Criada pelo Teatro da Garagem, a peça “Black Stars” é a 100.ª montagem deste coletivo, tem texto e encenação de Carlos J.Pessoa, e chega agora a Lisboa, depois da estreia em Milão, em 2018, onde foi distinguida nos prémios Il Teatro Nudo di Teresa Pomodoro.

Para o Teatro da Garagem, que celebra 30 anos de atividade regular, “Back Stars” é um espetáculo “sentido e triste”, sobre o questionamento que cada ser humano faz de si próprio, convidando cada um a entrar no lado “negro” da sua personalidade “de cadeias acesas”.

“Afinal, estamos vivos e podemos ser felizes, sem fórmulas acabadas”, argumenta Carlos J. Pessoa sobre o espetáculo interpretado por Inês Pereira, Rita Monteiro e Ana Palma, que também assistiu Carlos Pessoa na encenação.

Uma Black Star é, segundo Carlos Pessoa, um tipo de divindade pós-científica e pós-humana, que existe com o advento da inteligência e da consciência artificial, assim como quando do refazer do corpo humano com metais, segundo critérios quânticos.

Black Star/Estrela Negra é, pois, uma forma subversiva, inesperada e fascinante de ser, acrescenta.

Quando as paralelas se cortam no infinito “temos uma Black Star, um pouco como o ponto de interceção de uma reação entre opostos: pesado, leve; escuro, claro; áspero, suave”, acrescenta o autor e encenador da peça, sublinhando que uma Black Star também surge como resultado de uma desistência alargada de viver, resultante “de uma incompatibilidade generalizada com a vida como a conhecemos”.

“Uma Black Star começou por ser alérgica à vida, uma alergia letal que a afastou de tudo e todos", concluiu.

O espetáculo estreou-se em Itália, em língua italiana, no Spazio Teatro No'Ma, em Milão, em fevereiro de 2018. E em novembro do ano passado, o Teatro da Garagem foi galardoado com a Menção Honrosa no Prémio Internacional Il Teatro Nudo di Teresa Pomodoro, pela obra.

O júri que atribuiu o galardão integrava elementos destacados no panorama internacional do teatro contemporâneo, entre os quais os encenadores e diretores Peter Stein, da Schaubühne am Lehniner Platz, da vanguarda alemã, que dirigiu durante 15 anos, o autor Eugenio Barba, fundador de teatros italianos, como o Odin, o espanhol Lluís Pasqual, e o escritor, filósofo japonês, diretor de teatro, Tadashi Suzuki.

Com música e composição sonora de Daniel Cervantes, cenografia e figurinos de Sérgio Loureiro, o espetáculo tem direção de produção de Maria João Vicente.

A peça vai estar em cena até dia 24, com récitas de quinta-feira a sábado, às 21:00, e, aos domingos, às 17:00, informou aquele coletivo, com sede no Teatro Taborda, sala de espetáculos situada na Costa do Castelo, em Lisboa.

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