O que diabo é isso do Star Wars?

Para alguns é apenas um conjunto de filmes de aventuras, para outros é quase uma religião, para outros tantos ainda é um imenso ponto de interrogação traduzido num universo incompreensível que leva adultos a vestirem-se como crianças e a atafulharem a casa de bonecada da saga. Uma coisa é certa: é um verdadeiro fenómeno global e “Star Wars: O Despertar da Força” cativou não só os adultos que já conhecem o universo de trás para a frente como também crianças que nunca viram um único filme da saga. Mas de que é que falamos afinal quando falamos de “Star Wars”?

Se quisermos associar um género aos sete filmes da saga, talvez escolhessemos dizer que são verdadeiros épicos com elementos de western e de fitas de capa e espada injectados num universo de ficção científica. Há princesas, pistolas, duelos, dinastias, espadas, cavalgadas heróicas, naves espaciais, robôs e criaturas alienígenas, num enredo que mistura ciência e feitiçaria, vitórias esfuziantes e tragédias épicas, bons que passam a maus e maus que passam a bons, e relações de aprendizagem e ruptura entre pais e filhos e entre mestres e aprendizes. E claro, é preciso não esquecer a influência dos conto de fadas, bem marcada pela inscrição que abre cada filme:

“A long time ago, in a galaxy far, far away…”.

A paixão assolapada pelos filmes levou à criação, ao longo de quase 40 anos, de toda a uma série de derivados, que compõem o universo mais alargado de “Star Wars”, e que integram não só o mais variado merchandise como também séries televisivas de animação e livros em prosa e em BD, que amplificam o universo original.

A maioria dos apaixonados fica-se só pelos filmes, mas os mais fanáticos mergulham, com graus variáveis de intensidade, em todo o oceano de produtos e séries derivadas, num grau de devoção e dedicação superior ao de qualquer outro universo criado para o cinema. Por isso mesmo, este “Star Wars: O Despertar da Força”, o sétimo título da saga, foi provavelmente o filme com a estreia mais fanaticamente aguardada da história do cinema… ou pelo menos desde que “Star Wars: Episódio I: A Ameaça Fantasma” chegou às salas em 1999.

Mas porque é que o IV vem antes do I? A complicação dos Episódios

Star Wars

Vamos a ela, que ainda deixa muita gente de pé atrás e faz coçar a cabeça aos novos espectadores...

O primeiro filme da série, escrito e realizado por George Lucas, estreou em maio de 1977 e chamava-se apenas “Star Wars” (“A Guerra das Estrelas” entre nós). Para surpresa de praticamente toda a gente, tornou-se o maior sucesso da história do cinema até àquela data. Ora, a sequela não se fez esperar e estrearia logo em 1980, data em que o filme inicial foi reposto com a adição “Episódio IV: A Nova Esperança” no título (sim, fãs, não nos tínhamos enganado no título ali em cima) e no texto que surge inicialmente a contextualizar a ação.

O racional apresentado por Lucas para tal era o de que a série se inspirava nos “serials” de aventuras dos anos 30 e 40, apresentados em episódios numerados e muitas vezes com idêntico texto a amarinhar pelo ecrã acima no arranque da fita para explicar o que vinha atrás, ficando neste caso à imaginação do espectador a tarefa de preencher os detalhes do passado daquele universo galáctico.

Assim, nesse ano de 1980, estrearia “O Império Contra-Ataca”, o Episódio V, e em 1983 “O Regresso de Jedi”, correspondente ao Episódio VI. Já por essa altura, Lucas indicava que sempre tivera em mente uma saga em nove episódios e por isso, na década de 90, decidiu dedicar-se a recuar na cronologia e criar os Episódios I, II e III, que estreariam em 1999, 2002 e 2005 (a saber, “A Ameaça Fantasma”, “O Ataque dos Clones” e “A Vingança dos Sith”), e que teriam uma recepção menos consensual por parte do público. A reboque disso, ainda relançou as três fitas originais (as chamadas Edições Especiais) com novos efeitos digitais e algumas alterações que enfureceram os fãs.

Depois estreia o Episódio VII, que recupera as personagens que fizeram sonhar os espectadores na trilogia original e que localiza a ação 30 anos depois do Episódio VI. Os Episódios VIII e XIX têm estreia agendada, respetivamente, para dezembro de 2017 e 2019, estando já prometidos para os anos intermédios de 2016, 2018 e 2020 filmes isolados da cronologia, com episódios focados em personagens ou temas centrais do passado da saga.

Fora disto, há todo um manancial de livros, revistas, séries de televisão e videojogos que compõem o universo alargado da saga, e que exploram todos os seus recantos. Mas atenção: até há pouco tempo, todo este manancial passava pelo crivo de George Lucas e era considerado canónico para os fãs da saga, ou seja, todos os eventos nele relatados, por mais laterais que fossem, faziam parte integrante da história principal. Em abril de 2014, dois anos depois da compra da Lucasfilm pela Disney, foi anunciado que toda essa narrativa adicional deixava de contar para a cronologia oficial, para não atar de pés e mãos a criação dos futuros filmes da saga. Assim, esse material passa agora a existir com o “brand” “Star Wars Legends” e só contam para a história as seis longas-metragens oficiais da série e tudo o que tenha sido criado a partir dali, incluindo a popular série televisiva “Star Wars: Rebels”.

A história e as personagens

Luke, Leia e Han Solo

No início era tudo simples mas depois a coisa complicou. Para ajudar a perceber, é útil descrever a saga vista até agora em dois blocos distintos, correspondentes às duas trilogias até agora estreadas.

Na trilogia mais antiga, correspondente aos episódios IV a VI, a coisa era razoavelmente fácil de entender: há um Império maligno que oprime toda a galáxia e um punhado de rebeldes que tenta devolver a liberdade aos povos subjugados. Dentro desta realidade, há duas personagens centrais: Luke Skywalker, o herói jovem e inocente, que inicialmente veste de branco, e Darth Vader, o vilão de máscara metálica e eternamente vestido de negro. Uma das surpresas de toda a história do cinema surgiu precisamente no final do Episódio V, com a revelação que Vader era afinal o pai de Luke, Anakin Skywalker.

O jovem embarca nesta grande aventura conduzido por Obi Wan Kenobi, um sábio ancião que lhe ensina os caminhos da Força, uma energia mística de extração quase religiosa que confere grande poder a quem a domina e que é venerada pelos cavaleiros Jedi. O senão é que, quem tenha grande sede de poder, poderá cair nos abismos do lado negro da Força e ser consumido por ela, que foi precisamente o que sucedeu a Vader sendo a redenção da sua alma o que se vai jogar no capítulo final desta saga.

No elenco de personagens que acompanha o herói, destaca-se a dupla de robôs C-3P0 e R2D2, que vai atravessar todos os episódios da saga, o contrabandista Han Solo e o seu companheiro piloto Chewbacca (o icónico peludo de linguagem pouco elaborada), a princesa Leia, que mais tarde se revelará ser irmã gémea de Luke e que acaba por ter uma relação amorosa com Solo.

O veículo central das aventuras é a nave Millenium Falcon, e entre as demais personagens relevantes contam-se o Imperador Palpatine, a principal força maligna da saga, e o diminuto Yoda, o mentor de todos os cavaleiros Jedi, além de uma enorme variedade de criaturas de vários tamanhos e feitios, como o mercenário Bobba Fett, o traficante Jabba the Hut e os ursinhos Ewoks, que chegaram a ter direito a duas longas-metragens de orçamento reduzido nos anos 80.

Ainda não perderam o fio à meada? Avancemos então.

Nos Episódios I a III, George Lucas recuou aos primórdios da história para revelar como Anakin foi conquistado pelo lado negro da Força e passou de valoroso cavaleiro Jedi ao vilão Darth Vader. Aqui a coisa torna-se um bocadinho mais complicada porque a intriga política domina esta parcela da saga. Tudo espremido temos Palpatine a manipular a ação nos bastidores e a levar a que a pacífica República, receosa de ataques externos, o eleja como Imperador vitalício e imponha a lei marcial na galáxia. Anakin é treinado por Obi Wan mas faz vista grossa ao celibato inerente à função para poder casar com a bela Princesa Amidala. O jovem intempestivo está constantemente em equilíbrio entre as duas faces da Força, e tomba definitivamente para Lado Negro com a morte da mãe e o receio de que o mesmo lhe suceda à mulher grávida. No fim, claro, Anakin torna-se Vader, Amidala morre ao dar à luz os gémeos Luke e Leia e tudo fica embrulhadinho de forma perfeita para encaixar nos episódios seguintes.

Antes do Episódio VII, 30 anos depois do anterior, sabíamos que, até à última vez que os vimos, Luke era um cavaleiro Jedi, Solo e Leia tinham ficado juntos/casados, os rebeldes tinham derrotado o Império, e Vader, Obi Wan e Yoda, entretanto falecidos, ainda surgiam em forma de fantasmas, graças à Força.

Mas como é que isto se tornou um sucesso tão grande?

Star Destroyer

Cada um apontará as suas razões, mas, como em tudo na vida, é essencial perceber o contexto. Hoje em dia é quase impossível ter a noção do quão radical e diferente era o primeiro “Star Wars” quando estreou em 1977. Não era só na dimensão do espetáculo e dos efeitos visuais, onde marca efetivamente um antes e um depois, mas era essencialmente no conceito: um filme para a família, com bons e maus bem definidos (o bom a vestir de branco e o mau a trajar de negro), e uma dimensão de grande espetacularidade, era tudo aquilo que Hollywood já não fazia há mais de uma década.

Fruto da abertura de mentalidades e da renovação de gerações, o cinema americano dos anos 70 era marcadamente adulto, com o sexo e a violência explícitos na ordem do dia. Entre os grandes êxitos da década contam-se “O Padrinho”, “O Exorcista”, “Tubarão” e “Taxi Driver”, filmes excecionais mas que dificilmente gerariam paixões entre os jovens que então descobriam o cinema. Para esses, nada existia, até porque a própria Disney estava então em decadência, uma década após a morte do fundador e com a entrada em cena da da equipa que renovaria o estúdio a outra década de distância.

Por incrível que hoje pareça, uma criança ou um adolescente que quisesse na altura ir ao cinema, nada teria para a sua idade, a não ser que apanhasse a reposição de algum clássico da Disney. Daí que toda a uma geração se tenha revisto naquele filme: para muitos, “Star Wars” foi a porta de entrada na paixão pelo cinema, que os filmes seguintes só aprofundaram. Não é por acaso que só a primeira trilogia parece despertar paixões assolapadas: na viragem para os anos 80, não havia nada assim no grande ecrã. Quando a segunda trilogia estreou, já à entrada do século XXI, boa parte do cinema americano era herdeiro de “Star Wars” e consequentemente o impacto ficou a uma galáxia de distância.

Claro que Lucas soube alimentar o fenómeno, com a criação de um verdadeiro império de produtos derivados que permitiu viver a série para lá do grande ecrã, algo que até então só os filmes da Disney e de James Bond trabalhavam, e em muito menor escala. E tão inesperada era essa abordagem que a Fox lhe cedera à cabeça a totalidade desses direitos, que considerava irrelevantes, algo impensável nos dias de hoje.

Mas, há que dizê-lo, o sucesso era improvável para todos os envolvidos, até para o próprio Lucas. Os atores queixavam-se que o argumento não fazia sentido e que os diálogos eram incompreensíveis e impossíveis de dizer (Harrison Ford ter-lhe-á dito “George, tu sabes datilografar esta m*rda mas de certeza que não a consegues dizer”), muitos dos efeitos visuais não eram perceptíveis durante a rodagem o que quer dizer que os atores não faziam ideia da dinâmica que o filme iria ter, e o próprio Darth Vader andava aos tombos pelo cenário com a voz fina do ator gigantesco que o encarnava, Dave Prowse, sem a potência vocal que James Earl Jones lhe daria na pós-produção.

De todos os que viram a primeira versão do filme, ainda sem a maioria dos efeitos visuais, só um achou que não seria um fracasso e apostou mesmo que seria um sucesso gigantesco: chamava-se Steven Spielberg e tinha, também ele, um filme de ficção científica prestes a estrear, “Encontros Imediatos do Terceiro Grau”. Lucas e Spielberg apostaram que seria o filme do outro a ser o grande campeão de bilheteira e como tal trocaram 2,5% de lucros da respetiva fita. Spielberg ganhou e ainda hoje recebe 2,5% de lucros de “Star Wars”…

A família…de atores

Harrison Ford, Mark Hamill e Carrie Fisher («Star Wars»)

Quem são os grandes ídolos de Star Wars, que o Episódio VII vai devolver ao convívio de todos? Mesmo que já os conheça, de certeza que vai ter uma ou outra surpresa nas linhas que se seguem.

Mark Hamill – O jovem Luke Skywalker ganhou o papel após o seu amigo Robert Englund (mais tarde imortalizado como… Freddy Krueger) o ter aconselhado a ir ao casting. Toda a sua carreira posterior foi feita à sombra da personagem embora tenha tido grande sucesso como voz de desenhos animados, nomeadamente do Joker nas séries animadas de Batman. Entre a rodagem do primeiro e do segundo filme, o ator teve um grave acidente de viação que lhe deixou cicatrizes no rosto e que ajudou à decisão de arrancar a segunda fita com uma sequência em que ele leva uma patada de uma criatura das neves, para justificar a alteração na cara.

Harrison Ford – Deixou de vez a carreira de carpinteiro graças ao papel do piloto Han Solo e ao sucesso do filme, que o lançou na estratosfera da popularidade cinematográfica, alavancada com outras personagens tão populares como Indiana Jones, Rick Deckard (de Blade Runner) e Jack Ryan. Durante a rodagem, a queda de uma porta hidráulica deslocou-lhe o tornozelo 90 graus mas, para espanto generalizado da equipa, a recuperação foi rápida e a rodagem não atrasou. Pior sorte teve o realizador J.J.Abrams que, ao tentar ajudá-lo, lesionou coluna, não disse nada à equipa e usou em segredo um colete para a coluna durante o resto da rodagem.

Carrie Fisher – Imortalizada como Princesa Leia, tem um paralelo curioso com a sua mãe, Debbie Reynolds: ambas encarnaram aos 19 anos uma personagem central num dos filmes mais míticos de toda a história do cinema, ela em “Star Wars”, a mãe em “Serenata à Chuva”. A sua carreira de atriz nunca teve a mesma popularidade embora tenha conquistado sucesso como escritora e argumentista, por vezes expondo o lado mais negro da sua vida, incluindo a toxicodependência, a desordem bipolar e as relações tensas com os pais (ele, Eddie Fisher, também era uma estrela da canção, que se divorciou da mãe para casar com Elizabeth Taylor num dos grandes escândalos da época).

Anthony Daniels - É o único ator a participar em todos os sete filmes da saga, no papel do andróide dourado C-3P0. Tem vivido de dar voz e corpo à personagem em todo o tipo de produtos derivados, mesmo que nunca tenha sido particularmente fã de ficção científica. Antes de “Star Wars” o único filme do género que tinha visto no cinema era “2001: Uma Odisseia no Espaço”, e terá ficado tão mal impressionado que saiu da sala ao fim de 10 minutos.

Kenny Baker – O ator de 1m12cm ganhou fama como o diminuto robô R2-D2 em todos os filmes da saga e, apesar ser lendária a sua parelha no cinema com Anthony Daniels, é sabido que eles se detestam na vida real. Em “O Regresso de Jedi” também deu vida ao Ewok que rouba a “speeder bike” ao soldado do Império.

Peter Mayhew – Com 2m21cm, ficou imortalizado na personagem do wookie Chewbacca e confessa que a única coisa que fez para conquistar o papel foi levantar-se quando George Lucas entrou na sala. Tem sido o papel da sua vida, neste último filme dificultado pelo facto de uma artoplastia do joelho lhe dificultar a locomoção.

O realizador escolhido a dedo para o novo filme

O realizador do filme, J.J. Abrams

Sim, já sabemos, o realizador do filme mais recente não está presente desde o início da saga mas, como a maioria dos jovens da sua geração, J.J. Abrams foi um fã indefectível desde a primeira hora. O cineasta ganhou fama como cocriador de séries televisivas como “Alias” ou “Lost” e realizador de filmes como “Missão Impossível 3”, “Super 8” ou da renovada saga “Star Trek” (que reanimou fazendo uso da jovialidade da saga “Star Wars”), mas muito antes disso já dava que falar.

Aos 16 anos, com o seu amigo Matt Reeves (futuro realizador de “Planeta dos Macacos: A Revolta”), foi contactado por Kathleen Kennedy (atual presidente da Lucasfilm e produtora do novo filme) para restaurar as primeiras fitas de Steven Spielberg, em Super 8, formato com o qual os então garotos tinham ganho alguns prémios.

Na viragem para os anos 90, com pouco mais de 20 anos, conheceu pela primeira vez Harrison Ford quando escreveu o argumento do filme de Mike Nichols que ele protagonizou, “O Regresso de Henry”.

O que não pôde faltar a “O Despertar da Força”

Crawl Star Wars

Quem vai ver um filme da saga “Star Wars” está à espera de determinados elementos icónicos e o novo capítulo não defraudou os fãs. Entre aquilo que se tornou emblemático conta-se:

O “crawl” de abertura – Todos os filmes da saga abrem com um pequeno texto a subir em perspetiva pelo ecrã, que contextualiza o espectador na ação do filme. Esse elemento homenageia os “serials” de Flash Gordon dos anos 30 e 40, que arrancavam precisamente da mesma maneira. No filme original, o texto era para ter mais de seis parágrafos mas houve um amigo que alertou para o disparate e o reescreveu e reduziu até à sua forma final. Esse amigo era Brian De Palma.

A música – Um dos elementos centrais de qualquer filme da saga “Star Wars” é a mítica banda sonora de John Williams, cujos acordes arrepiam qualquer fã de carteirinha e cotas em dia. O compositor dispensa apresentações: é o segundo artista mais nomeado de sempre aos Óscares (49 nomeações, só atrás de Walt Disney) e compôs a partitura de praticamente todos os filmes de Steven Spielberg (incluindo as de “Tubarão”, “E.T. O Extraterrestre” e Indiana Jones) e outras tantas tão lendárias como as de “Super-Homem”, “Sozinho em Casa” e da saga de Harry Potter.

Os efeitos sonoros – Parece pouco mas não é. Há todo um universo de efeitos que ficaram no ouvido de todos e que vão da deslocação das naves ao barulho dos sabres de luz e dos disparos laser, passando pela respiração de Darth Vader e os sons de R2-D2. O génio por trás da façanha chama-se Ben Burtt e é um dos mais lendários especialistas de efeitos sonoros do cinema, tendo ainda há pouco brilhado a grande altura com o maravilhoso “Wall.E”.

As naves – Ora aqui há todo um manancial de veículos que têm feito as delícias dos fãs e enchido os bolsos dos vendedores de brinquedos. A nave mais célebre da saga é a Millenium Falcon, pilotada pela dupla Han Solo e Chewbacca, ganha ao jogo a Lando Calrissian, que fez delirar os fãs logo no primeiro teaser do novo filme. Do lado dos heróis, o modelo de nave mais popular é o designado X-Wing starfighter, reconhecível pelo formato em X das asas. Do lado dos vilões, o modelo mais célebre é o TIE Fighter (que pôde ser visto em tamanho real na última Comic-Con Portugal), baptizada assim porque Lucas achava que se parecia com uma gravata borboleta. Também célebres são as Star Destroyers, naves gigantescas do Império em forma de adaga, sendo uma delas que surge na mítica abertura do Episódio IV. Sem esquecer a Estrela da Morte, uma estação espacial em formato de planeta, que tem sido o principal elemento a destruir pelos heróis nas fitas mais populares da saga.

Os extraterrestres – São imensos e surgem um pouco por todo o lado. No filme inicial da saga, uma das cenas mais lendárias passava-se num bar onde conviviam sem estranheza as mais diversas raças de alienígenas, a falar os mais incompreensíveis idiomas. Essa interação tem sido central à narrativa e atravessado todos os filmes e restantes derivados. Entre as raças mais populares contam-se os peludos wookies (a que pertence Chewbacca), entre as mais criticadas pelos espetadores estão a dos ursinhos Ewoks e, principalmente, os desajeitados Gungan, que têm em Jar Jar Binks a figura mais duramente criticada da saga.

Stormtroopers – Os soldados brancos do Império tornaram-se presença central no imaginário da saga e já fazem parte do cenário de qualquer Comic-Con que se preze. Na origem, eram clones do caçador de recompensas Jango Fett, cujo filho se tornou o mercenário Bobba Fett. Os fãs são aos primeiros a sublinhar que, para além dos stormtroopers regulares, há subgrupos mais especializados como os snowtroopers e os scout troopers, com significativas variações na armadura.

Os sabres de luz – Claro que há todo o tipo de pistolas laser nesta saga galáctica, mas a arma mais mítica é o sabre de luz, uma espada de cabo metálico e lâmina luminosa usada pelos Cavaleiros Jedi, que pode variar de formato consoante quem a usa. Simplificando, os heróis usam lâmina azul e os vilões usam lâmina vermelha mas mesmo dentro disto há variações: por exemplo, o de Mace Windu, encarnado pelo sempre elegante Samuel L. Jackson, é púrpura. Mesmo no formato, há algumas diferenças. Por exemplo, no Episódio I, Darth Maul usou um com um cabo central e uma lâmina para cada lado, e no novo Episódio VII Kylo Ren utiliza uma com pequenas lâminas laterais.

As frases lendárias

No universo “Star Wars”, há uma enorme quantidade de frases que qualquer fã sabe dizer de cor. A mais popular, claro, é “May the Force be with you” mas a mais repetida é “I have a bad feeling about this”, utilizada em todos os filmes e na maioria dos produtos drivados. De tal forma a frase se tornou emblemática que o próprio Harrison Ford a usou, como piada, em “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”.

E se não vi os filmes anteriores ou quero revê-los? Por onde começo?

Tendo em conta que os Episódios IV a VI estrearam entre 1977 e 1983 e os Episódios I a III chegaram às salas entre 1999 e 2005, qual a ordem correta para os ver, a da estreia ou a da cronologia da série? A questão não é pacífica e divide os fãs da saga, principalmente quando se entra em linha de conta com espectadores que vão ver os filmes pela primeira vez.

Muitos preferem a ordem da estreia, defendendo que os filmes devem ser vistos pela ordem que foram feitos. Portanto IV-V-VI-I-II-III. Isso permite não só abrir com aqueles que são considerados os melhores filmes como também manter intactas todas as surpresas da saga, nomeadamente a de que Darth Vader é o pai de Luke.

Outros defendem a ordem cronológica da saga, ou seja I-II-III-IV-V-VI, o que permite acompanhar com maior detalhe toda a criação e desenvolvimento do universo tal como George Lucas o teria imaginado.

Mas para lá destas duas, os fãs foram criando uma série de outras, com as justificações mais desaparafusadas. Uma das que tem feito alguma escola é a ordem “Machete”, que defende que a sequência correcta deverá ser IV-V-II-III-VI. Ou seja, começar pelos dois filmes que lançaram a saga originalmente no cinema; no final em aberto de “O Império Contra-Ataca”, após Luke saber que é filho de Vader, ver depois os episódios II e III, que mostram como Anakin se tornou Darth; e fechar com o último episódio, que traz um final feliz à saga. E o Episódio I? É eliminado das contas por ser considerado mau demais e não acrescentar nada de realmente relevante à saga.

E finalmente, a ordem de qualidade dos seis primeiros filmes, do pior ao melhor (e isto não é subjetivo)

Star Wars

Esta também tem sido uma discussão popular entre os fãs, mas aqui a coisa é relativamente consensual. O pior é unanimemente o “Episódio I: A Ameaça Fantasma” a que se seguem o “Episódio II: O Ataque dos Clones” e o “Episódio III: A Vingança dos Sith”.

A ordem destes dois é relativamente variável e não gera grande discussão mas o que é praticamente consensual entre os admiradores é que as prequelas assinadas por George Lucas são bastante piores que a trilogia original, apesar da imensa sofisticação dos efeitos visuais. Tornou-se, aliás, célebre a expressão indignada de um fã que afirmou que essas prequelas lhe “violentaram a infância”.

Segue-se, por ordem de qualidade o “Episódio VI: O Regresso de Jedi”, que quase todos consideram o pior da trilogia original, muito por responsabilidades dos fofinhos Ewoks. O segundo melhor da saga é o filme original, o “Episódio IV: A Nova Esperança” e o melhor o “Episódio V: O Império Contra-Ataca”.

A ordem aqui também é discutível uma vez que a fita inicial foi a que deu origem a tudo mas quando se leva em conta apenas o conjunto dos seis e não o contexto de produção, a opinião tende a favorecer a vitória do “Episódio V”. Em relação ao "Episódio VII: O Despertar da Força”, a distância talvez ainda seja curta para o enquadrar no top.

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