Em declarações aos jornalistas, Robert Lubar Messeri, curador da exposição, explicou que a mostra apresenta a produção artística do artista em 1973, altura em que Miró tinha 80 anos, revelando “11 obras da coleção do Estado português”, bem como obras de coleções espanholas e francesas e que vão ser exibidas em Portugal pela primeira vez.

Na exposição podem encontra-se telas queimadas a relevar a “raiva estética” do artista, mas também esculturas feitas com materiais como tapetes e panos, provavelmente utilizados pelo artista para limpar o ateliê, e que estão decorados com cordas, lãs ou tesouras.

Como explicou Robert Lubar Messeri, os materiais utilizados por Miró na altura são “materiais realmente muito pobres” e que remetem para a ‘arte povera’, um movimento artístico italiano que utilizava materiais não convencionais na pintura.

A nova exposição de Serralves foca-se no envolvimento de Miró (1893-1983) na corrente “anti-pintura” para evidenciar o modo como a tensão entre pintura e anti-pintura foi transportada para a obra do artista catalão, atingindo um crescendo em março de 1973, na exposição retrospetiva que teve lugar no Grande Palais, em Paris.

A escala da exposição é “pequena” reconheceu a diretora interina do museu, Marta Almeida, referindo que a exposição é uma “nova abordagem que se faz à coleção do Estado português”, mas mais “específica” e mais “focada” no período em que o artista preparou uma retrospetiva da sua obra em Paris.

A presidente do Conselho de Administração de Serralves, Ana Pinho, considerou que hoje era “um grande dia” para aquela fundação por ter uma nova exposição a partir da obra de Joan Miró, depois de em 2016 ter apresentado a exposição “Joan Miró: Materialidade e Metamorfose”, que foi visitada por 240 mil pessoas.

“Como todos sabem, em 2016 Serralves deu a conhecer pela mão do curador Robert Lubar a coleção de Miró que pertence ao Estado português e que até essa altura não era conhecida”, declarou Ana Pinho, recordando que essa primeira exposição permitiu que muitos portugueses se “confrontassem pela primeira vez com obras de Joan Miró” e que foi “amplamente visitada” tanto na Casa de Serralves, como depois no Palácio da Ajuda, em Lisboa, e em Pádua.

A exposição inclui também um filme do fotógrafo catalão Francesc Catalã, no qual se revela o processo de criação e destruição das telas queimadas de Miró.

A exposição pode ser vista até ao dia 3 de março de 2019 e contou com o apoio mecenático da Sonae.

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