Trata-se da 5.ª edição de um encontro integrado no programa Lisboa na Rua e que decorre no âmbito da Lisboa Capital Verde Europeia 2020.

De acordo com a organização, o Lisboa Soa reveste-se este ano de um novo formato, com várias instalações sonoras espalhadas pela cidade, “celebrando a paisagem sonora de uma capital que se quer cada vez mais verde”.

Atendendo aos “tempos extraordinários” que se tem vivido, fruto dos condicionamentos impostos pelo combate à pandemia de COVID-19, a linha da programação do Lisboa Soa contempla pela primeira vez projetos selecionados por ‘open call’.

De acordo com a diretora artística do Lisboa Soa, Raquel Castro, a temática deste ano – “A Viagem” - procura promover “o apoio à criação de arte sonora e às artes exploratórias pensadas em sintonia com as questões ambientais” que são, desde o início, o foco das intervenções deste festival no espaço público.

Lisboa Soa assenta, explora e sublinha o papel da escuta em pleno século XXI, sublinhando a importância dos espaços de reflexão, particularmente num momento em que urge redesenhar hábitos e costumes do comportamento humano, a um nível global, explica a diretora artística, acrescentando sempre ter acreditado “na importância da escuta e no papel da arte sonora para estimular um sentido que é quotidianamente massacrado pela vida contemporânea”.

“Não é apenas o ruído que nos ocupa, mas o som no sentido lato, o som como recurso para entender o ambiente, o som como unificador e espaço partilhado, o som como elemento identitário dos lugares que habitamos, o som como elemento de fruição estética e de prazer”, sublinha Raquel Castro.

Partindo da experiência da diminuição da poluição sonora na cidade, devido à pandemia, que deu espaço para ouvir alguns sons naturais, até aqui “mascarados pelos sons da produção e mobilidade humana”, os artistas foram desafiados para apresentar projetos sob a temática de “A Viagem”, desde logo porque é uma das atividades que, neste contexto global, têm estado mais paradas.

“Se é verdade que a viagem nos liga a outras pessoas, culturas, países e continentes, também é verdade que a urgência em viajar acarreta sérias consequências para o ambiente. Hoje sabe-se que o turismo global causa quase um décimo de todas as emissões de gases de efeito-estufa, sobretudo pelas opções que tomamos para nos transportarmos de um local a outro”, explica.

Mas “A Viagem” também pode ser guiada pela escuta como um processo de mapeamento da intimidade de cada um, uma viagem pessoal que se faz de ouvidos abertos.

Este ano, o Lisboa Soa apresenta projetos que enaltecem a importância do meio ambiente na forma como se escuta, desde logo em “Echoplastos”, de Henrique Fernandes e Tiago Ângelo, em que o som é moldado por materiais “tóxicos”.

Na instalação “Woodpeckers”, do artista residente em Berlim Marco Barotti, vários pica-paus mecânicos transformam em tempo real as radiações invisíveis, usadas para comunicação móvel e tecnologia sem fio, em padrões de percussão acústica audíveis e visíveis.

O britânico Kaffe Mathews estreia mundialmente a partir de Lisboa o seu novo projeto “Environmental Bikes”, em que uma bicicleta transmite som e música a partir da qualidade do ar que um ciclista percorre.

Ao todo são 12 as instalações sonoras apresentadas neste Lisboa Soa, seis das quais selecionadas por ‘open call’, que serão colocadas em pontos nevrálgicos da cidade de Lisboa.

A programação deste ano contempla ainda uma série de 13 performances, que terão lugar ao longo dos quatro dias do festival em diferentes espaços da cidade.

A 24 de setembro, o Terraço e a Garagem da EPAL serão palco para as performances das duplas Nuno Veiga e Yola Pinto, e ainda Nuno Rebelo e Constança Brncic.

No dia seguinte, o Jardim do Goethe Institut recebe Luis Antero e João Lourenço, Adriana Sá e John Klima, e a encerrar o programa do dia Vitor Joaquim e João Silva.

No dia 26, o programa de concertos distribui-se pelo Pátio da Galeria Monumental com concerto de Fernando Mota; no Museu da Cidade atua a dupla Francisca Marques e Inês Pereira (Jardim Bordalo) e a guitarra elétrica processada de Vitor Rua (Pavilhão Branco).

No Panteão Nacional atuam Diogo Alvim e Matilde Meireles, e, a encerrar a agenda de sábado, Angélica Salvi e João Pais Filipe.

No domingo, 27 de setembro, os espetáculos ao vivo decorrem na Estufa Fria, com os artistas Gabriel Ferrandini, “Raw Forest” de Margarida Magalhães; e Joana Sá com Luis J. Martins.

Haverá ainda dois passeios sonoros e, pela primeira vez, o Lisboa Soa irá também experimentar o formato online, com uma ‘masterclass’ de Ellen Fulman, um concerto imersivo de Francisco López, uma oficina de Deep Listening por Ximena Alárcon e uma mostra de filmes de Mikhail Karikis.

A programação completa estará disponível no site oficial do festival.

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