Na chamada cidade-berço, os efeitos de Guimarães 2012 continuam visíveis nas lojas, no posto de Turismo, nos monumentos, na "referência cultural" que Guimarães se tornou para a "criação de cultura".

Pelas ruas da cidade, o coração que serviu de apresentação e representação de Guimarães2012 é visível em praticamente todas as lojas, "tornou-se símbolo da cidade", explicam os lojistas, que, embora reconheçam que o evento continua a marcar o pulsar do comércio, referem que os anos seguintes a 2012 foram "duros e de retrocesso" no negócio.

"Tudo naquele ano foi bom. Havia atividades diárias, espetáculos, o renascer da nossa história, da nossa portugalidade. Abriram muitas lojas de artesanato, galerias, a restauração teve um impulso, foi, sem dúvida, o momento mais marcante de Guimarães, depois da classificação pela UNESCO do nosso centro histórico como Património da Humanidade", descreveu à Lusa a ex-vereadora da Cultura da autarquia, Francisca Abreu, que exerceu o cargo nos anos que antecederam a CEC e até 2013.

Para a responsável, mesmo com o poder político a "antecipar de alguma forma o efeito ressaca, que é normal depois de um ano tão intenso", ainda assim "muita coisa perdurou".

"Se a cidade já tinha uma dinâmica cultural invejável e pouco comum à dimensão de Guimarães, com a CEC isso não acabou, pelo contrário, a cultura e as atividades culturais enraizaram-se no dia-a-dia dos vimaranenses", apontou.

O "símbolo" CEC levou também Guimarães a assumir-se como "um centro cultural mais desenvolvido e como um novo polo turístico de excelência", com o aumento do número de visitantes aos monumentos da cidade a "manter um nível de crescimento consistente".

"A cidade mudou. Não só pelas estruturas que surgiram, como a Plataforma das Artes e da Criatividade, ou a Casa da Memória, ou muitas outras mais pequenas que foram criadas para aquele ano, mas que perduram, mas também por iniciativas como a Outra voz (Coro comunitário) que ainda se mantêm ativas", referiu Francisca Abreu.

Os vimaranenses, "mas não só, começaram a encarar a Cultura como uma coisa do dia-a-dia, que deve ser acessível a todos e não como uma atividade de elites".

Para a então responsável, esse foi um dos "grandes legados" da CEC: "A democratização da cultura, a perceção de que a cultura é um bem essencial e não um luxo", refletiu.

A CEC teve importância para a cidade "também para cimentar e alargar os horizontes de eventos que já aconteciam", como o Guimarães Jazz, os Festivais internacionais de Teatro ou o Guidance, festival internacional de dança.

No entanto, há um outro lado da medalha: "Não podemos negar que sete anos depois desapareceram muitos dos negócios criados naquele ano, que se perderam oportunidades de cimentar novas criações, e que, apesar do muito que foi feito, mais podia ter sido feito", disse.

Por isso, a responsável deixa um alerta à próxima cidade a ostentar o título de CEC.

"Tão importante é preparar o ano em si como o ano anterior e acautelar os anos seguintes. Uma CEC não é um evento de apenas um ano e é bom ter isso em consciência", disse.

Portugal voltará a ter uma Capital Europeia da Cultura em 2027, simultaneamente com uma cidade da Letónia, tendo sido Guimarães a terceira cidade portuguesa a ostentar aquele título, depois de Lisboa, em 1994, e do Porto, em 2001.

Aveiro, Leiria, Faro, Viana do Castelo, Coimbra, Évora, Braga, Guarda e Oeiras já anunciaram que vão apresentar uma candidatura.

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