"Podemos construir hospitais temporários, centros de triagem, salas de isolamento. Temos em armazém e disponíveis tendas, contentores, mobiliário, geradores, aquecedores, sistemas de canalização, sistemas elétricos. Podemos também montar este tipo de estruturas em espaços que sejam disponibilizados pelos proprietários que não os estejam a usar. Temos os sistemas informáticos que controlam acessos e que com pequenas adaptações criam fichas de utentes/clientes com mais alguns campos necessários para o controlo das temperaturas, horários de medicação", lê-se no comunicado assinado por organizadores de festivais como o EDP Vilar de Mouros e Revenge of the 90s.

"Usem-nos como um recurso para ajudar a força médica", apelam os promotores, que já mobilizaram mais de meia centena de entidades, de promotores de espetáculos e agentes, a editoras, organizadores de eventos, detentores de espaços e meios técnicos, assim como fornecedores de diferentes serviços, do 'marketing' à segurança.

As entidades têm por objetivo reunir esforços para apoiar a comunidade médica e a população, salienta o comunicado, adiantado que têm "pessoas disponíveis para trabalhar", já que "a totalidade da indústria de eventos está 100% parada", e "é uma indústria que emprega em Portugal 30.000 pessoas".

Os promotores sublinham que têm experiência em "controlar multidões, centros de compras, logística e construções de estruturas complexas".

"Precisamos, mais do que nunca, de estar unidos", lê-se na mensagem, que acrescenta: "Temos dos melhores profissionais do mundo e as pessoas mais criativas, brilhantes e talentosas nas nossas equipas. Estamos habituados a tratar situações de emergência e a trabalhar sob pressão".

No comunicado, assinado por Diogo Marques (Festival EDP Vilar de Mouros), Paulo Silva (Revende of the 90s) e Ricardo Acto, que tem sido responsável pelas operações do Rock-in-Rio, é também feito o apelo "a todas as produtoras, proprietários de espaços, agências, empresas de serviços, freelancers, audiovisuais, meios, empresas de contentores, geradores, tendas e estruturas, vídeo, marketing, webdesign" para se juntarem a si, no auxílio ao Serviço Nacional de Saúde.

Os promotores deixam os endereços bit.ly/eventos_sns e bit.ly/meios_eventos, para outras entidades aderirem à iniciativa.

Também na segunda-feira, a Science4you, empresa portuguesa de produção e desenvolvimento de brinquedos científicos, demonstrou-se "totalmente disposta a disponibilizar de forma gratuita qualquer área das suas instalações e de meios ao seu dispor para a produção de materiais que auxiliem e aumentem as ferramentas de prevenção" da COVID-19.

"A Science4you dispõe de salas de produção e máquinas de enchimento automáticas que podem ser utilizadas no enchimento de gel desinfetante", além de possuir "quatro linhas de montagem que podem ser usadas" para a produção de materiais como máscaras de proteção, "caso a adequabilidade destes espaços, face aos standards de qualidade necessários, seja verificada pelas entidades competentes/oficiais".

A Galeria Monumental, em Lisboa, lançou igualmente o apelo, "a pedido de amigos médicos", de recolha de máscaras e fatos de proteção, nas suas instalações, como os usados em obras, ou por artistas, em escultura e pintura, para os doarem a hospitais.

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de quinta-feira, até 2 de abril, de forma a combater a pandemia de COVID-19.

A pandemia já infetou mais de 341 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 15.100.

Em Portugal, há 23 mortes e 2060 infeções confirmadas, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde.

Dos infetados, 201 estão internados, 47 dos quais em unidades de cuidados intensivos.

Mais informações sobre o COVID-19.

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