"Em setembro de 2020, após o que chegou a parecer ser uma pausa sem fim à vista, e à semelhança de tantas organizações culturais, a Orquestra Sem Fronteiras retoma a sua atividade regular. A paragem forçada serviu-nos para aprofundar a reflexão sobre o que queremos ser e fazer neste espaço-tempo que vivemos. O resultado dessa suspensão, que agora damos a conhecer, é a expansão da nossa organização rumo a uma programação de proximidade, mais espalhada, mais abrangente e, sobretudo, mais diversificada", explica, em comunicado, o maestro Martim Sousa Tavares.

A OSF recomeça as suas atividades regulares esta quinta-feira, com a produção do seu próprio podcast, "Abertamente", conduzido por Diogo Costa, para o qual são convidados mensalmente diferentes personalidades do mundo da música, das artes, da cultura, para conversas em que se fala de tudo abertamente e se ouve de mente aberta, ou vice-versa.

Já o primeiro concerto deste período pós-pandemia COVID-19 vai ocorrer em Almeida, no dia 3 de outubro, pelas 21:00, nos claustros do convento.

O concerto com ensemble de metais, tem no programa música de Beethoven, Humperdinck, Dvorák, Rimsky-Korsakov, Janácek e João Gaspar (estreia mundial), incluindo ainda 'streaming' em direto.

"O primeiro desafio que enfrentamos é a escolha de repertórios adequados ao espaçamento em palco, evitando aglomerar músicos e cumprindo as boas práticas de saúde pública. A resposta, é claro, é que vamos tocar com a orquestra mais reduzida, e por essa razão tão cedo não regressaremos aos concertos sinfónicos", sustenta Martim Sousa Tavares.

Adianta que seria fácil passar um ano a simplesmente tocar a excelente música escrita entre 1720 e 1770, com 20 músicos de cada vez: "Mas, isso não nos interessa, porque igualmente importante é o compromisso que assumimos com uma programação estimulante, diversificada, curiosa e inclusiva".

O maestro explica que a OSF quer continuar o apoio ao talento jovem e, mais que nunca, defender o ecossistema sociocultural do interior nacional, minimizando os impactos e perdas devidos ao efeito do surto da COVID-19.

"Nesse sentido, a Orquestra Sem Fronteiras desdobra-se em mais do que apenas concertos. Para além destes, e que continuarão a ser gratuitos, mantemos a aposta em formações e 'masterclasses', mas apresentamos dois ciclos novos que permitirão expandir o alcance da nossa missão: Terra a Terra, uma iniciativa incubadora de empreendedorismo comunitário através da música, e um programa para agrupamentos de música de câmara em residência", conclui.

A OSF é um projeto inovador na Península Ibérica, nomeadamente no contexto raiano, e tem como objetivo proporcionar oportunidades a jovens músicos que pretendam fixar-se no interior para desenvolver a sua atividade profissional, sem que tenham de deslocar-se para os grandes centros urbanos ou para o estrangeiro.

O projeto conta com o apoio de mecenas e parceiros privados, de autarquias e dos ministérios da Educação e da Cultura, assim como do Ministério da Economia, através da Secretaria de Estado da Valorização do Interior.

A sua estreia ocorreu no dia 22 de março de 2019, com um concerto no Centro Cultural Raiano, em Idanha-a-Nova, vila do distrito de Castelo Branco onde tem a sua sede.

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