A apresentação do filme, que contou com as participações do ator
Vítor Norte, no papel de Aristides de Sousa Mendes, e do produtor do filme,
José Mazeda, causou grande comoção entre o público cinéfilo de Jerusalém.

«O Cônsul de Bordéus» desenrola-se à volta do esforço humanitário, ainda relativamente desconhecido a nível internacional, do diplomata português
Aristides de Sousa Mendes para salvar as vidas da enorme onda de refugiados causados pela Segunda Guerra Mundial.

Contra as ordens do ditador português Oliveira Salazar, o diplomata resgatou várias dezenas de milhares de refugiados encurralados em Bordéus, em 1940, entre o regime nazi que avança pela Europa e uma Península Ibérica de portas fechadas ao drama da frente de guerra.

Devido à sua participação em
«O Cônsul de Bordéus», o ator
Vítor Norte diz ter aprendido neste filme em particular, «algo muito importante». «Na paz ou na Guerra, o amor pelo próximo acaba sempre por vencer», completou entre um forte aplauso.

Segundo o produtor José Mazeda, esta é uma história sobre o «cruzar das duas culturas, portuguesa e judia» protagonizada por um «grande humanista e o último grande herói português», razões pelas quais se diz ter sentido «motivado» a assinar a produção.

Tendo o esforço levado ao fim da sua própria carreira, estima-se que Sousa Mendes tenha atribuído cerca de 30 mil vistos a refugiados polacos, checos, belgas, entre outras proveniências europeias cuja maioria seria judia.

A sessão terminou com aplausos emocionados e o público não hesitou em esgotar as perguntas possíveis sobre a história, o protagonista e os destinos dos cerca de 30 mil refugiados salvos pelo herói português cujos últimos dias de vida foram passados na miséria, auxiliado pela caridade da comunidade judaica portuguesa.

Foram vários os elementos do público que se dirigiram ao ator, produtor e organizador da mostra, o adido cultural da Embaixada Portuguesa
Fernando Ferreira da Silva, para agradecer, elogiar o filme e desempenho de Vítor Norte, e trocar impressões sobre histórias pessoais e familiares de sobrevivência.

O filme, ainda sem data de estreia comercial em Portugal, foi exibido numa apresentação especial na Cinemateca da cidade que irá apresentar outros títulos portugueses como
«Assalto ao Santa Maria», de
Francisco Manso,
«Salazar - A Vida Privada», de
Jorge Queiroga,
«Cinco Dias, Cinco Noites» e
«Fascínio» de
José Fonseca e Costa.

A Semana de Cinema Português, cuja temática recai sobre «os mais negros dias da ditadura do Estado Novo de Oliveira Salazar» está a decorrer nas cidades de Telavive, Jerusalém e Haifa até ao dia 20 deste mês.

Violeta Moura - Agência Lusa

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