Poucos minutos antes das dez da noite, os batimentos cardíacos das milhares de pessoas que encheram o MEO Arena, em Lisboa, aceleraram quando no ecrã gigante do palco começaram a rodar capas de discos, de revistas e fotografias dos Aerosmith. Tudo ao som de “O Fortuna”, de Carl Orff. Foi assim o arranque da última viagem da banda de Steven Tyler, Tom Hamilton, Joey Kramer, Joe Perry e Brad Whitford por Portugal - a "Aero-vederci Baby!!!" foi apresentada como a digressão de despedida dos norte-americanos, mas já foram lançadas pistas em contrário para o ar.

O voo por mais de quarenta anos de carreira arrancou a toda a velocidade ao som de "Let The Music do The Talking", de 1985, com o vocalista Steven Tyler e o guitarrista Joe Perry a desfilarem pelo corredor central com os cabelos ao vento - as ventoinhas foram colocadas estrategicamente para que tudo esvoaçasse em palco.

Logo nos primeiro minutos, os Aerosmith serviram um aperitivo do que estava para acontecer - muito rock n' roll, muita energia, e muita loucura acompanhada por jogos de luzes frenéticos, fumo e ventoinhas. Mas tudo nas doses certas e a fazer jus à sua identidade - não é por acaso que são considerados uma das mais bem sucedidas bandas  rock nos Estados Unidos, com dezenas de prémios e inúmeros certificados de  de ouro, platina e multi-platina, pela RIAA (Recording Industry Association of America).

Veja na galeria as imagens do concerto:

Depois de um “Olá, Lisboa”, seguiu-se “Nine Lives” e “Rag Doll". Em apenas três canções, os “meninos maus de Boston” fizeram soar o público - a meio, já havia gente sentada no chão "a descansar as pernas e as costas". “Já não estou habituado”, gracejou um dos fãs. Mas Steven Tyler, sempre acompanhado pelo seu tripé de microfone com lenços, não mostrava cansaço, apesar  dos vários rodopios e corrias em palco.

Entre as canções, Joe Perry, que visitou Portugal em 2016 com os Hollywood Vampires, confessou estar feliz por atuar na terra da sua família -o músico é descendente de madeirenses, do lado paterno.

Se o rock n’ roll já pairava no ar, "Livin' on the Edge" acendeu ainda mais o rastilho de uma noite de nostalgia para os fãs que acompanham a banda desde dos anos 1970-80. Foi o primeiro grande momento de comunhão entre a banda e público, mas a euforia multiplicou-se logo depois, com “Love in an Elevator", que, muito provavelmente, lembrou a muitos que no dia seguinte o patrão não perdoa atrasos - é a parte menos boa dos concertos durante a semana.

Seguiu-se "Falling in Love (Is Hard on the Knees)" e “Stop Messin' Around”, com Joe Perry a assumir o papel de vocalista, enquanto Steven Tyler mostrava os seus dotes na harmónica - no final, Perry brindou todos com um solo com a guitarra atrás das costas.

Depois de “Oh Well", também de Fleetwood Mac, uma viagem até 1987 com “Hangman Jury", num ritmo menos frenético, abrindo o momento mais acústico do concerto.

Com “Seasons of Wither", “Sweet Emotion" e “Boogie Man", a banda mostrou que a máquina continua indiscutivelmente bem oleada e que, se Tyler e companhia o quiserem, pode continuar a correr mundo - os fãs agradeceriam.

O adeus dos Aerosmith no MEO Arena: O sonho de uma noite de verão O adeus dos Aerosmith no MEO Arena: O sonho de uma noite de verão

Apesar do alinhamento ter sofrido algumas alterações em relação aos últimos concertos da digressão, um dos momentos mais esperados da noite chegou antes do encore, como tem acontecido na maioria dos espetáculos na Europa. Joe Perry deu os primeiros acordes, a euforia foi geral e ali estava a canção “I Don't Want to Miss a Thing", um dos maiores sucessos dos Aerosmith. Na cauda do palco, Steven Tyler, deu espaço para que os milhares de espectadores cantassem a uma só voz - foi um dos temas mais entoados e o momento em que mais smartphones saltaram dos bolsos (neste caso, justifica-se: foi um momento que deve ser partilhado e recordado por todos).

Depois de uma versão de "Come Together", dos Beatles, chegou “Eat the Rich", tema que tem ficado de fora do alinhamento de alguns dos concertos da digressão europeia, mas que foi acolhido de braços abertos pelos fãs no MEO Arena. No final da canção, silêncio e um arroto do vocalista - uma forma curiosa de servir "Cryin'", outro dos grandes sucessos dos Aerosmith e que foi como uma flecha aos corações dos fãs.

Antes do encore, que é como quem diz ‘adeus, vou ali e já venho’, ainda houve tempo para “Dude (Looks Like a Lady)”. E foi mais uma explosão de energia e de rock n’ roll, como se o concerto tivesse acabado de começar - a idade não pesa aos membros da banda.

Depois de uma curta pausa, os Aerosmith voltaram para entusiasmar  mais um pouco a multidão. Tyler reapareceu em palco para tocar "Dream On" num velho piano branco. Respeitando todas as regras que não existem no rock, Joe Perry saltou para cima do piano para mais um solo de guitarra de arrepiar - Steven Tyler pode ser a cara do grupo, mas Perry também brilha e, no MEO Arena, provou porque é que é um dos melhores do mundo ao fazer tudo e mais alguma coisa com a sua guitarra.

Antes do adeus final, ainda houve tempo para "Mother Popcorn", de James Brown. Mas foi com “Walk This Way" que os Aerosmith fecharam o concerto que cruzou no MEO Arena diversas gerações, desde adolescentes dos anos 1990 até aos mais velhos que andavam no liceu nos anos 1970-80. Na despedida houve chuva de confettis, fumo branco e uma grande ovação dos fãs, que viveram um verdadeiro sonho de uma noite de verão.

O adeus dos Aerosmith no MEO Arena: O sonho de uma noite de verão O adeus dos Aerosmith no MEO Arena: O sonho de uma noite de verão

Durante mais de duas horas, os Aerosmith provaram porque é que ainda são considerados uma das maiores bandas de rock n’ roll norte-americanas. Os fãs que estiveram no MEO Arena, ficarão com boas memórias e, certamente, esperam que este ‘adeus’ se torne num ‘até já’.

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