A tertúlia “Rostos da Portugalidade”, dinamizado pelo secretário-geral da Associação Portuguesa de Escritores (APE), Luís Machado, teve lugar no restaurante “As velhas”, em Lisboa, onde Maria de Lourdes Modesto foi “a grande presente na sua ausência”.

Luís Machado, que colocou no lugar da homenageada o seu emblemático livro de receitas “Cozinha tradicional portuguesa”, apelidado durante o almoço de “a bíblia da gastronomia portuguesa”, explicou que Maria de Lourdes Modesto não pôde comparecer por motivos de saúde.

Com vasta obra publicada, é conhecida por pugnar pela arte de bem comer em Portugal, lutando pela identidade cultural e defendendo uma cozinha de afetos e tradições, assinalou o responsável da APE.

O seu percurso foi recordado, desde os anos do Liceu Francês, quando fez parte do elenco de uma peça de teatro de Molière, “Monsieur de Pourceaugnac”, onde fez papel de intriguista e cuja interpretação ajudou a catapultá-la para a televisão, até ao programa na estação pública, que manteve ao longo de doze anos, e que foi pioneiro deste género de formato de cozinha ao vivo.

Entre as histórias lembradas, contou-se a da sua iniciação na escrita de cadernos de receitas, com o pseudónimo Francine Dupré, que toda a gente julgava pertencer a uma francesa e que se tornaram um sucesso.

O cineasta e produtor português António da Cunha Telles, o homem a quem se deve o movimento vanguardista Cinema Novo, no âmbito do qual apareceram filmes como “Os verdes anos”, de Paulo Rocha, ou “O cerco”, realizado pelo próprio, recordou a sua amizade com Maria de Lourdes Modesto e a proposta que um dia lhe fez para abrirem um restaurante.

“Estávamos nos anos 60, conhecia muito bem Maria de Lourdes, fazíamos parte do mesmo grupo de amigos, e tinha acabado de produzir um filme com Amália, ‘As ilhas encantadas’. Nasceu aí a ideia de abrir um restaurante. Chegámos a fazer um almoço preparativo e decidimos que o restaurante seria na Casa dos Bicos”, recordou.

Segundo o cineasta, o restaurante não avançou por uma razão “absurda”: “Estávamos todos de acordo e não tínhamos problemas de dinheiro, mas todos tínhamos atividades importantes e era difícil arranjar tempo, por isso não avançámos”.

Os pratos preparados para o almoço tertúlia foram elaborados pelos chefes António Nobre, Hélio Loureiro e Justa Nobre.

Maria de Lourdes Modesto, nascida em Beja há 89 anos, ficou conhecida como “a diva da gastronomia portuguesa”, tendo sido feita Comendadora da ordem do Mérito em 2004.

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