
No caso do videoclip de "I Can Only Imagine", contudo, a superfície em questão não foi uma obra arquitetónica mas a própria cara de David Guetta. De David Guetta e de Chris Brown, uma das vozes de uma canção que conta ainda com Lil Wayne.
Guillame, convidado para desenvolver o projeto em Los Angeles ao lado de outros dois elementos da Oskar e Gaspar, conta que, mais do que a oportunidade, apreciou o voto de confiança do DJ. "Passaram-nos uma carta branca criativa, que nos deixou muito orgulhosos. Nem sequer pediram amostras antes de irmos para os EUA, enviaram-nos só o storyboard do videoclip para conseguirmos entrar dentro do universo gráfico. Foi a única coisa que nos pediram: seguir uma linha estética mais futurista".
Esta condição era essencial, uma vez que o video mapping desenvolvido pela Oskar e Gaspar foi apenas uma parte de um trabalho mais complexo. "O videoclip está dividido em seis capítulos distintos e a produtora americana encomendou-nos uma", explica. "Não há uma narrativa no sentido mais literal, cria-se um universo. O próprio título da canção remete para a imaginação das pessoas". E imaginação foi o que se pretendeu num projeto "que pôs toda a equipa a trabalhar dia e noite" em busca de um resultado original. "Usámos fotos das caras, que tridimensionalizámos, e criámos vídeos exatamente iguais às caras que foram projetados. Quem olha nem percebe que está a haver uma projeção".
A nova coqueluche dos DJs... e dos outros
Embora a Oskar e Gaspar tenha já várias experiências com o video mapping na área musical, o trabalho com David Guetta foi o primeiro ligado aos videoclips - e também o primeiro a afastar-se dos eventos e festas com DJs. "É uma técnica que tem um custo alto, não tanto para a criação dos conteúdos mas pelo material necessário: precisamos de uns projetores muito específicos", sublinha Guillaume.
De resto, o project manager nem destaca casos memoráveis que ligam esta linguagem ao universo dos videoclips. "Pode haver um ou dois bons videoclips com video mapping, mas sinceramente não os conheço... ainda está num estado muito embrionário". Já em relação à música ao vivo, há alguns exemplos a reter: "'BOOM-Box', do Étienne de Crécy, foi um marco de estrutura video mapping ligada ao DJing. Será ainda uma referência porque teve um papel precursor. Tivemos, no ano passado, o Amon Tobin, que apresentou o seu novo espetáculo, 'ISAM', fenomenal em termos de impacto visual... mas se calhar mais pela dimensão da estrutura. Os conteúdos também são muito bons, mas são muito abstratos. Tem muito mais a ver com a dimensão desmesurada da estrutura, a grandiosidade física da coisa, e não tanto com a inovação".
Guillaume acredita que experiências como estas ainda são só o princípio de algo que ganhará outros contornos. "O video mapping ainda está a ser pouco explorado, mas está a sair um bocadinho da limitação inicial que é vender uma marca, vender um produto. E ainda bem, porque é uma arte, e associada a outras cria novas linguagens". David Guetta apalpou terreno e "I Can Only Imagine" alargou as possibilidades do video mapping, mas há mais caminho a percorrer, antecipa o porta-voz da Oskar e Gaspar. "Era uma arte muito underground até há um ano atrás que agora entrou claramente no mainstream. Não me surpreenderia nada que o próximo show da Lady Gaga ou de qualquer banda pop-rock comercial adotasse esta técnica".
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