Quando o realizador Reinaldo Marcus Green decidiu fazer um filme sobre Bob Marley, o pai do reggae, o peso da responsabilidade falou mais alto, sobretudo pela estreia na Jamaica.

"A responsabilidade era tão grande que pensei que seria uma loucura envolver-me nisso", conta Green em entrevista à France-Presse.

"Os jamaicanos são duros, tipo 'Não te metas com o Bob!', mas, felizmente, deram-nos autorização. Foi um grande suspiro de alívio", revelou.

"Bob Marley: One Love", que estreia em Portugal esta quarta-feira (14), era um projeto apenas para corajosos. Oliver Stone fracassou na tentativa de filmar a primeira biografia desta lenda, que morreu de cancro aos 36 anos, no auge da fama.

No caso de Green, o realizador norte-americano teve a seu favor as suas grandes produções: "King Richard: Para Além do Jogo" (2021), em que Will Smith interpreta o pai das tenistas Venus e Serena Williams, e "Joe Bell: Você Nunca Andará Sozinho" (2020), uma história de 'bullying' escolar com Mark Wahlberg.

Nada pela metade

Lashana Lynch como Rita Marley e Kingsley Ben-Adir como Bob Marley

O cineasta contou com a colaboração da família Marley. O filme foi coproduzido pela viúva de Bob, Rita, e os seus filhos Ziggy e Cedella, bem como por Brad Pitt.

Foi o próprio Ziggy quem aprovou a escolha do ator britânico Kingsley Ben-Adir para interpretar o seu pai.

A produção retrata um período particularmente criativo, entre 1976 e 1978, quando Marley lançou o álbum "Exodus", que o tornou uma estrela mundial, mas também quando sofreu uma tentativa de homicídio e descobriu o cancro que, em pouco tempo, lhe tiraria a vida.

"Não é o meu rosto que vejo nesses cartazes. É a boa vontade e o amor com que Bob é recebido em todo o mundo. Bob tem esse poder", disse Ben-Adir, que já interpretou outras figura históricas, como Malcolm X ("Uma Noite em Miami") e Barack Obama ("The Comey Rule").

O ator de 37 anos aprendeu a cantar para o papel, e a sua voz é mesclada com gravações de Bob ao longo do filme. O desafio era manter a intensidade.

"Nunca vê o Bob a fazer algo pela metade, está sempre a dar tudo de si", afirmou.

'O General'

Kingsley Ben-Adir com o realizador Reinaldo Marcus Green

A produção esforça-se para mostrar todos os lados de Marley, que tinha entre amigos e familiares a reputação de duro (apelidado de "O General"), competitivo e "desumanamente determinado", mas também de ser doce e inocente como um miúdo, disse Ben-Adir.

"Todos têm esta ideia de Bob como um tipo feliz e gentil, mas não, ele não era perfeito. Mas a missão dele foi perfeita, e a sua música... não há nada igual", acrescentou.

A família não teve relutância em mostrar momentos difíceis, incluindo uma discussão acalorada em que Rita recordar a Marley o quanto ela fez para construir a sua carreira.

"Essa cena exigiu muito trabalho particular com a família. Tenho muito respeito por eles pela coragem em partilhar isso", disse o protagonista.

Green considerou crucial mostrar como Rita introduziu o pai do reggae à sua religião rastafári e o guiou na sua carreira e música.

"Rita deu-lhe um sentido de propósito. Ele era de Trenchtown – um lugar onde é fácil ser vítima das ruas", disse o realizador.

"Através da música e do rastafarianismo, ele conseguiu dar-nos a sua música, e a Rita foi a responsável pela introdução a essa fé profunda", declarou.

TRAILER LEGENDADO.

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