O primeiro da fila era Paulo Pereira Gomes, de 51 anos, que garantiu ser “o fã número um” da banda e que chegou às 7h00 para cumprir uma tradição pessoal. “Esta é a nona vez que vou ver os Rolling Stones”, explicou, adiantando que a sua obsessão já lhe valeu ser convidado para assistir a gravações de discos ao vivo da banda de Mick Jagger. Esta história aconteceu em 1990, quando Paulo Gomes tinha um bar no Bairro Alto chamado Mad House.

“Um dia faltou-me o gelo e fui ao bar do Hernâni, que ficava perto. Quando entrei vi o Hernâni a conversar com uma pessoa que eu não conhecia e a dizer-lhe que eu era o fã número 1 dos Rolling Stones”, lembrou. Esta pessoa desconhecida era Luís Vasconcelos, dos estúdios Valentim Carvalho, que acabou por visitar Paulo Gomes no seu próprio bar para o convidar a ir aos estúdios no dia seguinte.

“Disse-me para ir em segredo e esconder o meu carro e eu pensei que os Rolling Stones, que tinham dado um concerto no dia anterior em Portugal, iam receber um disco de platina”. Na realidade, Paulo Gomes acabou por assistir à gravação de duas músicas da banda, no estúdio português, ao lado dos técnicos de som. “Entrei como segurança, abri-lhes a porta [aos membros da banda], eles entraram sem cumprimentar e vi o Keith Richards com a mesma camisa que tinha no concerto e um cheiro muito forte”, recordou este fã que compõe quase todas as frases com um título de canções do grupo inglês.

Entre os adeptos presentes na fila para comprar bilhetes para o concerto, a maioria referiu ter entre 50 e 55 anos, mas todos admitiram querer comprar entradas também para filhos e amigos mais novos.

Conceição Alegria tem 52 anos e vai levar a filha de 18 anos, enquanto Mark Harding, de 51 anos, quer comprar “cinco ou seis bilhetes para os amigos que vêm de propósito de Londres”.

E se estes fãs já contam e esquecem o número de vezes que assistiram a concertos da banda, outros, mais novos, anseiam pelas suas estreias a aplaudir The Rolling Stones ao vivo. É o caso de Diogo Marracho e de Miguel Sousa, ambos de 25 anos, que se levantaram antes da FNAC abrir para conseguir bilhetes para o concerto. “É muito melhor essa música do que a de agora”, explicou Diogo Marracho, que considera que 69 euros cobrados pelo bilhete “é muito pouco dinheiro quando comprado com o preço pedido, por exemplo, no último concerto em Espanha”.

Mais velhos ou mais novos, a paixão, que põe todos os fãs a conversar e a atropelarem-se em memórias como se se conhecessem há largos anos, é a mesma: ver os ícones do rock ao vivo.

Para os mais velhos, músicas mais conhecidas como “You Can’t Always Get What You Want” e “Brown Sugar” são as imprescindíveis, enquanto os mais novos esperam por novidades ou, pelo menos, canções menos tocadas. Mas todos, em coro, cantaram o ‘hino’: “I Can’t Get No… Satisfaction…”, enquanto esperavam por poderem comprar o seu bilhete.

@Lusa

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