar vai receber o Leão de Ouro pela carreira.

* Notícia atualizada às 11h08.

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