O sol "está meiguinho" para esta altura do ano, comenta Jorgina Medeiros, 31 anos, artista plástica, com "dez anos de 'Milhões' no lombo", sentada em frente ao Placo Taina, um dos quatro palcos do recinto. Ao lado, sete irlandeses, cervejas na mão, ombros bafejados pelo sol, dizem-se "maravilhados, encantados, surpreendidos, rendidos, conquistados" e mais não dizem, porque "já não se lembram de mais adjetivos" pelo ambiente do festival Milhões de festa.

Durante a tarde é a piscina que concentra "mais malta", explica à agência Lusa a "especialista no 'Milhões'", Jorgina Medeiros, mas ao final da tarde, "a turbe vira-se para os palcos principais e o mundo para". Este é um festival que só é possível aqui.

"Acredito que tudo seja estranho para quem vem aqui a primeira vez. De tarde vê uma piscina cheia de adolescentes, com espinhas e cortes de cabelo estranhos, uns fatos de banhos muito alternativos, mas tapadinhos, nada de indecências que isto é mesmo uma festa de família, e à noite a música não é propriamente de embalar, ou bailarico, o que não é muito típico de cidades pequenas", resumiu a veterana Jorgina, "quase mobília" do 'Milhões', como afirma.

Monotonia é algo que não há no 'Milhões'. Entre saltos para a água, a tradicional cascata em cogumelo das piscinas infantis, as corridas adolescentes à beira da piscina ou o mais adulto bar de bebidas - álcool, muito álcool -, a música, "estranha, duma outra dimensão" ouve-se: "Muito do que hoje aqui se ouve ninguém conhece. E daqui a um, dois, três anos começa a passar nas rádios, tem sido assim", conta a festivaleira,

E muitos estrangeiros. "Cada vez mais", confirma à Lusa Joaquim Durães da organização do evento: "É o resultado de alguma aposta em parcerias e de muito passa a palavra, que, neste tipo de eventos, ainda acaba por ser o que funciona melhor".

Em cinco minutos, através do recinto, cinco passos dados, oito perguntas feitas, encontram-se seis nacionalidades: irlandeses, ingleses, japoneses, brasileiros, mais ingleses, um turco e espanhóis.

"Viemos por acaso. O Paul esteve a fazer Erasmos em Braga, há três anos, e veio ao festival nessa altura. Gostou. Viemos visitar Portugal, ele apercebeu-se ontem que era altura do festival e, bem, cá estamos", confidenciou Winnie Wills, inglês, 25 anos, um de um grupo de quatro.

A um metro, outro grupo, outra língula. "Não é bem o que estávamos à espera. Quando nos falaram de uma festa na piscina, pensámos em algo mais calmo, mas tem a sua piada. É uma experiência", admitiu Pillar Marinho, 42 anos, espanhola.

Naquele que é considerado o "primeiro dia 'à séria'" do festival, já que, na quinta-feira, com um palco, "foi só para a máquina aquecer", os destaques vão para o concerto do Palco Fusco Lusco, às 20:00, com Nightman, e para o Palco Milhões, às 21:00, com o Conjunto Cuca Monga.

A noite termina com Switchdance, às 04:00, no Palco Lovers.

Nos três dias de festival a organização estima que irão passar pelo recinto cerca de dez mil festivaleiros, "muito para um evento do género".

Até domingo, em Barcelos, nem o galo vai dormir.

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