Ocultismo, satanismo, "wiccas", os filmes da Hammer e uma lente cheia de vaselina apontada a Samantha Robinson... eis uma anacrónica comédia de horror que a Cinema Bold distribui nas nossas salas de cinema e de estar como mais uma aposta de arrojo e, neste caso, êxtase de retro e artificialidade.

Produzido, realizado, escrito e (inserir aqui todas as demais funções de criação que vão desde roupas à montagem)... por Anna Biller, "A Feiticeira do Amor" surge-nos como uma homenagem aos filmes "campy" dos anos 60 e 70, repleto de sedução e humor seco, revelando-se com a revolução sexual e o poder feminino que leva os homens de uma cidade objeta à bruxaria, a querer o seu próprio sacrifício de luxúria e perdição: “Burn the witch!”, acabam todos por gritar.

Quanto à história: Elaine, é uma linda e jovem feiticeira determinada em encontrar um homem que a ame. No seu apartamento de estilo gótico-vitoriano faz feitiços e poções para de seguida atrair e seduzir homens. No entanto, os seus feitiços funcionam demasiado bem, deixando um rasto de vítimas desafortunadas e quando finalmente encontra o homem dos seus sonhos, o seu desespero por ser amada irá levá-la ao limiar da loucura e do homicídio.

Com uma palete de cores que evoca o horror italiano dos anos 70 e os melodramas dos anos 50, o filme é visualmente estonteante e alucinogénico, vivendo de composições repletas de pentagramas, cartas de tarot, velas e fumos, dentro de mansões vitorianas e salões de chá, feiras renascentistas e bares burlescos, por onde somos enleados por temas musicais de Ennio Morricone e claro, da própria Anne Biller.

Patchouli e urina, poutporri e tampões com sangue, são adereços num filme de horror sexy, onde o olhar inocente daquela que se julga princesa num conto de fadas, é afinal a contemplação obcecada de um monstro glamoroso.

Crítica: Daniel Antero

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