Os Linda Martini levaram bem a sério a antítese de “Turbo Lento” e arrancaram, no sábado à noite na Sala Tejo do Meo Arena, em Lisboa, um concertaço de quase duas horas, onde a melancolia e a excitação souberam abanar a cabeça juntas.

“Isto não é uma festa académica!”, atirou às tantas Hélio Morais, quando algumas vozes do público sugeriam à baixista Cláudia Guerreiro um penalty de mão direita. E a diferença entre um espectáculo de festival e este concerto, em nome e responsabilidade próprios, foi tremenda: escusaram-se os imediatismos, para dar lugar a uma setlist de culto, que passou a pente fino o novo álbum e matou saudades, nos momentos certos, da “Mulher-a-Dias”, do “Belarmino Vs.” ou da nossa melhor faca.

A Sala Tejo, com capacidade para cerca de 4.000 pessoas, ficou muito bem vestida. Nem demos passar pelos 10 anos, mas os momentos altos sucederam-se ao ritmo das pancadas na tarola de Hélio Morais, e hoje a legião de fãs, de idades tão distintas, está ao nível de uma das melhores bandas portuguesas. Havia pessoas na porta desde as 13h a lutar pela primeira fila.

O espaço é imponente, a acústica é incrível, mas as paredes são tão altas e robustas que impediram a implosão. Foi mesmo o grande senão do concerto: o tecto tão longínquo fez dispersar as partículas de adrenalina e enfraqueceu o motim. Mas, verdade seja dita: na Galeria Zé dos Bois ficávamos todos à porta.

Bendito Spotify. Bendito à vontade dos músicos. Estávamos num concerto de apresentação mas já nada era estranho. A grande maioria acompanhava as músicas como se fossem clássicos; já estremecia com os primeiros acordes de “Juaréz” e alucinava com “Febril (Tanto Mar)”.  Ou a certeza de que no novo álbum quase todas as faixas são sérias candidatas a single.

A disforia veio atrelada a “Estuque”, “O Amor é não haver polícia” e, qual cereja, a nova coqueluche, “A Volta”. A banda garantia não haver encore, mas mesmo depois de Hélio Morais ter nadado pelas primeiras filas, houve tempo para uma particularmente inspirada “Dá-me a tua melhor faca”, que marcou a comunhão entre toda a discografia dos senhores do momento.

A “Ratos” merecia uma Cláudia Guerreiro mais histérica, como havia sido no verão, no concerto do Fusing (Figueira da Foz). A sala não devia ter um ar condicionado tão porreiro, porque com sangue a ferver tudo teria sido ainda mais intenso. Pormenores à parte, foi uma justa consagração.

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