O Musicbox é já uma das instituições da música portuguesa. Por norma é um dos lugares de passagem de várias bandas portuguesas, bem como o espaço ideal para vermos futuros nomes promissores da música nacional. Na passada sexta, até nem era bem essa a premissa que se destacava da noite. Afinal de contas, a estreia do novo álbum, Falsa Fé, de Cavalheiro, foi o que suscitou a presença de público no espaço do Cais do Sodré. Mas, nesta noite que se aventurava fria, foram os Príncipe que aqueceram as paredes da sala.

De vez em quando, lê-se histórias de bandas que contam que nos primeiros concertos atuaram para meia dúzia de pessoas, que a maioria eram só amigos, isto anos antes de ganharem fama.

Se tudo correr bem, esta poderá ser a história dos Príncipe, que actuaram na passada sexta-feira, no Musicbox, na primeira parte do concerto do Cavalheiro.

O Príncipe, também conhecido por Sebastião Macedo, é mais conhecido por fazer parte dos Ciclo Preparatório. Numa sonoridade pop, mas acompanhada por uma parte eletrónica (quase como fosse James Blake, versão portuguesa) , Príncipe, acompanhado por guitarra e baixo, tocou alguns temas que compõem o álbum “A chama e o Carvão”.

Veja as fotos do concerto:

Numa lufada de ar fresco, os temas são tocados com uma leveza, quais flores a nascerem na primavera. Logo na orelha ficou o tema “Cabeças de Vento”, que é uma cover da Amália Rodrigues, mas interpretado de tal maneira que ninguém iria pensar que era fado.

A registar que dia 12 estarão pelo Decadente, em Lisboa. Quem quiser, tem uma oportunidade de ouro para ver um dos próximos nomes emergentes cá de Portugal.

Pouco depois, entravam em palco, vindo de Santo Tirso, Tiago Ferreira, também conhecido por Cavalheiro. O artista, acompanhado por banda, veio apresentar o álbum Falsa Fé, como já citado, 9 anos depois de ter lançado o seu primeiro EP, e também de se ter estreado ao vivo.

Cavalheiro, que começou a tour no Porto, ainda não tem muita projecção em Lisboa, por isso é que se pode justificar uma plateia relativamente vazia. Mas isso não foi factor impeditivo do cantor se aventurar além-Douro com temas do novo e do antigo álbum.

Apesar de ter apresentado pouco à-vontade no palco, na interacção com o público (também é verdade, quem é que vai a um concerto à espera que o músico converse com a plateia?), revelou-se um pouco a medo nas interpretações de alguns temas. Ainda assim, do Falsa Fé, destacou-se o próprio tema que dá nome ao álbum (e que é o favorito do próprio artista) mas também temas como Dançar Também, Cadafalso (que é a história de um ateu em Braga, em época da semana santa) ou Remocei, o segundo single deste álbum, foram pontos altos num concerto que às tantas não ficará na memória de muita gente.

Um pequeno reparo que faz sentido fazer menção. Há uma descrição sobre o artista no Facebook, que é o seguinte: “Aquilo que procura é, acima de tudo, a intimidade, num espetáculo em que o silêncio é quase tão importante como a melodia”. Infelizmente, esta descrição não está em inglês, já que houve um momento que um grupo de ingleses decidiu falar mais alto que o som que saia das colunas. Há que aplaudir a determinação da banda em não fazer caso da situação, e superar um pequeno contratempo.

A vida de estrada de Cavalheiro continua, desta vez segue para norte, para Bragança, onde a dia 30 de Março, actuará no Museu Abade de Baçal, e a 12 de Abril no Teatrão, em Coimbra.

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