Dona de uma pegada feroz na guitarra e muito feeling, Bibi vem de uma longa trajetória, aonde já tocou com grandes nomes como Pink e Paulina Rubio.

Além dasseis cordas, ela faz toda a direção musical do show de Beyonce, que custa mais deum milhão de dólarespor semana.É um cargo de imensa responsabilidade.

Confiram isso e muito mais na exclusiva entrevista que ela concedeu ao Palco Principal Brasil.

Palco Principal - Quando você começou a tocar guitarra e quais as suas principais influências musicais?

Bibi McGill - Aos 12 anos de idade, com meus pais, tive as primeiras lições de guitarra. Continuei depois na escola primária, até me formar na Universidade. Minhas maiores influências vieram de meus irmãos mais velhos e dos grupos de funk da década de 1970, como osIsle Brothers; Earth, Wind & Fire e também de Carlos Santana.

PP – E como você acabou indo paraa banda da Beyoncé?

BMG – Eu vou contar um pouco de minha trajetória: em 2001 fiz a tour mundial da cantora Pink e depois fui tocar com a cantora Paulina Rubio e no grupo chileno La Ley. Com eles foramtrês anos.Depois, tirei um ano de férias... estava praticando Yoga e decidida a parar com música, não queria mais excursionar nem saber mais nada disso. Na época morava em Los Angeles e também não me sentia bem lá. Entretanto, comecei a receber telefonemas e e-mails de várias pessoas, dizendo que a Beyoncé estava montando uma banda feminina e que eu deveria participar dos testes para entrar. Eu já tinha minha resposta formada, mas foram quase 15 chamadas num dia. Na mesma noite, já estava pronta para ir dormir e meu pai telefonou de Denver. Alguém havia ligado para ele falando sobre a banda de uma tal de Beyoncé, desconhecida na época, que queria formar uma banda só de mulheres. Ele me disse que esse era um trabalho para mim. Depois que desliguei, fiquei pensando e decidi ir. Peguei meu carro e fui ao local.Estava uma centena de mulheres na fila, dando voltas no quarteirão. Imediatamente senti que deveria estar ali e estar nesta gig. Alguns dias depois, recebi um telefonema para participar da audição final em Nova Iorque e fui escolhida. O telefonema de meu pai foi o grande responsável por isso acontecer.

PP – E a tranqüilidade de praticar Yoga ajuda na hora de frasear na guitarra?

BMG – Acredito que o Yoga é um beneficio a tudo em sua volta. Essa prática ajudaao meuequilíbrio, e tambéma minha mente, meus movimentos. Ébom para todos meus órgãos. E se você se sente bem, estará mais aberto, podendo ser mais criativo,maisobjetivo e mais concentrado.

PP – E sobre tocar numa banda formada só de mulheres?

BMG – Estou tocando em uma gig top com uma das cantoras mais famosas do mundo, e é difícil por ser um trabalho que exige muito de seu tempo e energia. O fato de sermos muitas mulheres não interfere em nada, mas é realmente um grande grupo com muitos talentos musicais. Temos uma secção completa de sopros, duas bateristas, duas tecladistas, percussão e baixo. É fantástico e estou muito feliz por estar nesse grupo. Realmente é muito diferente de tocar com qualquer outro.

PP –Como são osensaios e comoé a rotina de tocar com alguém que recentemente ganhouseis Grammy’s?

BMG - Eu não toco nas gravações dos álbuns, mas, quando eles estão prontos, fazemosdois meses de ensaios. Eu também sou uma das que fazem a direção musical. A diretora de criação é a Kim Burse e normalmente traz planos, ou set list, ou o que queira. Ela vem até nós e aí começamos a aprender e treinar as músicas, as transições entre elas, ensaiamos de 12 a 14 horas por dia. Tocamos todo set list e, às vezes, não funciona, aí temos que mudar a ordem. Quando a banda está firme, aí entram os dançarinos, áudio e vídeo, e todo pessoal de produção, incluindo iluminação e câmeras. Passamos a fazer o show do começo ao fim durante o dia todo, tal como será um concerto para o público. Somente saímos para tocar quando tudo ficar bom.

PP – E quantas pessoas trabalham numa equipe como essa?

BMG – Mais ou menoscem pessoas. Li recentemente numa entrevista que, para colocar toda essa equipe na estrada, a Beyonce gastacerca deum milhão de dólares por semana. É muito dinheiro, mas é um grande show e eu adoro participar nele todas as vezes.

PP – Essa é sua primeira visita ao Brasil.O que achou de nosso país?

BMG – Adoraria morar em muitos dos locais daqui. Meus países favoritos eram Austrália, Argentina, Tailândia e Egito. Agora que estive aqui,oBrasilestá no topo de minha lista. O clima, as pessoas são amáveis, as praias são lindas, e há uma boa energia.

PP – Conhece algo sobre a música brasileira?

BMG – Não. Mas eu penso em voltar de novo e ficar mais tempo, unsdois outrês meses, e aprender sobre a música e cultura dos brasileiros. Fiquei apaixonada por isso. Tenho me sentido muito feliz, desde que cheguei aqui.

PP – Estamos curiosos por saber sobre o seu equipamento de guitarra. Pode nos contar o que você usa?

BMG – Posso dizer até onde sei. Eu tenho um fantástico técnico de guitarra e nós não usamos nenhum amplificador no palco. Eles estão escondidos debaixo e longe de nós. Não tenho tempo de mexer com meu equipamento porque sou a diretora musical da Beyoncé. Tenho que verificar as entradas das músicas, o sincronismo com o Protools, tenho que fazer muitas coisas e me comunicar com o pessoal da produção. Não posso ter muitas guitarras no palco, mas uso especialmente as Gibson Les Paul e Flying V. No lugar dos violões tenho usado a guitarra Variax Line 6, que me permite mudar de som de violão de 6 ou 12 cordas ou ainda Sitar. Uso a pedaleira da FBV Line 6 para isso. O rack da Line 6 POD X3 é muito bom e para esse tipo de gig isso é perfeito. Para os sons limpos uso um pouco de chorus e delay com simulações de amps Fender Twin. Os sons distorcidos e dos solos vêm das simulações dos Mesa Boogie, bem cheios e saturados, eu adoro.No álbum "B’Day", da Beyonce, não havia nenhuma guitarra, foi tudo programado com teclados. Quando entrei para o grupo, tive que criar as partes de guitarra, e ela me deixou fazer o que eu queria. Gosta de meus solos e de minha pegada de rock, sou muito sortuda em não ter que fazer exatamente o que está no CD.

PP – E quais as cordas queusa?

BMG – Eu prefiro Dean Markley ou D’addario, qualquer uma, não importa. Eu uso .010 na Gibson Flying V, para sons com menos ataque, e .011 para dar um peso a mais e deixar com mais ataque.

PP – E seus conselhos para outras mulheres que queiram tocar guitarra e ter sucesso como você?

BMG – As mulheres não têm que ser somente cantoras, pianistas ou flautistas. Elas podem tocar qualquer coisa: bateria, percussão,outrompete, mas devem amar isso, ser responsáveis. Têm que praticar muito, estudar lentamente tudo até ficar bom.

PP – O que você acha da distribuição de músicas pela internet e de projetos sociais, como do Palco Principal, que ajudam e promovem grupos e artistas independentes?

BMG – Acho isso bacana, porque os selos e as gravadoras não assinam contratos com muitos dos novos artistas, neminvestem dinheiro em artistas desconhecidos que não estejam vendendo milhões. A distribuição pela internet só funciona com poucos. Muitos dos independentes vendem apenas umas centenas ou milhares de downloads, e apenas muito poucos somente chegam a 100 mil ou 250 mil downloads. Depende do que você espera disso e o que vai te fazer feliz no final de tudo. Eu topo tudo!!!

Demma K

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