Morrissey fez inundar o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, trazendo a digressão "World Peace Is None Of Your Business". Num concerto que muito prometia, depois de, há dois anos, cancelar à última das últimas horas o seu espetáculo em Cascais, Moz - como é acarinhado pelos fãs - levou pessoas de todas as idades para a Avenida da Liberdade.

Morrissey Coliseu

Entretendo o público com clássicos do rock em suporte de vídeo, desde os Ramones aos próprios Rolling Stones, foi-se criando um nervoso miudinho nas gentes que ansiavam por avistar o britânico nesta segunda-feira. Mal entrou em palco, Morrissey recebeu uma ovação que animaria qualquer um. Começou o seu espetáculo com The Queen Is Dead, tema dos The Smiths, fazendo-se acompanhar por uma imagem algo controversa da própria Rainha de Inglaterra - como não poderia deixar de ser, não é verdade?

O concerto prosseguiu e o ex-vocalista dos The Smiths não fazia jus à sua idade, sempre movimentado e com o vozeirão a que nos habituou desde sempre; porém, não fazia também jus ao mito que se criara à sua volta. Impossível de dizer que foi mau, claro, mas pode dizer-se que Morrissey não correspondeu às expectativas daqueles que mais o ansiavam ver. "Ao menos, apareceu e cantou", dizia-se pelos corredores do Coliseu. Ainda que um tanto fraquinho, o espetáculo não deixou de agradar aos seus ouvintes, que vibravam incondicionalmente em praticamente todas as canções da setlist.

O músico inglês, agarrando-se à fama de ávido crítico de numerosas questões inerentes à sociedade, quis deixar assente nas nossas mentes que há muito a mudar-se aqui e ali. São exemplos disso as canções contra a Família Real Britânica, como Kick The Bride Down The Aisle - atrás, podia ler-se sobre uma fotografia de William e Kate, "United Kind-Dumb (Broncos Unidos)" - tema que acabou com "it's ok, you don't have to" (está tudo bem, não têm de o fazer).

Por vezes jocoso, mas maioritariamente sério, Moz levava o concerto por onde queria. Como já foi dito, o público estava mais do que feliz só pelo facto de o britânico ter comparecido. No entanto, anunciada por um "and now, because... We must" (e agora... porque temos de o fazer/de a tocar): começa Hand In Glove, tema que remonta ao início dos The Smiths. Escusado será dizer que toda a sala ficou ao rubro, como se a música houvesse caído por graça de algo. Seguiu-se a esta genialidade musical um discurso contra a McDonald's, pedindo aos presentes que pegassem em latas de tinta e escrevessem "S***" à porta dos restaurantes e por cima de anúncios pertencentes à marca; no entanto, este utopismo característico de um ativista aguerrido era apenas um antecedente para mais um rasgo de The Smiths: Meat Is Murder passou a ouvir-se no Coliseu. Após mais uma canção, a banda desaparece de palco e explodem por todo o lado os pedido do encore. "A esta hora já está em Londres a beber uma pint", exclamavam entre risos alguns dos que me circundavam. 

Já mudado e refrescado, Morrissey regressa ao palco, acompanhado pela sua banda. Quase de mãos dadas com eles, os aplausos do público. Soa um piano - e uma gritaria dos fãs, antecedendo o momento que se avizinhava -; apanhando a boleia das teclas, o cantor britânico enche os pulmões para entoar Asleep, uma canção mágica também do seu grupo anterior. Deixou-nos "moles" para terminar em grande, com First of the Gang to Die.
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