Na entrevista à revista Popula, publicada um mês e meio depois da sua morte, Anthony Bourdain falou sobre o movimento #MeToo, sobre Harvey Weinstein, Obama, os Clintons, as viagens e a comida.

À revista, o chef revelou como imaginava a morte do produtor norte-americano Harvey Weinstein, acusado de abusos sexuais. "A minha teoria de como ele morre é: ele está a escovar os dentes numa casa de banho, está nu vestido só com o seu roupão famoso, revelador. Está a segurar o telemóvel numa mão, porque nunca se sabe quem é que, do 'comboio Weinstein', o traiu recentemente. E está a escovar os dentes, de repente tem um AVC, tropeça para trás e cai na banheira, com o roupão aberto fora da banheira. Nos seus últimos momentos, faz scroll pela sua lista de contactos à procura de pessoas a quem possa ligar, que vão realmente atender o telefone. E morre assim, sabendo que ninguém o vai ajudar e que não está com a melhor das aparências no momento em que morre", disse Anthony Bourdain.

Já sobre o movimento #MeToo, o chef defendeu que, "se isto resultasse num puritanismo ou numa moral vitoriana seria monstruosa". "Temos a carta de Deneuve e tudo mais; é mesmo difícil encontrar um meio termo aqui", frisou.

"Cresci numa época pós-hippie em que as pessoas estavam a aprender a dizer que sim. Fui uma vez a uma universidade norte-americana e estava rodeado de mulheres. Comecei a minha carreira na universidade de Provincetown que é 90% gay e qualquer mentalidade que existisse nas minhas primeiras cozinhas (…) era sexualmente muito libertadora. Toda a gente dormia com toda a gente, mas há coisas que não se faziam: não se assediava mulheres, não por quaisquer considerações éticas, mas porque isso não era fixe. Simplesmente não era — isso era o que a equipa de futebol fazia", contou.

Na entrevista, o chef falou ainda sobre dança. "Não acho que seja capaz de fazer breakdance. Mas repare, se alguém de quem gosto me ensinasse a dançar um slow, ou me recordasse as minhas primeiras aulas de dança, ficaria muito feliz", contou.

"Se conseguisse dançar tango, asseguro-lhe que o faria até ao último dia da minha vida. Mas não consigo", acrescentou.

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