“Esta ye la tonadica de l fraile”

Foi com este primeiro verso do refrão da música Fraile Cornudo que os Galandum convidaram o público a acompanhá-los no Centro Cultural de Belém. Seguiram-se algumas gargalhadas, dadas as visíveis dificuldades em acertar na segunda língua oficial portuguesa, e a boa disposição manteve-se durante toda a actuação.

A banda confessou não estar à espera desta distinção e que o seu significado real é “o crescente interesse pela música tradicional e a busca de sonoridades diferentes pela parte dos ouvintes”. É exactamente isto que a Associação Megafone procura. Mais que lembrar um artista, João Aguardela, procura levar a cabo um projecto de vida centrado numa visão de futuro para a música tradicional portuguesa.

Música para uma nova Geração

É sobre este mote que, ao palco, sobem os três projectos nomeados pela Megafone: Galandum Galandaina, O Experimentar Na M'Incomoda e Bandarra. A descontracção marca a entrada dos Galandum, senhores de uma experiência de 14 anos a tocar a sua música. “Este não é um projecto de consumo imediato”, dizem-nos mais tarde, depois de saírem vencedores, sob os aplausos do público do pequeno auditório do CCB.

Já mais tímido, o criador açoriano do grupo O Experimentar Na M'Incomoda, chega, toca e, ao microfone, foram poucas e rápidas as palavras para agradecer a oportunidade de mostrar, pela primeira vez, o seu projecto em palco. A criatividade deste grupo está em misturar os sons de um sintetizador com modas açorianas, cantadas por vozes possantes. Atrás, dois jovens, batem palmas numa velocidade bem treinada. Está composto o cenário, e canta-se a 'vida de um caracol'.

Por fim, e em festa, os Bandarra tomam o palco como seu. Tocam com alegria músicas de baile e, se mais nada levarem deste evento, é visível como disfrutam da sua arte. Correm no palco, saltam, interagem entre si como se, em parte, estivessem sozinhos naquela sala.

Enquanto o júri toma a sua decisão, Jel, o humorista e anfitreão surpresa desta noite, chama ao palco Manuel Cruz e Foge, Foge Bandido. Os cinco elementos criam um espaço intimista em palco. Muito juntos, num estrado, assentam todos os instrumentos, se assim os podemos chamar, que distinguem a sua sonoridade de todas as outras: um balde de metal, palhetas, latinhas, castanholas, madeirinhas, sinos e, até, um simples saco de pano com pedras dentro.

Jel nervoso

Espanto geral quando Jel, da conhecida dupla humorística "Os Homens da Luta" entra em palco. Desta vez não vinha mascarado e o seu objectivo não era destabilizar o discurso de José Sócrates.

Aqui, num registo bem mais sério, Jel estava “exposto” e “nervoso”, como o próprio confessou. Assim que soube da iniciativa dos prémios Megafone fez o que pode para participar. Em conversações com os organizadores, decidiram que ficaria a apresentar as bandas e fazer alguns apontamentos recordando Aguardela, que faleceu, vítima de cancro, em Janeiro de 2009.

O humorista conheceu João Aguardela quando decidiu levar-lhe um cd. Ficaram a conversar e no fim ele recusou produzir o trabalho e desafiou–o a ser o seu próprio produtor. Não saiu de lá músico, mas foi o suficiente para o motivar a fazer aquilo que gosta.

A primeira de muitas noites

Esta foi a primeira edição dos prémios Megafone, mas Luís Varatojo garante que não será o último. É um projecto que “se não tiver continuidade não tem resultado”. A permanência justifica-se pela qualidade que se vai encontrando nas candidaturas. Apesar do prémio de música ter sido dado aos Galandum, à última da hora, houve necessidade de criar um menção de honra para os Experimentar Não M'Incomoda. Os prémios não são monetários, mas visam parcerias com empresas como a Restart e Fnac - que permitem a gravação de divulgação dos discos das bandas.

@ Inês Fernandes Alves

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