Com edição do primeiro álbum prevista para "março ou abril de 2021", como revelou à Lusa, contando com uma versão de Sérgio Godinho e a participação de outro antigo membro dos Ornatos Violeta, Manel Cruz, entre outros nomes, o primeiro single, "Bílis", antecipa-se e chega no próximo dia 16, com uma participação de peso: o saxofonista Dana Colley, célebre por ter feito parte dos norte-americanos Morphine, além de Miguel Lestre, dos Prana.

"Adoro Morphine, e o Ramón [guitarrista da banda] ainda mais. Conheceu o Dana Colley em Boston, e lembrou-se de lhe mostrar a 'Bílis', pedindo-lhe para ele participar. Aceitou gravar, e gravou saxofone tenor, barítono, barítono elétrico... Tem saxofones incríveis, ganharam um espaço preponderante na canção", conta.

Embora reconheça que é "engraçado começar com um tema com um 'tubarão' destes, com tanto bom gosto e simpatia", este convite "não foi uma jogada comercial". "Foi porque a 'Bílis' parece uma melhor canção de visita, diferente da maior parte dos outros temas", explicou à Lusa.

Elísio Donas descreve este como "um projeto de vida", que já traz consigo desde 2012, quando viajava de carro e viu um gato morto. "Achei que era um nome engraçado, com toda a carga emocional desse nome tão estranho e negro", afirma.

Apesar de ter recebido "uma reação muito ativa e muito forte" contra o nome por parte de algumas pessoas, manteve-o pela sua "razão muito forte de existir", enquanto uma personagem que, "por erros de vida não intencionais", perdeu as sete vidas, recebendo outras de um poder superior.

"Tem mais quatro ou cinco vidas, já perdeu duas ou três, porque não aprendeu a lição toda, mas luta para ser melhor. Já é melhor do que foi. É uma personagem à procura de melhorar diariamente", resume, num caminho que também está explícito em "Canção do Gato Morto".

O músico encontrou, depois, as "pessoas certas" ao longo dos anos, e espalhados pelo país, com Inês Sousa, na voz, Ramon, na guitarra, Paulo Franco, na bateria, e Luís Henrique, no contrabaixo e no baixo, um "coletivo" a que se juntam várias outras pessoas com colaborações, ideias e parcerias.

"É um projeto curioso, um coletivo artístico mais do que uma banda", apontou.

Como sempre compôs, não só nos Ornatos como noutros projetos, este disco nasceu "todo ao piano", criando um álbum "dos amigos", com canções "muito harmónicas, com muitos acordes, muito melódicas".

Sobre influências, surge "às vezes um bocado de Supertramp, ou Jorge Palma em algumas coisas do piano", e "há quem encontre uma coerência entre as canções, uma sonoridade visível", como que um corpo de composição comum que sai de Donas e se manifesta, depois, na forma como os músicos interpretam cada tema.

Com a participação de vários letristas, de Vicente Palma a Fernando Guerreiro, passando pelo próprio Manel Cruz, torna-se "um disco grande, de amigos, com uma mistura grande", dando corpo ao coletivo "de pessoas a participarem e a darem o seu melhor", mas sem perder "uma identidade de cinco pessoas, forte", em palco ou no estúdio, e saindo, na mesma, de uma vocação pessoal de Elísio Donas.

Ao vivo, a banda tornará evidente "a beleza e o amor à música" que os une, mas essa vertente só surgirá no próximo ano, quando o disco estiver para ser lançado, numa edição de autor que Donas pretende que venha a ter uma distribuidora nacional.

Depois de vários anos a "fazer as músicas e trabalhar em arranjos", este "projeto mais importante" que Elísio Donas abraçou quer-se mais duradouro do que outros, que já terminaram, "por cansaço, por atritos" ou por outras razões.

"Dou a vida [pelo projeto], e nunca trabalhei tanto, nunca investi tanto, mesmo em termos de tempo. Nos Ornatos, podia não ir ao estúdio, confiava cegamente nos meus colegas. No Gato Morto, tenho de aparecer todos os dias", confessa.

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