A chuva da manhã é esquecida lá fora e é preciso aproveitar bem a hora que passa a correr. E a dançar, a gesticular e, principalmente a cantar. Há uma Rosa de saia, luzinhas que piscam, uma loja com um mestre chamado André e um grande sapo.

“Começamos por nos mexer um bocadinho. Usamos sons de animais para eles fazerem barulho, mexemos as pernas, os pés e as mãos, batemos palminhas, dançamos”, descreve à agência Lusa Ana Rocha Gaspar, a dinamizadora do curso que acontece dois sábados por mês no bairro de Wilmersdorf, em Berlim.

“Está a correr muito bem e a ser muito divertido. Têm vindo os mesmos pais e tive a oportunidade de perguntar o que querem fazer, o que funciona e não funciona, o que é que posso melhorar para que isto corra mesmo bem”, explica a cantora, formada em jazz no conservatório de Bruxelas.

A ideia, conta Ana Rocha Gaspar, que foi mãe há alguns meses, surgiu da conversa com uma amiga parteira e da vontade de trabalhar com crianças e canções infantis. As músicas foram-se juntando aos poucos e o grupo já está consolidado.

“Havia umas que eu sabia que queria cantar, porque acho giras e porque me lembro de cantar com a minha avó e com os meus pais. Depois também houve várias sugestões. Fui colecionando e juntando ao repertório que já tinha”, descreve.

Há canções que as crianças não conhecem, outras que identificam imediatamente. Mas o curso é também uma descoberta para muitos pais.

“Algumas já conhecia, outras não”, revela Anna Militzke, que acompanha dois filhos e uma sobrinha. Já Sara Maurício admite que “conhecia todas, mas as letras estavam esquecidas” sendo esta “uma forma muito boa de relembrar”.

Ana Rocha Gaspar, filha de mãe portuguesa e pai alemão, nasceu em Berlim, mas dividiu a vida entre Portugal e a Bélgica. Há dez anos voltou para a capital alemã onde dá aulas de canto e concertos. O sistema do curso é “bastante aberto”, senta-se no chão, toca guitarra e canta com as crianças.

“Fiz uns desenhos para se lembrarem das canções e identificarem. Tudo isso fui crescendo. Quando noto que estão fartos de estar sentados, levantamo-nos outra vez, saltamos, abanamos os braços e as pernas, ou dançamos de novo e fazemos uma roda. Vamos variando e adaptando”, explica.

Ao “Pinheirinho” juntam-se os gestos que apontam as bolas e os bonequinhos imaginários, e as luzinhas que piscam. Até os mais tímidos participam.

“Nas primeiras aulas ficaram muito admirados, sem saber bem o que fazer, mas agora já participam mais. Então em casa, cantam muito”, ri Anna Militzke.

“Acho importante ouvirem mais português. Cantar, ouvir música em português e outras crianças a falar faz-lhes bem”, acrescenta.

Vários desenhos coloridos espalhados no chão mostram instrumentos, animais, objetos. Todos estão relacionados com as canções infantis portuguesas.

“Estou junta com um alemão e o meu filho frequenta um infantário alemão, está exposto às cantigas e à cultura alemãs, por isso achei importante integrá-lo também na cultura portuguesa, ter contacto com outras crianças e músicas portuguesas”, realça Sara Maurício que trouxe o filho de quase dois anos e meio.

“É uma criança bastante tímida e essa foi uma das razões para eu vir, mas tem interiorizado as canções. Não canta durante o curso, mas canta em casa”, sublinha.

O curso de canções infantis portuguesas retoma em janeiro.

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