De acordo com um comunicado da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), esta inauguração marca a reabertura da galeria de exposições temporárias do Museu Nacional do Teatro e da Dança (MNTD).

Patente até ao dia 13 de março e com curadoria de Paulo Ribeiro Baptista, esta exposição temporária é demonstrativa dos valores modernistas na fotografia das décadas de 1920 e 1930 de Silva Nogueira, também conhecido como o fotógrafo dos atores.

De acordo com o mesmo texto, os 26 retratos que compõem “Corpos Modernos do Palco” permitem explorar diferentes dimensões de modernidade no início do século em Portugal.

A mudança estética do retrato, que passou a incorporar novidades do cinema, como o grande plano ou os efeitos de luz; a transformação do espetáculo teatral português, não só em termos de repertório mas, sobretudo, na sua dimensão visual; a disseminação das imagens fotográficas através dos novos magazines ilustrados, expoentes do cosmopolitismo; a revelação de uma emancipação e empoderamento da mulher, que assume o próprio corpo como uma estética moderna e com uma dimensão performativa, são as principais alterações que as fotografias de Silva Nogueira testemunham.

Com “Corpos Modernos do Palco”, o MNTD inaugura um novo ciclo de exposições temporárias que irão ocupar diferentes espaços do museu.

Após meses de encerramento, devido à situação pandémica e obras de melhoramento, esta é a primeira de um conjunto de exposições que pretende dar a conhecer peças únicas e nunca expostas da coleção do museu, bem como contribuir para o conhecimento e divulgação da história das artes performativas em Portugal, indicou a DGPC.

Depois de Lisboa, esta exposição circulará pelo país, estando prevista a sua apresentação no Centro Português de Fotografia, no Porto, entre abril e junho.

Joaquim da Silva Nogueira (1892-1959) nasceu numa família de fotógrafos e cedo ingressou no estúdio fotográfico lisboeta Fotografia Brasil, de Carlos Silva.

No início dos anos 1920, após a morte do proprietário, Joaquim da Silva Nogueira assumiu a direção artística do estabelecimento, adquirindo-o pouco tempo depois.

O seu olhar fez-se sentir, desde logo, no trabalho do estúdio, cujas condições renovou para o dotar dos mais avançados meios para o retrato, sobretudo em termos de iluminação e espaços amplos, características que agradavam aos atores e bailarinos dos palcos portugueses.

A relação que Silva Nogueira estabeleceu com esses artistas foi além da prática do retrato convencional e aproximou-se de um registo de performance, pela liberdade que assumiu na sua relação com os retratados.

Segundo a DGPC, “as longas séries fotográficas que realizou nas décadas de 1920 e 1930 com Luísa Satanela, Francis Graça, Corina Freire ou Mafalda Evanduns provam, pelos limites que quase transgridem, a profunda cumplicidade que conseguiu estabelecer com cada um deles”.

“A novidade das imagens que resultaram dessas sessões testemunha a importância do trabalho de Silva Nogueira no contexto da fotografia portuguesa desse tempo, e também a sua inédita capacidade de transformar a imagem visual e pública desses artistas”, acrescentou a DGPC.

O curador da mostra, Paulo Ribeiro Baptista, doutorado em História da Arte Contemporânea e da Fotografia com uma tese sobre Silva Nogueira, tem estudado as ligações entre artes plásticas, fotografia e teatro, particularmente no período modernista.

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