Os 470 lugares da Basílica do Palácio têm tido lotação esgotada do público nos 40 concertos já realizados, que chegam a ter uma assistência de 600 espetadores e que já foram assistidos por 25 mil pessoas, revelou o diretor do Palácio Nacional de Mafra à agência Lusa. "Há um grande fluxo de visitantes aos concertos e há uma procura internacional por intermédio das embaixadas", afirmou Mário Pereira, adiantando que os visitantes estrangeiros são sobretudo oriundos de países da América Latina, Espanha, França e Alemanha.

Os seis órgãos vão tocar uma composição de António Leal Moreira escrita no século XVIII para estes instrumentos e ainda composições de Sebastian Bach e Luigi Boccherini, com arranjos respetivamente de João Vaz e Yves Rechsteiner para os seis órgãos. José Marques e Silva, Samuel Arnold, François Couperin, Giuseppe Sigismondo integram ainda o repertório do concerto, mas vão ser tocados apenas por alguns órgãos.

O músico João Vaz, que acompanhou o restauro dos órgãos e integra a equipa de investigação que estuda o espólio musical existente na biblioteca do palácio e tem vindo a transcrever as partituras para a atual linguagem musical para voltarem a ser tocadas, disse à Lusa que, no total, existem apenas entre 10 a 20 composições escritas para os seis órgãos.

"Os órgãos participavam apenas na liturgia e os seis órgãos, que ficaram construídos em 1807, tocavam apenas em conjunto nas cerimónias mais importantes. Por outro lado, a partir de 1813, alguns foram desmontados e passaram a ser escritas composições para alguns órgãos", justificou o investigador.

Após um interregno de duzentos anos, os seis órgãos históricos do Palácio de Mafra, únicos no mundo, voltaram a tocar em conjunto desde há três anos, após um restauro de uma década que custou 10 milhões de euros e que foi distinguido em 2012 pela Comissão Europeia com o prémio Europa Nostra.

Os órgãos foram construídos em 1807 pelos organeiros António Xavier Machado e Cerveira e Joaquim António Peres Fontanes, a pedido de D. João VI, sucessor de D. João V, o qual mandara construir o Palácio Nacional de Mafra.

Com a primeira invasão francesa e o exílio da corte no Brasil, a atividade musical decaiu e os órgãos só voltaram a tocar na segunda década do século XIX com o regresso da família real, altura em que foram reparados, mas o processo não chegou a ser concluído, tendo um dos órgãos ficado desmontado.

O Palácio Nacional de Mafra é visitado por mais de 200 mil turistas por ano.

@Lusa

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