“Receber miúdos que veem coisas do século XXI e usar unicamente metodologias do século XVIII não funciona. Procuramos mostrar-lhes que o que eles ouvem no dia-a-dia pode ser executado com os instrumentos clássicos”, descreveu, à agência Lusa, o presidente da direção da escola, Ricardo Mota.

Em causa um estabelecimento de ensino clássico localizado no interior do concelho de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, que é a quarta escola a nível nacional que mais estudantes do Secundário acolhe, algo que Ricardo Mota atribui quer à “abordagem diferente” quer ao “espírito familiar”.

“Procuramos trazer as famílias para a escola, tentando que estas também usufruam da música, e procuramos mostrar que o instrumento clássico pode ser usado em linguagens modernas e contemporâneas”, referiu o também professor de guitarra clássica.

A aposta na música de conjunto é outra das características da Escola de Música de Perosinho, um aspeto que se traduz nas orquestras e nos coros que esta instituição “oferece” à comunidade, como acontecerá dia 28, no Mosteiro de Grijó, com um concerto da PerGaya que na manhã de sábado, dia 15, deu retoques a um repertório que incluiu uma opereta de Jacques Offenbach ou ‘A lista de Schindler’ de John Williams, bem como obras de Benjamin Britten, um compositor inglês reconhecido pela música erudita do século XX.

“Tentamos fazer com que os alunos utilizem as suas competências, os instrumentos que aprenderam, em conjunto e que usufruam em conjunto porque isso também vai despertar competências transversais como a camaradagem e a solidariedade, valores que prezamos nesta instituição”, acrescentou Ricardo Mota.

No ensaio, os violinos e violoncelos articulam-se com as madeiras e os metais de sopro. E às cordas juntam-se instrumentos de percussão e um piano. No centro, de batuta na mão, o maestro rodeado de partituras.

O maestro é o diretor artístico e coordenador de projeto, João Mota, que confirma à Lusa a preocupação da escola em procurar alternativas para continuar a atrair alunos, isto tendo em conta, refletiu, que “o sistema de ensino clássico é um sistema de ensino que se replica há cerca de 300 anos e que se ensina da mesma forma e muitas vezes com o mesmo repertório”.

“Então começamos a procurar alternativas a este modelo. O primeiro passo foi o repertório. Escolher peças que misturam um estilo mais erudito com um estilo mais popular ou até obras de pop e rock. Depois as metodologias diferentes, mas nunca desvirtuando o objetivo principal que é formar os alunos nos instrumentos clássicos”, acrescentou.

João Mota junta aos argumentos para descrever esta abordagem a convicção de que hoje em dia os jovens esperam recompensas rápidas, isto quando estudos apontam que para que um aluno atinja um nível de final do ensino Secundário na música tem de fazer um investimento de cerca de 10.000 horas de estudo.

“É nossa missão cativar os miúdos que nos chegam com motivações diferentes das do passado. Pretendemos que quando investem num instrumento, todos os momentos deles sejam momentos positivos”, apontou João Mota que falava à Lusa após um ensaio que juntou dezenas de alunos e ex-alunos da escola, entre os quais Pedro Castro, 27 anos, ao violino, e Carolina Costa, 16, no violoncelo. Separa-os a idade e a ambição profissional. Une-os a paixão pela música.

“Passei por várias atividades antes de escolher a música e este foi o sítio onde me senti mais confortável. Continua a ser um prazer. Muitos de nós não seguiram música, mas este ponto comum de partilha é algo que não existe em mais lado nenhum”, contou Pedro Castro, recentemente formado em medicina, e ex-aluno da escola.

Ao lado Carolina Costa, aluna de articulado que toca violoncelo desde os três anos, conta que não tem a ambição de me cingir a este instrumento e quer fazer da música a sua vida.

“Pode-se fazer muitas coisas com a música. E mesmo dentro de uma orquestra podemos fazer parte de várias orquestras diferentes e projetos educativos diferentes. Gostava de me envolver na educação e na criação de projetos novos”, descreveu.

A Escola de Música de Perosinho, na qual foi criada recentemente uma Associação de Estudantes, é a primeira escola de música portuguesa a apostar em formação internacional de professores via ERASMUS+KA1.

Além das orquestras com jovens e adultos, a escola aposta em projetos infantis e realiza os “Concertos em Família”, espetáculos com o apoio da Câmara de Gaia, distrito do Porto.

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