“Nós não temos em mente passar para uma orquestra profissional, estes encontros são para poder juntar as pessoas e tocar em Portugal, falar a nossa língua, comer a nossa comida, um bocado de tudo e fazer música”, resume João Seara, 23 anos, contrabaixista na Orquestra Sinfónica de Londres.

Emigrantes por vontade própria ou por falta de opção, cerca de 50 músicos portugueses a residir no estrangeiro ensaiavam na tarde de segunda-feira na Casa da Música (Porto) preparando-se para o primeiro concerto, em Tibães. Segue-se aquela sala do Porto, na quarta-feira, o Mosteiro da Batalha, na quinta, e o CCB, em Lisboa, na sexta.

Vieram de cidades como Londres, Paris, Berlim, Zurique, São Petersburgo, Madrid e Amesterdão e estiveram com eles a tocar estudantes dos conservatórios, escolas profissionais e academias de música nacionais que tiveram oportunidade, durante um dia, de perceber na primeira pessoa como é ser músico fora do seu país de origem.

É este o caso de João Seara, por exemplo, que, além de tocar na sinfónica de Londres, está a estudar. “Saí por opção, porque queria estudar com um professor que estava em Londres, mas também obrigado, porque não há lugares nas orquestras em Portugal”, explica.
Apesar do apoio que são as bolsas, João Seara diz que é preciso “trabalhar muito para ter dinheiro” para se sustentar: “O trabalho é muito árduo, à semelhança com os outros emigrantes, saímos para trabalhar muito”.

Matilde, 19 anos, está a estudar em Amesterdão e conta que, em relação a Portugal, “é muito diferente o nível, o ambiente é muito internacional”. Lá, contacta “com pessoas de outros sítios, outras formas de tocar música, de trabalhar”, o que considera “muito enriquecedor”.

Para os dois músicos, a experiência da Orquestra XXI tem sido, para já, “muito feliz”, uma ideia partilhada pelo maestro Dinis Sousa, um dos ‘pais’ desta reunião da diáspora de músicos. Foi ele, a estudar em Londres, que com o compositor Manuel Durão teve a ideia que acabaria por receber o primeiro prémio no concurso de empreendedorismo social “Ideias de Origem Portuguesa”, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito da iniciativa FAZ, em parceria com a Cotec.
“Planeámos na primeira semana de setembro, para aproveitar o facto de muita gente já cá estar em Portugal, mas pelo menos 15 vieram de propósito”, explica Dinis Sousa.

Esta é uma forma de estabelecer contactos e experiências que se irão repetir porque, como explica, foram “sabendo de músicos” que nem imaginavam “que existiam, que saíram do país há 15, 20 anos e que ainda não foi possível integrar porque apareceram mais tarde”. Rodar os músicos que participam na orquestra é uma ideia que se impõe.

Agora há quatro concertos para apresentar e o maestro está convicto de que o público não sairá desiludido: “É um trabalho muito concentrado, mas como toda a gente está aqui com muita vontade de trabalhar em conjunto isso facilita imenso e as coisas evoluem muito mais rapidamente, até porque temos aqui músicos mesmo extraordinários”.

@Lusa

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