O editor discográfico David Ferreira, que coordenou a edição com o cantor lírico Frederico Santiago, afirmou à Lusa que "foi uma aventura de descoberta de um fazer oficinal lançando questões" sobre aquele que foi considerado "o disco perfeito".

Para David Ferreira, esta edição com o selo Valentim de Carvalho/iPlay, é "talvez a reedição mais ambiciosa que se fez em Portugal, quer do ponto de vista de tratamento sonoro, quer da investigação feita e até o tratamento gráfico".

A nova edição é acompanhada de “um romance a várias vozes”, contando “histórias que demonstram como a gravação daquele LP foi tão especial”, a começar pelo “sítio idílico” à época, onde se situam os estúdios Valentim de Carvalho, em Paço de Arcos, os tecnologicamente mais avançados na altura.

Numa das histórias o técnico de som Hugo Ribeiro conta à jornalista Margarida Mercês de Mello, como todos os que participavam na gravação – de Amália aos músicos e ao editor Rui Valentim de Carvalho – iam entre tremoceiros em flor e faveiras ver o nascer do sol.

"O disco perfeito"

Quando foi gravado, em 1969, o editor Rui Valentim de Carvalho qualificou-o como “o disco perfeito”. Todavia, “por vicissitudes várias, provavelmente só na Páscoa do ano seguinte terá saído para o mercado”, afirmou à Lusa David Ferreira, citando os anúncios do LP na imprensa.

Em 1969 foram editados num EP “Cravos de papel”, “Havemos de ir a Viana” e “Formiga Bossa Nova”. O ano de 1969 é, aliás, “meteórico” para a fadista que gravou o álbum nos dias 07 e 08 de janeiro desse ano e nesse mesmo mês estaria em Cannes na Gala do MIDDEM.

Nesse ano atuará na então URSS, Estados Unidos, Roménia, França, Espanha, Brasil e Grécia, além de vários espetáculos em Portugal, designadamente no programa televisivo Zip-Zip ou num chá canasta no Estoril.

A edição celebrativa inclui o álbum “Com que voz” remasterizado e num outro CD gravações das “experiências feitas” pela fadista.

David Ferreira fala até de uma “vida dupla” de Fontes Rocha, aludindo ao músico como segundo guitarra do quarteto e que seria alguém que “tal como Amália inicia uma busca”.

Nesta edição, no “romance que a acompanha”, são explicadas “as peripécias que aconteceram para gravar este disco que o tornou perfeito”, afiança o editor.

Os textos trazem uma galeria de personagens. Desde logo o editor e amigo da fadista Rui Valentim de Carvalho, o técnico de som Hugo Ribeiro, cujo trabalho se confundiu com o da própria editora, os diferentes músicos, o compositor Alain Oulman e até Maria Virgínia Pereira, que no tempo trabalhava no departamento gráfico da Valentim de Carvalho, tentando-se descobrir quem seria o autor da capa.

David Ferreira e Frederico Santiago coordenaram uma obra que contou com as colaborações de Salwa Castelo-Branco Vítor Pavão dos Santos, Sara Pereira, Margarida Mercês de Mello e ainda os “elucidativos” depoimentos de Hugo Ribeiro, Fontes Rocha, José Fortes, Castro Mota, Raul Nery e Joel Pina.

“Quarenta anos depois da edição original de ‘Com que voz’, Amália ainda nos surpreende. Ensina-nos coisas com que nem sonhávamos. E presenteia-nos com novos milagres – muitos deles ocorridos à procura desse milagre maior”, escreve Frederico Santiago.

@Lusa

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