Inaugurado em 1973, o complexo de sete edifícios que compunha o
World Trade Center celebrizou-se no imaginário coletivo pelas duas gigantescas Torres Gémeas, destruídas nos ataques terroristas a Nova Iorque de 11 de Setembro de 2001. No cinema, as torres foram sempre presença assídua, desde logo porque se destacam pela sua altura na silhueta da cidade que nunca dorme, que tantas vezes a Sétima Arte registou.

Mas além dessas numerosíssimas aparições pontuais em pano de fundo, houve várias películas em que o World Trade Center teve efetivamente uma presença na narrativa. Uma das mais antigas deu-se logo em 1973, no musical
«Godspell», em que o elenco termina o número «All for the Best» na base do edifício, ainda em construção. Já em 1975, o World Trade Center surge já com papel de maior relevo no thriller
«Os Três Dias do Condor», onde serve de base à CIA, onde trabalha o protagonista encarnado por
Robert Redford.

Em 1977, o World Trade Center tem uma das suas presenças mais icónicas no cinema, na nova versão de
«King Kong». Desta vez, o gorila gigante à solta em Nova Iorque não subiu ao Empire State Building mas sim a uma das Torres Gémeas, saltando de seguida para a outra, onde é abatido pelos aviões. O cartaz do filme, com King Kong de uma dimensão desproporcionada em relação ao filme, com um pé em cada torre, tornou-se célebre. Pela mesma altura, e a reboque da promoção da película, foi lançado nos EUA o nipónico
«Godzilla vs Megalon», para o qual foi criado outro cartaz espetacular, com um monstro em cada torre, embora toda a ação do filme se passasse no Japão.

Ainda em 1978, a adaptação do musical de palco
«The Wiz», uma nova versão de «O Feiticeiro de Oz» com um elenco negro, chegou aos cinemas pela mão de
Sidney Lumet e protagonizado por
Diana Ross e
Michael Jackson. Com Oz como uma versão fantasiosa de Nova Iorque, o World Trade Center surge como o equivalente à Cidade Esmeralda, onde as personagens ambicionam chegar, com uma sequência espetacular filmada na Central Plaza em frente ao edifício com quatro centenas de dançarinos, certamente a mais cara e grandiosa alguma vez rodada no local. Aliás, a transmutação de Nova Iorque noutras cidades não tem sido invulgar, sendo o caso mais emblemático o dos filmes da saga
«Superman» protagonizados por
Christopher Reeve, passados na cidade imaginária de Metropolis mas recheados de imagens da Grande Macã, nomeadamente das Torres Gémeas.

A metrópole surgiu também alterada para efeitos de ficção científica no ano de 1981, no filme
«Nova Iorque 1997», de
John Carpenter, que apresenta uma Nova Iorque do futuro que se tornou uma prisão de segurança máxima, na qual se despenha um avião com o Presidente dos EUA. Snake Plissken, encarnado por
Kurt Russell, vai lá buscá-lo e entra lá dentro num planador, que aterra no topo das Torres Gémeas.

Claro que a dimensão dos edifícios, também os tornou propícios à destruição em filmes-catástrofe. O primeiro foi
«Meteoro», um «flop» de 1979 protagonizado por
Sean Connery, com um meteorito a destruir as Torres Gémeas. Em 1998, no filme
«Armageddon», as torres também não resistem à destruição de Nova Iorque por meteoritos, mas em
«Impacto Profundo», do mesmo ano, são as únicas estruturas de larga dimensão da cidade que parecem subsistir ao impacto de uma onda gigante. Em
«O Dia da Independência», dois anos antes, foi uma invasão alienígena que destruiu ao meio as duas torres.

A destruição do edifício por via do terrorismo, que se viria a tornar uma realidade, quase se concretizou no cinema: em 1982, no thriller
«O Homem das Lentes Mortais», com
Sean Connery, terroristas islâmicos ameaçaram detonar duas bombas em Nova Iorque caso o presidente não se demitisse, que acabaram por ser encontradas na base do World Trade Center.

Naturalmente que ao longo dos anos, foram vários os casos de filmes com personagens a entrar e sair do World Trade Center, e nem sempre das torres principais. A ação de
«Uma Mulher de Sucesso» (1988), por exemplo, decorre essencialmente na Torre 7, que também foi destruída nos atentados bombistas.

E como ninguém poderia adivinhar a tragédia que se abateria sobre os edifícios, há vários filmes que mostram Nova Iorque no futuro, após 2001, com as Torres Gémeas de pé. Isso sucede no fim de
«Freejack» (1992), que se passa em 2009, numa sequência de
«Matrix» (1999) na televisão, que mostra Nova Iorque dali a 200 anos, ou a meio de
«A.I. Inteligência Artificial», que estreou cerca de mês e meio antes da tragédia, no final de Junho de 2001, e tem uma sequência em que os protagonistas sobrevoam uma Nova Iorque submersa de 2142, em que as Torres ainda estão acima do nível do mar.

Um ano antes da estreia de
«Homem-Aranha», pouco antes da tragédia, saiu um «teaser» em que o herói detinha um helicóptero de assaltantes, prendendo a aeronave com as teias entre os dois edifícios. Após os atentados, o trailer foi retirado de circulação, bem como um primeiro cartaz em que o reflexo das Torres estava visível na máscara do protagonista.

Finalmente, e para além dos filmes de reconstituição e reflexão sobre os atentados, a utilização mais curiosa e intensa das próprias Torres Gémeas no cinema dos últimos anos deu-se com o filme
«Homem no Arame», que em 2009 ganhou o Óscar de Melhor Documentário de Longa-Metragem, e que reconstitui a travessia no arame que o acrobata Philippe Petit fez contra todas as regras entre as duas Torres no ano de 1974.

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