E“Vou publicar no fim de novembro o diário de prisão, aquilo que o Luaty escreveu enquanto esteve preso, embora não tenhamos todos os cadernos que ele escreveu, porque alguns ficaram retidos pelos guardas prisionais e ele não consegue recuperá-los”, indicou.

Luaty Beirão foi um dos 17 ativistas detidos em junho de 2015 em Luanda e condenados em março deste ano pela justiça angolana a penas de prisão entre dois anos e três meses e oito meses e meio por “rebelião e associação de malfeitores”, provisoriamente libertados em junho e depois abrangidos por uma amnistia geral.

O diário do ativista de 34 anos, uma das vozes mais críticas do regime angolano liderado por José Eduardo dos Santos contém, por exemplo, “listas do que ele precisava para comer, porque na prisão – e ele esteve em várias –, não aceitava nenhuma comida dada pelos guardas prisionais, por haver um grande risco de ser envenenado”, revelou a editora.

“Ele só comia aquilo que a família lhe levava - e que tinha de poupar muito - e descreve as celas, os ratos nas celas, a vida na solitária, o que ouvia nas outras celas… É muito impressionante o relato dele”, observou.

Além do diário original, o livro incluirá também uma longa entrevista do Carlos Vaz Marques ao rapper e engenheiro eletrotécnico luso-angolano, a solução considerada pela editora “a mais interessante para contar a história do Luaty”.

“Na entrevista, o Luaty vai relatar o resto, aquilo que não está no diário, desde o processo à prisão, à greve da fome e, agora, a esta amnistia e àquilo que ele quer fazer no futuro com o que se tornou – porque se tornou, de facto, o símbolo da libertação de Angola”, frisou Bárbara Bulhosa.

Em abril, o jornal Público revelou alguns excertos dos textos escritos pelo rapper. "O nosso país passou por (quase) ininterruptos 41 anos de guerra (1961-2002) e, ao dissipar do cheiro da pólvora e do fumo dos monacaxito, despontam todos os horrores da carnificina, dos traumas, dos desarranjos que deixaram profundas cicatrizes na psique do povo angolano, tão injustamente martirizado, um povo que, como todos os outros alheados dos centros de decisões, deseja apenas viver em paz e harmonia",começa por escrever Luaty Beirão no diário.

O ativista frisa ainda que o perdão deve ser incondicional. "É preciso saber o que se perdoa e isso pressupõe confissão, um ato que aqui deve ser entendido como nobre e patriótico, pois é do futuro das gerações vindouras que se trata e para se atingir a verdadeira paz é preciso, necessário, essencial, purgar rancores que carregamos nos nossos corações", explica.

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