A peça que assinala as quatro décadas da Companhia de Teatro de Braga (CTB) e o regresso daquele anfiteatro romano à atividade, anunciados na quarta-feira, constituem, segundo o diretor da companhia, Rui Madeira, "um marco do ponto de vista da importância de reconhecer nas mulheres as grandes mártires das guerras e do que vai acontecendo no dia-a-dia".

A tragédia grega vai subir ao palco entre 25 de setembro e 10 de outubro, de terça-feira a sábado, às 21:30, com lotação máxima de 100 espectadores, mas o diretor da CTB deixou já um desafio para o pós-COVID-19.

"Após a pandemia, a nossa vontade é fazer uma experiência. Tal como estão as ruínas, fazer uma espécie de festival de teatro clássico, pedir ajuda para criar aqui uma plataforma com outro tipo de condições técnicas, fazer espetáculos", afirmou.

Sobre as condições atuais das Ruínas da Cividade, Rui Madeira explicou que o estado do "local sagrado" leva a que a CTB precise da ajuda dos moradores da zona.

"Temos aqui uma acústica fenomenal, vamos pedir aos cidadãos que ponham lençóis brancos nas paredes para que possamos projetar partes da peça. Vamos precisar dos cidadãos da freguesia e contribuir para chamar a atenção para estas linhas, e projetar elementos de um teatro romano", apelou.

Rui Madeira lembrou que Braga é uma cidade "com uma profunda marca romana identitária, tem a sua festa romana", e que lhe "fazia confusão" não se aproveitar aquele espaço, no contexto artístico.

Na apresentação do projeto, o vereador do Património, Miguel Bandeira, realçou que a realização do espetáculo naquele local pode "acelerar e demonstrar, perante as entidades, a importância de devolver o uso e a atividade a estes locais".

Segundo Miguel Bandeira, os vestígios romanos que proliferam em Braga devem "ser sentidos e interiorizados" pela cidade.

As Ruínas do Teatro Romano da Cividade são imóveis classificados como de interesse nacional e internacional.

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