A letra da música, escrita por Vinicius a pedido do amigo Jobim, nasceu com o nome «Menina que passa», mas acabou por ser reformulada e deu lugar ao título hoje conhecido por várias gerações, explicou, em declarações à agência espanhola EFE, o professor de literatura, melómano e especialista em bossa nova, Carlos Alberto Afonso.

A história do tema tem como ponto de partida o Bar do Veloso, na antiga rua Montenegro (atualmente rua Vinicius de Moraes), local onde o poeta e o compositor Tom Jobim se refugiavam no início dos anos 1960, com a companhia inebriante do whisky, para admirar o «doce balanço» das ancas de uma jovem carioca.

Em 1965, Vinicius de Moraes confessou que a musa que inspirou o tema foi a adolescente Heloísa «Helô» Pinheiro, atualmente com 67 anos. «Nunca respondi aos seus piropos, só entrava no bar para comprar cigarros para os meus pais ou passava por lá para ir gozar o sol nos meus dias de férias», afirmou Helô Pinheiro, numa recente entrevista à agência EFE.

Três meses depois da primeira apresentação no Rio de Janeiro, a música foi interpretada pelos mestres da bossa nova na famosa sala de concertos Carnegie Hall, em Nova Iorque, dando início à internacionalização do tema. A canção seria posteriormente gravada em inglês por Astrud Gilberto, versão que ficou marcada pela célebre interpretação do saxofonista norte-americano Stan Getz.

Segundo o professor Carlos Alberto Afonso foi a bossa nova que influenciou o jazz, e não o contrário, «porque nessa época as melodias de Cole Porter já estavam desgastadas».

Para o especialista, a adesão dos norte-americanos à bossa nova também teve contornos políticos, afirmando que os Estados Unidos quiseram na altura contrariar os ritmos sedutores da salsa proveniente de Cuba com o tropicalismo brasileiro. Em 1967, a música ganhava uma dimensão internacional com a interpretação do emblemático cantor norte-americano Frank Sinatra.

Ipanema, um dos bairros nobres e mais conhecidos do Rio de Janeiro, é hoje paragem obrigatória para os amantes do jazz, da bossa nova e da música em geral. Nas ruas deste bairro pode encontrar-se, entre outros pontos de interesse, a casa onde Jobim viveu grande parte da sua vida e o bar que foi local de encontro dos dois autores, atualmente com uma programação diária dedicada à bossa nova. O bar chama-se hoje Garota de Ipanema e tem a partitura da canção pintada na parede, em homenagem a Vinicius e Jobim.

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