Ontem, no Campo Pequeno, Adam Young e companhia perceberam, certamente, que só um single nãoenche um concerto.

Sendo um dos nomes de destaque nesta rentrée de espetáculos, seria de esperar uma sala composta ou até mesmo esgotada para receber os Owl City, mastal não se verificou. O palco estava situado no meio do recinto e as bancadas recortadas para poucos lugares foram mais que suficientes, pois sobraram imensas cadeiras. O público, sobretudo composto por jovens e respetivos familiares ou amigos, ainda se feznotar com alguns bracinhos no ar, destacando-se, entre ele, uma jovem que levou alguns cartazes com frases de amor escritas para o jovem artista.De facto, Owl City não são um fenómeno de massas em Portugal, mas sim um semi-fenómeno de teenagers ou de mulheres acima dos 50 anos.

Para a abertura dos concertos nesta digressão europeia, os Owl City escolheram o novo prodígio da música electrónica e do dubstep. Estamos a falar de Oliver Sabin, ou melhor, Unicorn Kid, que surgiu em cima do palco com um chapéu em forma de cabeça de leão e logo se juntou ao seu equipamento: um computador e um conjunto de sintetizadores.

Com apenas 19 anos, Unicorn Kid conta com um EP, "Tidal Rave", lançado em agosto deste ano, mas a sua colaboração em remixes têm-lheoferecido muitos elogios por parte dos media britânicos. O seu cabelo, metade oxigenado e metade azul, confere-lhe um ar meio rebelde, que se enquadranas músicas criadas pelo artista, que mais parecem bandas sonoras de videojogos dos anos 80.

“Quero ver toda a gente a saltar” -foi assim que Unicorn Kid se dirigiu repetidamente aos presentes enquanto tocava temas comoDolphin Dance, True Love Fantasy ou Boys in Paradise. Se a sua energia é inesgotável em palco, pois o jovem artista não se cansou de saltar, gesticular e vibrar verdadeiramente com a sua música, a reação do público não foi a mais convincente. A meio da sua atuação, Unicorn Kid não poupou elogios à “maravilhosa cidade de Lisboa” e igualmente às pessoas que estavam na linha da frente, que o aplaudiam timidamentee acompanhavam com braços, preguiçosos,no ar.

A estreia de Unicorn Kid no nosso país não foi, de todo, uma má aposta. Conseguiu transformar o pequeno palco do Campo Pequeno numa discoteca, ainda que com pouco brilho, esemi-cumpriu a missão de “puxar pelo lado mais louco das pessoas”, que sorriam eaplaudiam quando lhes era pedido. No fim da sua atuação, o jovem artista permaneceu em cima do palco a ajudar a desmontar o equipamento e ainda distribuiu sorrisos e trocou algumas palavras com o público. De facto, simpatia e empenho é coisa que não lhe falta, Aguardamos o seu regresso um dia destes, mas num local mais apropriado ao seu género musical.

Depois de um pequeno intervalo, os Owl City subiram ao palco à hora marcada. Para ilustrar a musicalidade do gruposerviram-se deuma tela, semelhante a uma pintura, onde se visualizava uma paisagem campestre - um cenárioque acaba por se adequar um pouco ao imaginário das melodias apresentadas. Cinco músicos divididos por um violino, um violoncelo, uma bateria e mais um conjunto de bombos e pianos, acompanharam Adam Young nesta odisseia musical.

“Portugal, como é que vocês estão esta noite? É um prazer estar aqui com vocês. Nunca estive em Lisboa e é uma enorme honra estar aqui com vocês hoje. Muito obrigado. Nós somos os Owl City e vamos tocar as músicas novas, mas também as antigas, por isso, divirtam-se” -foram as primeiras palavras proferidas por Adam Young, após ter começado o concerto com o tema The Real World. Seguiram-se os temas Cave In, Hello Seattle e Angels -esta última dedicada a todos os presentes e com o cantor a afirmar que adorou ter passeado pela cidade de Lisboa e que a achou bastante angelical.

O terceiro álbum do grupo, intitulado "All Things Bright and Beautiful", é o mote desta digressão pela Europa, mas o público mostrou-se mais conhecedor do álbum anterior, "Ocean Eyes", de onde foi extraído o single Umbrella Beach, cantado pela maioria dos presentes, e com direito a uma rosa em cima do palco, atirada por uma pessoa do público.

“Podem contar-se pelos dedos de uma mão as vezes que alguém me ofereceu uma flor, por isso, agora és especial” – afirmou o cantor que agarrou prontamente naoferenda e agradeceu o enorme carinho que o público lhe transmitia. O espectáculo continuou com as canções I’ll Meet You There, Hospital Flowers e The Bird and the Worm.

O reportório dos Owl City até que é recheado de canções bonitas, mas aparenta uma certa repetição melódica. Os títulos das letras parecem extraídos do universo dos contos infantise deliciam e exercitam o nosso imaginário.

Após partilhar com todos os presentes que se encontrava um pouco doente, Adam Young deu, de facto, o seu melhor. A qualidade da sua voz não é posta em causa e a dos seus músicos também não, o que correspondeu às expectativas de todos os jovens que gritavam euforicamente entre cada canção. Lovely Lullaby foi um dos momentos da noite. Tocada só ao piano pelo próprio cantor, conseguiu salvar a noite que, a dada altura,estava a cair um pouco na monotonia.

“Tenho feito esta pergunta a todo o lado onde vou edesta veznão será exceção: Vocês têm fogo-de-artifício?” -e assim teve inicio a canção Fireflies, que deixou todosà beira da loucura. Todos cantaram o refrão em voz alta e mostraram que, de facto, “o público português é maravilhoso”.

A partir daqui, o concerto manteve-se num registo soft, bastante tranquilo,com as canções Dreams Don’t Turn to Dust, Kamikaze, Meteor Shower e Galaxies a sucederem-se. A canção Alligator Sky, o primeiro single deste último trabalho do grupo, conta com a interpretação do rapper Shawn Chrystopher, que, mesmo não estando presente, se fez ouvir em gravação, perante elogios sucessivos.

Deer in the Headlights, o mais recente single, trata-se de uma ode ao filme "Back to the Future", peloqual Adam Young confessou ser “extremamente obcecado”. Por fim, The Yacht Club transformou o palco novamente numa pista de dança, com o cantor a exibir alguns passos de dança.

Alguns dos presentes pensavam que realmente o concerto tinha terminado e começaram a sair do recinto, mas depressa o grupo subiu ao palco para tocar mais duas canções: How I Became The Sea, onde um dos músicos surge com um dos gorros em formato cabeça de leão de marca registada Unicorn Kid, e If My Heart Was a House. Os elogios ao púbico e ao nosso país não faltaram mais uma vez e Adam Young saiu abraçado a uma das bandeiras de Portugal que foram atiradas para cima do palco.

Àsaída do recinto estava Unicorn Kid a distribuir autógrafos e a tirar fotografias com os jovens que o abordavam. Durante uma hora e meia de espetáculo, a juntar ainda a primeira parte do concerto, o tempo passou de forma agradável e prazenteira. Qualidade musical é algo que não falta ao grupo, que merecia mais público ou um local mais intimista para exibir as suas canções.

Texto: Ana Cláudia Silva

Fotografias: Graziela Costa

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