O primeiro concerto da noite ficou a cargo de Rui Carvalho, mais conhecido por Filho da mãe, e aquilo que se presenciou no MusicBox foi uma verdadeira homenagem à arte de tocar guitarra. Ainda com o álbum de estreia, "Palácio", na bagagem, o concerto de Filho da Mãe, foi uma experiência hipnotizante, onde a técnica e a melodia andaram de mãos dadas, e cada momento esteve preenchido por uma beleza ímpar, que nem nos instantes mais selvagens conseguiu abandonar a guitarra do lisboeta.

Ajudado por um excelente jogo de luzes e projeções, “Helena Aquática” foi o ponto alto deste espetáculo, com os seus loops e a batalha constante entre o crescendo e a acalmia - um verdadeiro momento de pura catarse e a melhor maneira para encerrar um bom concerto, que deixou água na boca para ver aquilo que Filho da Mãe nos reserva para o futuro.

Depois do momento mais acústico com Filho da Mãe, total reviravolta de estilo e horizontes, e lugar para o Rockuduro dos Throes + the Shine. Com uma energia pura e simplesmente contagiante, conseguiram por um MusicBox que rebentava pelas costuras a dançar e a pular freneticamente, provando que a sua mistura inusitada, que muitos pensariam impossível, tem, na verdade, resultados práticos e visíveis.

Ao som de músicas como “Batida”, “Hoje é Festa” ou “Dança bué”, a energia foi constante e a interação com o público também, ficando mais uma vez claro que por onde os Throes + The Shine passam, a festa está garantida.

Logo a seguir à festa dos Throes + The Shine, nova mudança de horizontes, desta vez para o Rock Psicadélico/Stoner dos Quartet of Woah. E não há como não constatar o verdadeiro ecletismo desta primeira noite de Jameson Urban Routes. Quatro projetos portugueses totalmente diferentes, mas que encheram um MusicBox numa quarta feira à noite, prova de que a música portuguesa está cada vez mais em rota de crescimento.

Os Quartet of Woah são, neste momento, uma das maiores apostas do rock nacional. Alimentados por todos aqueles álbuns clássicos de Zeppelin, Doors, Sabbath, etc., não têm nada que enganar, são Rock ‘n Roll puro e duro, sempre com o pedal de fuzz a gritar e as teclas a puxar para um psicadelismo que nunca saiu dos anos 70.

A banda de Gonçalo Kotowitz (dono de uma barba que deixaria Lemmy, dos Motörhead, orgulhoso), Rui Guerra, Miguel Costa e André Gonçaves deu um concerto exemplar, cheio de groove e dinamismo, e, se por vezes o som nem sempre foi o melhor e alguns problemas técnicos os perseguiram ao longo da atuação, a sua entrega em palco e os pormenores com que preencheram as suas músicas fizeram com que o público se mantivesse agarrado desde o primeiro momento.

A última atuação da noite ficou a cargo de DJ Ride, e o lisboeta não defraudou expetativas. Assentando o seu espetáculo principalmente no aspeto visual, Ride mostrou o porquê de ser um dos melhores scratcher’s do mundo, e, ao som de um set diversificado, que foi desde samples de clássicos do Hip Hop, ao mítico Bruno Aleixo, o MusicBox deixou-se levar e dançar até ao final.

Um óptimo arranque para a edição 2013 do Jameson Urban Routes, que, a cada ano que passa, vem-se confirmando como um festival com agradáveis surpresas, cada vez mais a ter em conta.

Texto: David Silva

Fotografia: Hugo Guerra

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